Washington – Agentes de saúde dos Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira (22/10) que irão começar a monitorar todos os viajantes, ainda que norte-americanos, que chegarem ao país vindo de nações atingidas pela epidemia do Ebola na África. O período de observação será de 21 dias e representa um nível de vigilância significativamente maior que o adotado anteriormente.
O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Tom Frieden, disse que a nova etapa do monitoramento começará na próxima segunda-feira (27/10) em seis Estados: Nova York, Pennsylvania, Maryland, Virginia, New York e Georgia.
Em sua declaração, Frieden afirmou que a nova medida irá proteger ainda mais os americanos. Viajantes da Libéria, Guiné e Serra Leoa receberão cartões informativos e um termômetro para que meçam diariamente suas temperaturas e informem a autoridades sanitárias locais.
Os "check-ins" poderão ser feitos pessoalmente, por telefone, Skype ou Facetime com funcionários. Os passageiros também deverão informar seus planos de viagem após entrarem nos Estados Unidos. Frieden disse que se algum dos viajantes se recusar a cooperar, o CDC será chamado imediatamente.
Negativo
Um passageiro que chegou aos Estados Unidos na tarde da terça-feira (21/10) e foi levado a um hospital de Nova Jérsei com sintomas do ebola não foi diagnosticado com a doença, segundo um agente da autoridade portuária da região. Patrick Foye, diretor executivo do órgão, que opera os maiores aeroportos da cidade de Nova York, afirmou nesta quarta-feira que não houve "indicações positivas para o ebola" de passageiros chegando na região, incluindo o viajante levado para o hospital.
O passageiro em questão foi barrado em uma triagem realizada com estrangeiros vindos da Libéria, Serra Leoa e Guiné. De acordo com a representante, o indivíduo em questão foi identificado com sintomas ou com uma possível exposição ao vírus. As autoridades não divulgaram informações sobre o passageiro.
Curado
Ainda nos EUA, um cinegrafista se recuperou do ebola e está pronto para receber alta nesta quarta-feira. Ashoka Mukpo é o quinto paciente transportado do oeste da África a melhorar da doença nos Estados Unidos.
"Muitos não tiveram a sorte que eu tive. Estou muito feliz de estar vivo", disse.
Obama
O presidente dos EUA, Barack Obama, se mostrou otimista em relação à situação do ebola. Ele destacou que vários familiares da única pessoa que morreu da doença nos EUA foram liberados da quarentena e duas enfermeiras de um hospital de Dallas infectadas pelo vírus durante o tratamento deste paciente "parecem estar melhores".
Sobre a declaração da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que a Nigéria esta livre do ebola, Obama também afirmou que é um sinal de esperança. "Isso dá uma noção de que, quando diagnosticado no início, esse surto pode ser contido", declarou. O presidente americano discursou nesta quarta-feira após uma reunião no Salão Oval com a equipe de luta contra o ebola, incluindo o ex-conselheiro da Casa Branca Ron Klain em seu primeiro dia no cargo de chefe da luta contra a epidemia.
A reunião acontece no momento em que o governo continua a reforçar medidas de segurança nos EUA, apesar de não ter proibido completamente a entrada de viajantes da África Ocidental, onde a epidemia matou mais de 4.500 pessoas na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Klain é um conhecido agente Democrata em Washington e ex-chefe de equipe do vice-presidente Joe Biden. Ele é encarregado de coordenar a luta contra o ebola do governo, tanto nos EUA quanto nos três país mais atingidos pelo surto. (Agência Estado/Associated Press)