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Trump teria dito ao FBI em 2006 que 'todo mundo sabia' sobre conduta de Epstein (foto: reprodução X)
Trump teria dito ao FBI em 2006 que 'todo mundo sabia' sobre conduta de Epstein (foto: reprodução X)

EUA divulgam entrevistas de jovem que acusa Trump de abuso sexual

Violência teria acontecido quando ela tinha 13 anos

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07.03.2026 - 09:27:50

São Paulo – O Departamento de Justiça dos EUA divulgou nesta sexta-feira (6/3), documentos do FBI descrevendo entrevistas com uma mulher que fez uma acusação contra Donald Trump. As páginas tinham sido retidas do vasto conjunto de arquivos ligados a Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. O argumento era de que os documentos retidos estavam duplicados.

Entre os documentos liberados ontem estão três memorandos sobre entrevistas com uma mulher que relatou aos agentes que Epstein a havia abusado física e sexualmente repetidas vezes, décadas atrás, quando ela tinha 13 anos. Ela também acusou Trump de agressão sexual.

Agentes do FBI realizaram quatro entrevistas com a mulher, mas apenas uma, feita em julho de 2019, estava disponível no banco de dados do Departamento de Justiça, divulgado em janeiro. Neste único depoimento liberado, ela alega ter sido repetidamente abusada por Epstein quando era menor de idade e morava na Carolina do Sul. Ela não menciona Trump na entrevista.

A omissão das outras três entrevistas levantou ainda mais suspeitas de que a Casa Branca estaria acobertado crimes. Os arquivos liberados ontem contêm os três depoimentos que faltavam, realizados em agosto e outubro de 2019.

Na segunda entrevista, a mulher descreveu outros abusos cometidos por Epstein e vários de seus amigos homens. Ela disse que Epstein a levou para Nova York e New Jersey quando ela tinha entre 13 e 15 anos, e a conduziu a um “prédio muito alto”. Lá que, segundo ela, Epstein a apresentou a Trump.

Suspeitas

Na ocasião, segundo o depoimento, Trump pediu que todos saíssem da sala onde estavam reunidos e, segundo o relato da mulher, “disse algo como: ‘Deixe-me ensinar a vocês como as garotinhas devem se comportar’.” Em seguida, ele abriu o zíper da calça e colocou a cabeça dela “em seu pênis”. A mulher relatou então que mordeu Trump, que então a agrediu e disse algo como: “Tirem essa vadiazinha daqui”.

Mais tarde, na mesma entrevista, a mulher disse aos agentes que ouviu Trump e Epstein conversando sobre como o financista chantageava pessoas e ouviu Trump “falando sobre como lavava dinheiro em seus cassinos”

Ameaças

Na terceira entrevista, três semanas depois, os agentes anotaram que ela disse ter recebido telefonemas ameaçadores que, segundo ela, estariam relacionados a Epstein ou Trump, bem como vários incidentes em que ela “quase foi atropelada” por carros.

Durante a quarta entrevista – dois meses após seu último depoimento ao FBI – a mulher não estava acompanhada de um advogado, diferentemente dos encontros anteriores. Ela disse aos agentes que se sentia desconfortável sendo gravada e questionou a utilidade dos depoimentos.

Não está claro o que aconteceu com a investigação do FBI sobre as acusações. Um e-mail trocado entre agentes do FBI, incluído nos arquivos do Departamento de Justiça, menciona “uma vítima identificada que alegou ter sofrido abuso de Trump, mas acabou se recusando a cooperar”, sem especificar se trata-se da mesma pessoa.

Inicialmente, as autoridades haviam justificado a omissão das entrevistas dizendo que eram arquivos duplicados ou já tinham sido divulgados em outros lugares. No entanto, uma revisão posterior determinou que não foi isso o que aconteceu.

Críticas

A omissão dos memorandos alimentou ainda mais as críticas de alguns legisladores e vítimas de que o governo Trump havia negligenciado sua responsabilidade legal. A Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein, aprovada em novembro pelo Congresso, exige que o governo divulgue todos os arquivos de investigação relacionados ao caso, sem revelar informações que identificassem suas vítimas.

Em declaração publicada online na quinta-feira, o Departamento de Justiça reconheceu que, além desses memorandos do FBI, identificou cerca de uma dúzia de outros documentos que haviam sido “codificados incorretamente como duplicados”.

Além disso, procuradores federais na Flórida determinaram que cinco memorandos de acusação, inicialmente classificados como confidenciais, poderiam ser divulgados com trechos ocultados, segundo o departamento. Trump nega qualquer irregularidade e afirma que os arquivos de Epstein o “inocentam totalmente”.

Funcionários do Departamento de Justiça têm sido alvo de críticas também pela forma como lidam com os arquivos, incluindo edições inconsistentes que expuseram dezenas de vítimas e inicialmente mantiveram ocultos os nomes de homens proeminentes.

O departamento republicou esta semana uma série de milhares de documentos que foram retirados do ar depois que funcionários descobriram que um lote deles continha muitas imagens de nudez. Uma fonte afirmou que eles foram removidos temporariamente por precaução e seriam revisados para depois serem republicados. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS) (Agência Estado)

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por Agência Estado

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