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EUA disparam contra petroleiro iraniano em meio a pressão por acordo para fim da guerra (foto: reprodução X)
EUA disparam contra petroleiro iraniano em meio a pressão por acordo para fim da guerra (foto: reprodução X)

EUA disparam contra petroleiro iraniano em meio a pressão por acordo para fim da guerra

Trump ameaçou Teerã com uma nova onda de bombardeios

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06.05.2026 - 16:56:42

São Paulo – O Exército dos Estados Unidos informou nesta quarta-feira, 6, que disparou contra um petroleiro iraniano enquanto o presidente Donald Trump buscava pressionar Teerã a chegar a um acordo para encerrar a guerra.

Um caça americano atingiu o leme do petroleiro no Golfo de Omã enquanto ele tentava romper o bloqueio militar dos EUA aos portos iranianos, informou o Comando Central dos EUA em uma publicação nas redes sociais.

O ataque ocorreu enquanto o Irã e os EUA estão oficialmente em cessar-fogo e enquanto os dois países pareciam estar se aproximando de um acordo inicial para encerrar a guerra. Trump ameaçou Teerã com uma nova onda de bombardeios caso um acordo não seja alcançado, incluindo a abertura do Estreito de Ormuz.

Trump publicou nas redes sociais nesta quarta que a guerra de dois meses poderia terminar em breve e que os embarques de petróleo e gás natural, interrompidos pelo conflito, poderiam ser retomados. Mas ele disse que isso depende da aceitação, pelo Irã, de um suposto acordo que o presidente não detalhou.

Mais perto de um acordo

A Casa Branca acredita estar perto de um acordo com o Irã sobre um memorando de uma página para encerrar a guerra, segundo reportagem do portal Axios. Ainda não há um acordo formalizado, mas as disposições incluem uma moratória sobre o enriquecimento de urânio iraniano, a suspensão das sanções americanas, a distribuição de fundos iranianos congelados e a abertura do estreito para navios. A Casa Branca não respondeu imediatamente às perguntas sobre o possível acordo.

Trump afirmou em sua publicação nas redes sociais que era “talvez uma grande suposição” que o Irã concordaria com os termos oferecidos pelos Estados Unidos. “Se eles não concordarem, os bombardeios começarão e, infelizmente, serão em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, disse Trump.

Um cessar-fogo instável entre os EUA e Teerã tem se mantido em grande parte desde seu início, em 8 de abril. O Paquistão sediou conversas presenciais no mês passado entre o Irã e uma delegação dos EUA liderada pelo vice-presidente J. D. Vance, mas as negociações não resultaram em um acordo.

Visita à China

A visita do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, à China foi a primeira desde o início da guerra. Sua chegada ocorreu antes de uma visita planejada de Trump a Pequim para uma cúpula de alto nível nos dias 14 e 15 de maio com o presidente chinês Xi Jinping. Esta seria a primeira viagem de Trump à China durante seu segundo mandato e a primeira de um presidente dos EUA desde a visita de Trump em 2017.

“Acreditamos que um cessar-fogo abrangente é urgentemente necessário, que a retomada das hostilidades é inaceitável e que é particularmente importante manter o compromisso com o diálogo e as negociações”, disse Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, em um vídeo da reunião. Ele afirmou que o conflito “não apenas causou sérias perdas ao povo iraniano, mas também teve um impacto severo na paz regional e global”.

Em uma entrevista televisionada à mídia estatal iraniana em Pequim, Araghchi disse que sua visita incluiu discussões sobre o Estreito de Ormuz, bem como sobre o programa nuclear do Irã e as sanções impostas a Teerã. O Irã alcançou “um elevado status internacional” após a guerra, tendo comprovado suas capacidades e força, disse Araghchi.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, expressou a esperança de que Pequim reitere a necessidade de o Irã liberar o controle do estreito, sua principal fonte de influência, enquanto Trump exige uma grande redução de seu controverso programa nuclear.

Uma declaração publicada no site do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a China valoriza a promessa do Irã de não buscar armas nucleares, ao mesmo tempo em que reafirma seu “direito legítimo ao uso pacífico da energia nuclear”.

Centenas de navios mercantes permanecem presos no Golfo Pérsico, sem conseguir chegar ao mar aberto sem passar pelo Estreito de Ormuz. Os EUA disseram ter aberto uma rota marítima segura pelo estreito na segunda-feira, 4, e afundado seis pequenas embarcações iranianas que ameaçavam navios comerciais. Mas Trump anunciou na terça que estava suspendendo a operação, chamada Projeto Liberdade, para verificar se um acordo com Teerã para encerrar a guerra poderia ser alcançado.

Um navio operado pelo Grupo CMA GGM foi danificado e vários tripulantes ficaram feridos após um ataque durante a travessia do estreito na terça-feira, 5, informou a empresa de navegação francesa, sem fornecer detalhes. A companhia afirmou que os tripulantes feridos foram retirados do navio e estão recebendo tratamento médico.

Os preços do petróleo e o transporte marítimo provavelmente não retornarão à normalidade até que o risco de ataques no estreito diminua, disse Kaho Yu, chefe de energia e recursos da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.

“Refinarias, empresas de transporte marítimo e comerciantes de commodities permanecerão cautelosos até que haja evidências mais claras de que as interrupções no Estreito de Ormuz não irão se intensificar novamente”, disse ele.

Entre elas está a Hapag-Lloyd, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo. Em comunicado, a empresa afirmou que o fechamento do estreito está lhe custando cerca de US$ 60 milhões por semana, com o aumento dos custos de combustível e seguro impactando particularmente o resultado. A empresa disse que as rotas alternativas para outros portos ou por terra são limitadas.

Apenas dois navios mercantes com bandeira americana são conhecidos por terem atravessado a rota protegida pelos EUA. Um navio-tanque para transporte de petróleo e produtos químicos, operado pela Crowley-Stena Marine Solutions, saiu em segurança do Golfo Pérsico na segunda-feira, confirmou a empresa. A empresa de transporte marítimo Maersk havia informado anteriormente que um de seus navios cargueiros também havia transitado pelo estreito “acompanhado por forças militares americanas”.

O preço à vista do petróleo Brent, referência internacional, caiu para cerca de US$ 100 por barril na quarta-feira, recuando significativamente em relação aos grandes aumentos de preço no início da semana. Os preços ainda estão bem acima dos cerca de US$ 70 por barril que o petróleo bruto valia antes do início da guerra.

*Com informações da Associated Press.

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por Agência Estado

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