Brasília – O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou nesta quinta-feira (15/4)
novas sanções financeiras contra a Rússia e a expulsão de dez diplomatas russos, em resposta a recentes ataques cibernéticos e à interferência na eleição presidencial de 2020, atribuída a Moscou. Entre as medidas estão a proibição de negociações com a dívida soberana do país e de parcerias de empresas com o Serviço de Inteligência russo. A informação foi adiantada durante a madrugada pelo Wall Street Journal.
O presidente Joe Biden assinou decreto que permitirá punir novamente a Rússia, de forma a provocar "consequências estratégicas e econômicas", se Moscou "continuar a promover uma escalada das suas ações de desestabilização internacional", informou a Casa Branca em comunicado. A entidade afirmou que a sanção visa conter "atividades estrangeiras prejudiciais que ameaçam a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos, incluindo minar a realização de eleições livres e justas".
No âmbito do decreto, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos proibiu as instituições financeiras norte-americanas de comprar diretamente dívida emitida pela Rússia após 14 de junho. O texto também determina sanções a seis empresas de tecnologia russas, acusadas de apoiar as atividades cibernética dos serviços de informação de Moscou.
"O presidente Biden assinou esta nova medida para confrontar o comportamento maligno contínuo e crescente da Rússia", escreveu a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, em nota enviada à imprensa. "O Tesouro está aproveitando esta nova autoridade para impor custos ao governo russo por sua conduta inaceitável, inclusive limitando a capacidade da Rússia de financiar suas atividades", acrescenta.
Resposta à ataque
A decisão de Biden é uma resposta ao ataque cibernético de 2020, atribuído a Moscou, que afetou dezenas de organizações nos EUA, por meio da SolarWinds, uma empresa de software norte-americana cujo produto foi pirateado para conseguir vulnerabilidade entre os seus utilizadores, incluindo várias agências federais norte-americanas.
O governo de Joe Biden determinou ainda sanções contra 32 entidades e pessoas acusadas de tentar, em nome do governo russo, "influenciar as eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos", segundo a Casa Branca. Em parceria com a União Europeia, o Canadá, Reino Unido e a Austrália, o governo dos Estados Unidos vai impor sanções a oito pessoas e entidades "associadas à contínua ocupação e repressão na Crimeia".
Quanto às acusações de recompensas oferecidas pela Rússia aos talibãs para atacarem soldados norte-americanos no Afeganistão, a Casa Branca não se pronunciou até agora. Disse apenas que esse é um caso que está sendo tratado "por canais diplomáticos, militares e dos serviços de informações".
As sanções anunciadas hoje pela Casa Branca ocorrem em um momento particularmente delicado das relações diplomáticas entre os EUA e a Rússia, agravadas por declarações recentes do presidente Joe Biden que acusou o seu homólogo russo, Vladimir Putin, de ser um "assassino". (Agência Brasil / Agência Estado)