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“Eu sou ‘a’ via do advogado”, afirma Alexandre Caiado

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06.11.2018 - 19:25:49

Gabriela Louredo e João Unes
 
Com um histórico de luta em defesa dos advogados, Alexandre Ramos Caiado concorre pela primeira vez à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), pela chapa OAB Pra Você. Atualmente Caiado é presidente do Sindicato dos Advogados do Estado de Goiás (Saeg) e integrou por seis anos a Comissão de Prerrogativas da instituição.  Questionado se representa a terceira via entre os postulantes, ele afirma ser "a via do advogado". 

 A declaração foi dada durante entrevista exclusiva nesta terça-feira (6/11) ao jornal A Redação, que realiza nesta semana uma série de sabatinas com os candidatos. A entrevista do presidente Lúcio Flávio, da chapa 'Pra Frente OAB', foi publicada nesta segunda-feira (5/11). Na próxima sexta-feira (9/11), finalizando o ciclo de sabatinas, Pedro Paulo de Medeiros, da 'Nova OAB', responderá aos questionamentos. 

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Primo-primeiro do governador eleito Ronaldo Caiado, Alexandre confessa ter o sonho de fazer jus à tradição familiar e fazer história à frente da instituição. Seu avô, Antônio Ramos Caiado, foi pioneiro, tendo sido o primeiro advogado goiano, em 1895, e seu tio, Albatênio Caiado, foi o primeiro presidente da OAB-GO com formação em Direito. Alexandre Caiado não poupa críticas à gestão de Lúcio Flávio, candidato à reeleição, chamando-a de "acéfala".

Dentre suas dez propostas, figuram a viabilização do pagamento de Unidades de UDHs em 30 dias após o protocolo de requerimento, a disponibilização de todos os cursos gratuitos da Escola Superior de Advocacia (ESA) e a busca da aprovação do projeto de lei 704/15, que prevê o porte de arma de fogo para os advogados. 
 


(Foto: Esther Christina)

 
 
AR – Qual é a sua atuação junto à OAB-GO?

Alexandre Caiado – Assim que eu fui admitido nos quadros da Ordem, eu quis fazer parte da vida classista. Fui ser membro da comissão de prerrogativa e fui o menor dos membros, um soldado. Fiquei seis anos como membro da Comissão prerrogativa, fui convidado para ser secretário-geral, posteriormente o vice-presidente deixou o cargo para fazer concurso público. Eu assumi a vice-presidência, fui eleito conselheiro seccional suplente. Na outra eleição, eu fui conselheiro titular. Então, assim, sempre foi de muita luta a nossa passagem pela Ordem e sempre defendendo, tanto é que quando o presidente renunciou à Comissão de Prerrogativas por um desentendimento com o Henrique Tibúrcio eu fui convidado a assumir a presidência e fui por aclamação eleito pelo conselho. Quando disseram que eu seria o presidente, todo o Conselho seccional aplaudiu de pé.

 
 
AR – Qual grupo político o senhor representa dentro da OAB-GO? 
 
Alexandre Caiado – Nós somos do grupo prioritário daqueles que defenderam a advocacia de Goiás, da Comissão de Prerrogativas, e várias pessoas intituladas pessoas que não têm grupo, mas se organizaram no sentido de que estão sendo violados os seus direitos e acreditam que nós temos o perfil para fazer essa defesa. Então, nós não pertencemos a nenhum grupo. A OAB Independente, eu fiz parte dela, e mantenho a essência dela, daquela disputa de três anos atrás, tanto é que eu não aliei em nenhum momento à OAB Forte, nem à Renovação, que é do Leon Deniz,  que é outro que viveu 16 anos na oposição, não conseguiu sobreviver um ano na gestão. Ele estava com os amigos dele de 16 anos de caminhada. Agora ele está em uma nova caminhada que começou agora em janeiro. Será quantos dias ele permanecerá caso seja eleita essa gestão? É uma dúvida que fica.
 
AR – Como o senhor avalia a atual gestão da OAB-GO? 
 
Alexandre Caiado –  Após chegar ao Saeg, eu percebi que a OAB estava acéfala. Tanto é que um mês depois começou a aumentar a demanda, porque as pessoas já me conheciam e as pessoas começaram a ligar e eu comecei a resolver os problemas delas. A OAB-GO só é muito boa na mídia para o seu presidente. A OAB concentrou-se num sistema presidencialista em que a concentração de todos os esforços é na imagem do presidente. A imagem do advogado está no chão. A advocacia não tá sendo respeitada nos locais de trabalho porque não é só a questão física não. E o que é pior: a advocacia não está ganhando dinheiro e a OAB não faz nada pra isso. Como você pode ter um trabalho se você não está dignamente renumerado por esse trabalho? Existem os medalhões, os bem-sucedidos, mas a grande maioria está em grande dificuldade. Tanto é a ilusão do jovem advogado que não quer advogar, quer fazer concurso público. Nós temos um projeto muito bom, que é a UHD paga em 30 dias do protocolo. Isso pode ser feito e vai ser feito. Já existe a dotação orçamentária pra isso que são as taxas dos cartórios, mas o que está sendo feito? Você pega e paga a de 2011 e a de 2018 vai ficar para 2025. Você trabalharia para receber daqui a seis anos? Ninguém faz isso. A nossa proposta é pagar o que é feito agora com 30 dias e negociar o atrasado para ser pago realmente e com correção. 
 

(Foto: Esther Christina)
 
AR – Além dessa, quais são suas principais propostas?
 
Alexandre Caiado – Temos aí duas coisas que estão mal colocadas pela OAB atual. Nós temos o escritório compartilhado que a Casag montou ali na Avenida Goiás, que chama Meu Escritório. Você vai lá e tem dois, três advogados, no máximo, durante o dia e não tem um movimento grande. Aquilo se fosse uma empresa particular, estaria quebrada porque ela não se sustenta. E é cobrado por aquele serviço. Você tem o Boomerang, que cobra, sei lá, R$ 30 e desconta R$ 15. Primeiro, não vai ser cobrado na nossa gestão. Naquele local não tem estacionamento para o advogado nem para o cliente do advogado. A ESA fica do lado do Centro de Serviços da OAB, onde tem a biblioteca. Nosso projeto é levar a biblioteca para o centro da Casag e lá fazer uma grande estrutura para mais de 500 baias nesse local e também no interior com estrutura de livros físicos e virtuais porque o novo advogado que estiver desiludido vai estudar, vai fazer um concurso. E aquele estacionamento da ESA se tornou ocioso porque o Fórum saiu do Setor Oeste e foi para o Jardim Goiás. Então, se nós fizermos vários escritórios, o advogado do interior e da capital que não tiver escritório, vai ter estacionamento para ele e para o seu cliente. Então, os advogados merecem receber esse apoio da Ordem. E o estudante não precisa de estacionamento porque ele pode ir de Uber ou de táxi e ficar o dia inteiro estudando…
 
AR – Qual o seu diferencial em relação aos adversários?
 
Alexandre Caiado – Existe um ditado que diz o seguinte: mais vale a prática do que a gramática. Eu tenho as duas. Eu sei a defesa da advocacia na prática. Eu acordei muitas vezes meia-noite, duas horas da madrugada e fui atender advogado lá na delegacia. Fui lá no interior, em qualquer comarca, já andei em todas, atendendo advogados, o seu anseio, o seu problema. E sabendo trilhar o caminho das pedras. Para você ter uma ideia, em 2016 teve a Operação Livramento e a OAB falou que tinha colocado em Sala de Estado-Maior os advogados da operação e era no Núcleo de Custódia. E eles já tinham tentado dois dias pra fazer alguma coisa e em duas horas eu transferi os advogados do Núcleo de Custódia para o alojamento da (Delegacia de) Homicídios. Eu não era nem presidente da OAB, nem presidente de Comissão. Eu era presidente do Saeg. A experiência tem um valor. Nunca tivemos um presidente que veio da Comissão de Prerrogativas, que foi forjado na luta, no trabalho. Acho que 
esse é um grande ponto. 
 
AR – Como está a presença das mulheres na composição da sua chapa?
 
Alexandre Caiado – Essa é uma preocupação que teve muito a outra chapa da oposição. Ela colocou muito isso em voga, falou muito, querendo criticar a gestão. Eu simplesmente montei a minha chapa e não por causa de números. Nós temos 60% de mulheres na chapa de diretoria e aponto os feitos delas. São mulheres aguerridas, de luta, que defenderam e defendem a advocacia. Temos uma presidente da Comissão de Prerrogativas de Aparecida de Goiânia, a doutora Marianne Schmidt, e uma das mulheres mais atuantes nas Varas de Trabalho e sempre participativa de todos os eventos, a doutora Flávia Maria e a Míriam Barcelos, que na questão da violência contra a mulher, é muito determinada.  No Conselho Federal temos 50%. Na diretoria da Casag, 60%. A família Caiado é matriarcal. 
 
AR – Qual o seu grau de parentesco com o governador eleito Ronaldo Caiado?
 
Alexandre Caiado – Eu sou primo primeiro dele. O meu pai é irmão do pai dele. 
 
AR – Caso o senhor fosse eleito, isso não comprometeria a independência da OAB? Como seria a relação com o governo?
 
Alexandre Caiado– Muito boa a relação que nós temos, uma relação de respeito. O Ronaldo sempre atuou na política-partidária, tem 30 anos que ele está lá. Saiu de uma eleição agora, em que todos os adversários tentaram atacá-lo e nunca conseguiram falar um "isso" dele. Eu estou na vida classista muito antes de ser advogado, comecei no movimento estudantil. Então, nós somos totalmente independentes. E quando você pergunta dessa relação, pode ajudar muito. Porque nós tivemos o caso do ex-presidente. Em vez de ele usar o prestígio que ele tinha do governo para a advocacia, ele usou para ele próprio. Não sei os motivos, mas isso é o que se diz, mas pode ter certeza. Não serei secretário, não  usarei qualquer prestígio que eu tenho. A não ser em um ponto, a defesa das prerrogativas. 
 
AR – A taxa de anuidade cobrada pela OAB-GO é considerada uma das mais caras do País. Qual a sua avaliação sobre isso?  
 
Alexandre Caiado – O presidente é aquele advogado que você contratou ele e ele advogou contra você. Existia um entendimento no Conselho Federal há anos de que 500 reais era a anuidade do advogado goiano e 500 era uma taxa de serviço. Nós pagávamos 15% para o Conselho Federal sobre os 500 reais e ele, pra criar um rombo, uma coisa fictícia na cabeça dele, ele correu lá e falou não vocês estão enganados, isso aqui não é taxa nada. Isso aqui é anuidade. É R$ 1.000.  Ele não congelou a taxa, ele aumentou em 100%. Os 15% sobre 500 reais passaram a ser sobre R$1000 e qual o retorno que nós tivemos? Zero. Essa é a gestão zero de repasse do Conselho Federal para a advocacia goiana. Quantos foram para São Paulo? Milhões. Para o Rio Milhões. Pra Goiás? Zero.
 

(Foto: Esther Telles)
 
AR – Por que o senhor não quis se aliar ao outro candidato da oposição? Como o senhor vê a outra candidatura?
 
Alexandre Caiado – Eu não me aliei porque não entendo que eles representam o advogado. Fui convidado até pelo próprio Lúcio Flávio. Mas não quis participar de uma chapa que não representa, nem vai dar voz à advocacia. Eu tenho vergonha, um é show pirotécnico. O happy hours do outro são com taça de champanhe. 
 
AR – O senhor representa a terceira via?
 
Alexandre Caiado-  Não. Eu sou a via do advogado.
 
AR – Qual a expectativa para daqui até o final da campanha?
 
Alexandre Caiado – Não fiz ataque a ninguém. Provavelmente, não impugnarei ninguém, a não ser que seja uma coisa muito gritante. Vou deixar a cargo da Comissão Eleitoral… Eu não estou preocupado com Lúcio Flávio, com Pedro Paulo. Fake news…Nunca fiz uma materiazinha. Pode rastrear aí…Não veio nada da minha parte. Tô sendo crítico, mas muito positivo. O nosso projeto é a advocacia. Nós não temos projeto de poder. O outro fala que é o novo e não renova em nada. A diretoria dele é a mesma. O Conselho Federal é o mesmo. Colocou um porque saiu o Leon. Quem tem renovação somos nós. 
 
AR – Caso eleito, como o senhor pretende conduzir a sua gestão e ser lembrado no futuro?
 
Alexandre Caiado – A marca de uma advocacia respeitada. Eu sou reconhecido nacionalmente como um grande defensor da advocacia. Tem muitos que falam que teve uma Comissão de Prerrogativas antes e depois de mim.  É um elogio que não sei se mereço, mas aceito. Eu quero deixar essa história e fazer parte dela. A minha família tem o primeiro advogado em 8 de dezembro de 1895, considerado o advogado mais completo da época: Antônio Ramos Caiado, meu avô. Tinha os dois cursos: Ciências Sociais, Ciências Jurídicas e doutorado com distinção e louvor pela Universidade do Largo de São Francisco. Tem o primeiro advogado presidente da OAB de Goiás, Albatênio Caiado com a inscrição 001. Então, eu quero ser lembrado como eles são lembrados na história e deixar um legado. 
 
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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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