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Eu e o Rock in Rio

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23.09.2011 - 10:33:44

Eu não vou ao Rock in Rio (RiR) este ano. Não teve atração que me fizesse encarar o custo de passagens, hospedagem, alimentação, bebidas, transporte e ingressos para o festival de música mais famoso do Brasil. Tudo isso sem somar o custo canseira. Hard times, baby… De todos os shows, só três eu queria ver de verdade: Motörhead, Metallica e Stevie Wonder. O restante… Bem, deve ter quem gosta, né? Eu já fui a uma edição do RiR, a terceira, de 2001. Foi uma experiência meio traumática. Escrevi sobre isso na época para o jornal do Diretório Acadêmico de Comunicação (Dacom) da UFG. Tenho alguma vergonha do texto, mas é o retrato do que eu, como então estudante universitário quebrado, pensava. O link é esse aqui. O mais legal é ver que, na época, reclamei e achei absurdo o preço da cerveja a três reais. Dez anos de inflação não é mole não, hein…

 

Da primeira edição, não me lembro de muito. Eu tinha 5 anos e me recordo de rolar um papo sobre Rock in Rio, um burburinho, mas nada além disso. Por outro lado, acompanhei a segunda edição do festival, de 1991, muito de perto e com uma excitação sem tamanho. Me lembro até hoje do quanto aguardei o dia 18 de janeiro, quando iria ter início o evento. Assisti tudo até de madrugada da na Globo. Eu tinha 11 anos e quase, mas quase mesmo, convenci minha mãe me levar para ver o Guns n' Roses. Ela baqueou, pensou, mas teve bom senso suficiente para vetar a ideia. Sapiência materna. Já que não fui, eu ficava vendo aquele tanto de bandas que não conhecia e achava a coisa mais louca do mundo. Comprava as revistas que falavam das carreiras dos artistas na bancas, assistia os programas especiais na televisão, tudo na maior curiosidade. Era um mar de informação para um pré-adolescente classe média baixa de Goiânia.

 

Sobre o RiR que começa hoje, vou assistir alguns shows pela televisão. Preparei uma listinha dia a dia e com os horários para colocar na agenda. Se não tiver rolando nada mais legal, vou deixar a TV ligada e sacar umas apresentações. Hoje, por exemplo, tenho curiosidade no show conjunto entre Paralamas do Sucesso e Titãs (deve ser o mesmo que já vi duas vezes ao vivo), Kate Perry e Elton John. Mas tudo sem compromisso, pois se o sono bater ou alguém fizer um convite mais interessante, ver esses shows deixa de ser prioridade fácil, fácil.

 

Se você vai ao Rio de Janeiro acompanhar o festival, uma dica: poupe suas energias para aqueles shows que realmente quer ver. Não existe ser humano que consiga segurar direto o batidão de shows naquele aperto, desconforto e caminhadas homéricas. Então, quando no palco estiver uma banda que você não tenha interesse, aproveite para comer, ir ao banheiro, descansar um pouco, conhecer a estrutura do festival… Pois você não vai querer arredar o pé do meio da multidão enquanto sua banda favorita não disser o último “thank you, Rio! We love you!”. Assim você aproveita melhor seu rico dinheirinho investido nessa empreitada. Fique ligado também na sua carteira, pois os furtos são muito comuns na aglomeração. Tive que emprestar uma grana a um amigo que teve a carteira afanada no RiR que fui. No mais, bom show e divirta-se. Se você vai ver a tríade Motörhead/Metalica/Stevie Wonder, minhas sinceras invejas. Se você vai nos outros dias, bem, cada um, cada um…

 

Eu estarei na minha casa, bem tranquilo, vendo vocês pela telinha.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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