Lis Lemos
Cinquenta e quatro mulheres foram estupradas no primeiro semestre de 2011, em Goiânia. Um número pequeno, se comparado a Brasília, que, em janeiro, fevereiro, março, abril e maio, registrou 283 casos. Porém, a titular da Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam) de Goiânia, Karla Fernandes Guimarães, alerta que esses números são "mascarados". A policial explica que há subnotificações dos crimes de violência sexual.
Isso ocorre porque as mulheres têm vergonha ou sentem culpa pela violência que sofreram. A delegada argumenta ainda que o maior motivo é o medo de reviver novamente o crime, já que a vítima deve prestar depoimento, ir ao Instituto Médico legal (IML) fazer exame de corpo de delito e ao Hospital Materno Infantil para medidas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.
O estado psicológico da mulher vitimada é um empecilho para que ela não faça ocorrências sobre a violência que sofreu e prefira o silêncio. "O crime de estupro invade a alma da mulher. Se ela denunciar, vai ter que vivenciar isso várias vezes", explica Karla, que informa que a vítima não precisa representar denúncia contra o agressor, apenas fazer o Boletim de Ocorrência informando o crime.
No entanto, Karla alerta que a ausência de denúncias favorece o estuprador, que costuma agir por padrão. Assim, é importante denunciar para que se possa reconhecer o local, os horários e as semelhanças entre as vítimas que o criminoso costuma escolher.
A delegada diz que qualquer mulher está sujeita a ser vítima de um estupro e que os crimes costumam ocorrer com mais frequência no trajeto entre a casa e o trabalho. A forma como a mulher está vestida ou sua aparência física não são motivadores do crime, já que, segundo a delegada, o estuprador escolhe a vítima de acordo com sua vulnerabilidade.
Protesto
O primerio ato começa às 14h, no Campus II. De lá, os manifestantes seguem em carreata até a Praça Universitária, para o encerramento às 18h. Nesta quarta (13/7), a partir das 14h, será realizada uma oficina para confecção de cartazes, promovida pelo Centro Popular da Mulher.
