A Redação
Goiânia – Um estduo realizado pelo Pesquisador do CNPq e atual diretor do Instituto Mauro Borges, Erik Figueiredo, buscou responder a essas questões acompanhando 82 indicadores distribuídos em dez dimensões do desenvolvimento municipal. A partir de uma estratégia de identificação causal, o estudo revela que a mineração é responsável por um crescimento adicional estimado de 32,86% no PIB municipal, aumento de 29,95% na arrecadação de impostos e acréscimo médio de aproximadamente 2 mil vínculos formais de trabalho associado à mineração estratégica.
Os dados fazem parte do estudo “Goiás em Dados – A Influência da Mineração no Estado de Goiás”, que será apresentado por Erik Figueiredo, do Instituto Mauro Borges (IMB), no Goiás Mineral 2026, dia 23 de setembro, na Fieg, em Goiânia.
Promovido pelo Sindicato das Indústrias de Mineração GO e DF (Minde), o evento reunirá especialistas e representantes dos setores público e privado para discutir, a partir de dados e experiências concretas, a relação entre atividade mineral e desenvolvimento dos territórios goianos.

Luiz Vessani, presidente do Minde (Foto: Cristiano Borges)
Um olhar que vai além do PIB
A pesquisa analisa seis municípios goianos com mineração estratégica. Para compreender as transformações ocorridas nesses territórios, foram considerados indicadores de atividade econômica; emprego formal e estrutura produtiva; remuneração, distribuição e gênero; proteção social e dinâmica populacional; saúde; educação; finanças públicas; infraestrutura e representação política; violência e segurança; e qualidade do ar.
O levantamento observa os indicadores antes e depois da chegada da mineração, tendo o recebimento da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) como marco temporal. Os resultados são ainda comparados com os de municípios de características semelhantes, mas sem mineração estratégica em sua base produtiva.
A análise busca, assim, identificar as mudanças associadas direta e indiretamente à atividade mineral, distinguindo-as de transformações que poderiam decorrer de outros fatores presentes nos municípios.
Os primeiros números revelados mostram que o movimento econômico não fica restrito à indústria extrativa. O estudo identifica crescimento do emprego também na construção, no comércio e nos serviços, enquanto a elevação da renda e da arrecadação amplia os recursos disponíveis para famílias e governos locais.
Para o presidente do Minde, Luiz Antônio Vessani, colocar dados e evidências no centro do debate é uma das propostas do Goiás Mineral.
“Queremos discutir a mineração a partir de dados e experiências concretas. Goiás possui uma atividade mineral importante e vive uma nova janela de oportunidades. Precisamos compreender o que a mineração já representa para os territórios e discutir como transformar nosso potencial em desenvolvimento de longo prazo.”
Nem todos os indicadores caminham na mesma direção
A pesquisa, no entanto, não encontrou apenas resultados positivos. Há pontos de atenção e indicadores que não acompanham, na mesma direção, a expansão econômica observada nos municípios.
O levantamento traz resultados relacionados a educação, saúde, saneamento, segurança, diversificação econômica e desigualdade salarial entre mulheres e homens, entre outras questões. Esses dados serão detalhados durante a apresentação no Goiás Mineral.
Os achados colocam uma segunda discussão no centro do evento: como transformar a expansão da atividade econômica em desenvolvimento de longo prazo para os territórios?
O estudo aponta que novas dinâmicas econômicas podem ampliar também as demandas sociais e por serviços públicos, reforçando a importância do planejamento e da capacidade de gestão para que os municípios aproveitem as oportunidades associadas à atividade mineral.
Sete painéis para discutir a mineração de Goiás
A apresentação do estudo abrirá a programação técnica do Goiás Mineral 2026, que contará com sete painéis ao longo do dia.
Depois de Erik Figueiredo apresentar “Goiás em Dados – A Influência da Mineração no Estado de Goiás”, Luiz Antônio Vessani conduzirá “Territórios que Transformam”, com experiências de desenvolvimento regional em municípios mineradores goianos.
Eder de Souza Martins, da Embrapa Cerrados, abordará a relação entre mineração, agricultura e segurança alimentar, incluindo caminhos para a economia pós-mineração.
No período da tarde, Tadeu Veiga, Guilherme Jácome e Martin Ignacio Ruiz discutirão estratégias para diversificação e longevidade das operações minerais, incluindo novas tecnologias de pesquisa e extração e o caso do níquel em Goiás.
O painel sobre minerais críticos e desenvolvimento tecnológico, com Alessandro Melo e Luís Gonzaga, discutirá o posicionamento de Goiás nas cadeias de minerais estratégicos para a transição energética e novas tecnologias.
A gestão dos recursos da mineração também estará na pauta. Claudemir José Bonatto, do Senai, e Ailson Andrade, da Agência Nacional de Mineração (ANM), participarão do painel “CFEM na Prática”, dedicado ao uso da compensação financeira como instrumento de desenvolvimento local e às práticas de gestão em municípios mineradores.
Encerrando a programação, Rafael Benke discutirá padrões globais de desempenho e desenvolvimento sustentável, com foco nas demandas do mercado internacional para as operações minerais e nas oportunidades para Goiás.
Goiás Mineral 2026
O Goiás Mineral propõe reunir dados, experiências e diferentes perspectivas para ampliar a discussão sobre o presente da mineração no estado e os caminhos para transformar o potencial mineral de Goiás em desenvolvimento de longo prazo.
Data: 23 de setembro de 2026
Local: Fieg – Goiânia (GO)
Abertura: 9h
Realização: Sindicato das Indústrias de Mineração GO e DF (Minde)
