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Goiás tem muito a ganhar com o acordo (Imagem: reprodução)

Estudo da Fieg aponta potencial de até US$ 218 milhões em exportações goianas com acordo Mercosul-União Europeia

Levantamento mostra que 93% dos 2,9 mil produtos brasileiros com tarifa zero imediata são industriais

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18.05.2026 - 09:48:29

A Redação

Goiânia – Após 25 anos de negociações, o Acordo Mercosul-União Europeia entrou em vigor em 1º de maio e já começa a redesenhar o comércio entre os dois blocos econômicos, que somam 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões. Em Goiás, o impacto pode ser expressivo: estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin), estima que as exportações goianas para a União Europeia podem crescer até US$ 218 milhões com a implementação do tratado.

O levantamento mostra que a União Europeia eliminou imediatamente tarifas para 2,9 mil produtos brasileiros, dos quais 93% são industriais, beneficiando principalmente segmentos como alimentos processados, metalurgia, máquinas, equipamentos, produtos químicos e materiais elétricos. Em Goiás, onde a indústria e a agroindústria concentram grande parte da pauta exportadora, a expectativa é de ampliação da competitividade de produtos locais no mercado europeu.

Segundo o estudo da Fieg, a União Europeia atualmente responde por 12,5% das exportações goianas. Somente em 2025, Goiás exportou US$ 1,68 bilhão para o bloco europeu, com destaque para soja, cobre, minério de ferro e carne bovina.

A análise aponta ainda que os dez principais produtos goianos beneficiados pela redução tarifária podem registrar incremento de US$ 60,1 milhões em exportações quando as concessões comerciais estiverem totalmente implementadas em 2036. Apenas no primeiro ano de vigência do acordo, a estimativa é de crescimento de cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 66 milhões.

Entre os setores mais favorecidos estão carne bovina, carne de frango, couro, açúcar, gelatinas e produtos químicos. O estudo mostra, por exemplo, que as exportações goianas de carne bovina desossada congelada podem crescer em até US$ 38,7 milhões ao ano, enquanto a carne bovina fresca ou refrigerada pode avançar outros US$ 12,3 milhões anuais.

Para o analista de desenvolvimento industrial da Fieg Saulo Nogueira, o acordo abre uma nova janela para diversificação das exportações goianas e ampliação da presença da indústria local em cadeias de maior valor agregado. “O acordo melhora as condições de acesso dos produtos goianos ao mercado europeu e reduz custos comerciais que historicamente dificultavam a competitividade brasileira. Isso cria oportunidades tanto para ampliar exportações já consolidadas quanto para inserir novos produtos industriais de Goiás no mercado europeu”, avalia.

Segundo ele, o tratado também tende a estimular ganhos indiretos para a indústria instalada no Estado. “A redução das tarifas de importação facilita o acesso a máquinas, equipamentos, insumos e tecnologias europeias. Isso pode modernizar cadeias produtivas, reduzir custos de produção e aumentar a competitividade da indústria goiana”, acrescenta.

Brasil pode ganhar R$ 37 bilhões no PIB

O estudo da Gedin-Fieg destaca que os impactos do acordo devem alcançar toda a economia brasileira. Estimativas do governo federal apontam crescimento de 0,34% no PIB nacional, o equivalente a R$ 37 bilhões, além de aumento de R$ 13,6 bilhões em investimentos no País.

As exportações brasileiras para a União Europeia devem avançar 13% até a implementação integral do acordo, gerando incremento de US$ 6,5 bilhões. Para a indústria de transformação, a expectativa é ainda maior: avanço de até 26% nas exportações ao bloco europeu.

Outro ponto destacado pela Fieg é o cronograma gradual de abertura comercial negociado pelo Mercosul. O Brasil terá entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44% dos produtos europeus listados no acordo, abrangendo cerca de 4,4 mil itens. Já do lado europeu, apenas 0,9% das exportações brasileiras terão de esperar uma década para alcançar tarifa zero.

Na avaliação de Saulo Nogueira, o período de transição negociado reduz impactos bruscos sobre a indústria nacional. “O acordo foi estruturado com mecanismos de adaptação gradual, permitindo que empresas brasileiras tenham tempo para investir em produtividade, inovação e adequação às novas condições de concorrência”, afirma.

Importações europeias também devem crescer em Goiás 

O estudo da Fieg aponta ainda que o acordo deve ampliar as importações goianas de produtos europeus, especialmente nos setores farmacêutico e industrial. A estimativa é de aumento de US$ 190 milhões nas importações quando a redução tarifária estiver totalmente concluída em 2041.

Entre os produtos europeus mais importados por Goiás, e com tendência de crescimento nas compras goianas, estão medicamentos, máquinas industriais, equipamentos de compactação e sistemas de empacotamento. A maior parte das tarifas brasileiras será reduzida gradualmente ao longo de oito a 15 anos.

Para Saulo Nogueira, o aumento das importações exige atenção, mas também pode trazer ganhos para o setor produtivo goiano. “Existe concorrência maior em alguns segmentos, mas também há oportunidades importantes para a indústria local incorporar tecnologias mais avançadas, melhorar eficiência e elevar a qualidade da produção”, explica.

O levantamento divulgado pela Gedin-Fieg integra uma série de quatro estudos sobre os impactos do acordo Mercosul-União Europeia para Goiás. As próximas etapas abordarão potencial de exportação da indústria goiana, questões regulatórias e sustentabilidade.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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