A Redação
Goiânia – Turmas de graduação em Direito das faculdades Unifasam e UniAraguaia visitaram, nesta segunda-feira (4/5), a exposição “Histórias e Memória”, realizada na Galeria Cleber Gouveia, no Centro Cultural Oscar Niemeyer em Goiânia, para marcar os 15 anos da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO). A mostra está organizada em quatro módulos que conduzem o visitante por uma linha do tempo da história da Instituição, do nascimento constitucional ao debate sobre o futuro da instituição.
As visitas foram guiadas pelo defensor público Domilson Rabelo da Silva Júnior, diretor da Escola Superior da Defensoria Pública do Estado de Goiás, e reuniram estudantes e professores em um momento de imersão na trajetória histórica da instituição, seus avanços e os desafios ainda enfrentados no acesso à justiça pela população mais vulnerável.
Para Domilson, receber estudantes de Direito nesse espaço vai muito além de uma visita institucional. A ideia é provocar uma reflexão que o ambiente acadêmico, por sua natureza técnica, nem sempre permite.
“A exposição permite uma interação mais próxima, uma dinâmica humana. Conhecendo essa história, quem sabe eles queiram um dia fazer parte dela, ser os próximos atores e atrizes a construírem uma caminhada em favor de uma população vulnerável, em prol de igualdade, de pluralidade, de dignidade”, disse ele.
Percepção de quem se inspira
O professor de Direito da Unifasam Gabriel Celestino, que acompanhou os alunos na visita, destacou o valor pedagógico da experiência. Para ele, a exposição traduz, de forma concreta, o alcance do trabalho da Defensoria, dos atendimentos jurídicos à realização de casamentos e divórcios comunitários, passando pela emissão de documentos para cidadãos que sequer possuem CPF ou RG. “Às vezes é uma carreira desconhecida para alguns, mas é uma das mais importantes no sistema de justiça. Quem garante o acesso à justiça onde ele não existe?”, questionou.
A estudante do 8º período em Direito, Cláudia Gonçalves, de 52 anos, confessou que desconhecia a dimensão do trabalho realizado pela DPE-GO. Ela ficou particularmente marcada pelo relato de uma senhora com mais de 50 anos que vivia sem nenhum documento de identificação e que, sem a intervenção da Defensoria, não poderia sequer se vacinar ou abrir uma conta em banco. “Aquilo mexeu muito comigo. Que mundo é esse, ainda hoje, que deixa isso acontecer? Vocês estão de parabéns, e eu vou pensar com carinho em prestar esse concurso”, compartilhou.
Já a jovem Thalia Rodrigues, 20 anos, estudante do 5º período, também relatou surpresa diante do que descobriu na exposição. Ela não sabia que ainda há municípios em Goiás sem acesso à Defensoria Pública, informação que a preocupou e reforçou sua vontade de seguir a carreira de defensora pública para atuar junto às pessoas em situação de vulnerabilidade. “Muitas pessoas são presas injustamente, vivem em condições ruins e não entendem o funcionamento jurídico. Eu não sabia que havia lugares sem acesso, e isso me preocupou demais. Por isso acho a Defensoria essencial”, pontuou.
O estudante de Direito da UniAraguaia Sérgio Ferreira, mecânico de profissão, tem 50 anos e escolheu o curso com um objetivo claro: ajudar pessoas. Para ele, ver de perto como o sistema de justiça goiano está organizado e o quanto ainda pode avançar foi o ponto alto da experiência. “A estrutura que conhecemos aqui traz a vontade de crescer, de saber mais, para fazer o bem para as pessoas. Isso motiva a dar continuidade nos estudos”, disse ele.
A exposição “Histórias e Memória” segue aberta ao público até sábado (09/05) e integra as comemorações dos 15 anos da DPE-GO.
