Rafaela Bernardes
Goiânia –
Em resposta ao desabafo publicado pelo professor universitário Wolney Alfredo Unes, da Escola de Música e Artes (EMAC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), o estudante Emerson Alves, representante do movimento 'Ocupa EMAC', enviou nota de esclarecimento, em nome dos estudantes que ocupam o prédio, a respeito do episódio ocorrido na última terça-feira (1/11). Na data, o professor e três estudantes da universidade foram expulsos do local pelo grupo que está no espaço em protesto contra a aprovação da PEC 241.
Segundo o documento enviado ao jornal A Redação por Emerson, que cursa Artes Cênicas na faculdade, o professor universitário e os três alunos que o acompanhavam teriam entrado no prédio "de forma irregular", já que "se negaram a apresentar documentação".
"Eles se recusaram a se identificar para que pudessem ter acesso à área interna da escola, violando desta forma as regras estabelecidas em assembleias abertas ao público, que determinou que faria um acompanhamento rigoroso da entrada e saída de pessoas (mediante apresentação de documento com foto) no local visando a segurança dos estudantes e a integridade do patrimônio da escola", diz o documento.
Ainda na nota, que não traz assinatura de nenhum dos membros do movimento, o representante do grupo que ocupou o prédio afirma que o professor universitário "não marcou com antecedência sua ida ao prédio da EMAC".
"Diante desses fatos, informamos que o prof.º Wolney Alfredo Unes não entrou em contato para agendar atividades, sendo assim além de não estar no quadro de atividades, também correspondia a uma atividade dentro da ementa da disciplina que ele oferta na instituição, ou seja, mais uma vez passando por cima das decisões tomadas em assembleias públicas feitas pela ocupação da EMAC".
No entanto, segundo o professor, o encontro para a orientação de três alunos havia sido marcado há meses, conforme afirmou no texto publicado em seu perfil pessoal no Facebook. O documento do movimento contesta ainda o relato do professor, afirmando que os eventos descritos no "perfil do Facebook do professor e replicado por meios de comunicação" não teria se dado da forma relatada. Entretanto, o documento não apresenta seu relato.
Por fim, o documento que representa o 'Ocupa EMAC' reconhece que não permitiu que o professor e os três estudantes permanecessem no prédio."Considerando todos esses atos de deslegitimação do movimento de ocupação, o professor e o seu grupo de alunos foram convidados a se identificarem, porém, depois de negarem a tentativa de diálogo por parte dos ocupantes, desta forma trazendo conflitos e desgastes desnecessários e de tentar expor os alunos e alunas que estão envolvidos no movimento de ocupação, foram convidados a se retirar", finalizou.
Leia na íntegra nota enviada pelo representante do movimento, Emerson Alves:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Por meio desta nota, viemos esclarecer alguns fatos ocorridos, e publicados em algumas redes de comunicação social e dizer que nós da Ocupação da EMAC (Escola de Música e Artes Cênicas) defendemos o direito de expressão, e por ser assim ambos os lados envolvidos devem ser ouvidos, para que se possa assim realizar um diálogo democrático.
Em nome da Ocupação da Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC), gostaríamos de esclarecer os fatos ocorridos com o Prof.º Wolney Alfredo Unes no dia 01 de novembro às 18:50 onde o mesmo acompanhado de mais três alunos entraram na ocupação de forma irregular: (onde foram recebidos por estudantes universitários representantes de todos os cursos da EMAC e não secundaristas como informado pelo próprio professor) cuja parte deles se recusaram a se identificar para que pudessem ter acesso a área interna da escola, violando desta forma as regras estabelecidas em assembleias abertas ao público, que determinou que faria um acompanhamento rigoroso da entrada e saída de pessoas (mediante apresentação de documento com foto) no local visando a segurança dos estudantes e a integridade do patrimônio da escola. Tendo em vista que, durante o tempo que a escola estiver ocupada, é de responsabilidade dos ocupantes todo o patrimônio da instituição, não estando aqui ocupados com os estudantes universitários vinculados a EMAC nenhum professor ou técnico administrativo.
Gostaríamos de esclarecer que, optamos por um movimento que primasse pelo caráter formativo/informativo e pedagógico, e por isso deliberamos que professores e alunos pudessem entrar nos espaços e desenvolver atividades que estivessem fora da ementa curricular de suas disciplinas, que pudéssemos discutir as consequências da PEC 241 (ou PEC 55/2016 como apresentada no Senado Federal) para a área de arte e cultura, como tal pec afetaria não só nossa permanência na universidade mas bem como o mercado de trabalho para os futuros músicos, musicoterapeutas, diretores de arte e licenciandos em artes cênicas e atores. E para que tais atividades aconteçam de uma forma que considerem a estrutura humana da ocupação, e garanta a segurança não só dos ocupantes, mas também do próprio patrimônio, definimos horários para quê as atividades aconteçam de forma viável para todos (alunos, professores e a própria ocupação), e que todas as atividades fossem comunicadas com antecedência à comissão de comunicação pelos nossos canais oficiais de comunicação, a página do facebook ou pelo email, para que assim fosse realizado agendamentos, com finalidade de evitar transtornos e tumultos, tendo em vista que o espaço está ocupado.
Diante desses fatos, informamos que o Prof.º Wolney Alfredo Unes, não entrou em contato para agendar atividades, sendo assim além de não estar no quadro de atividades, também correspondia a uma atividade dentro da ementa da disciplina que ele oferta na instituição, ou seja, mais uma vez passando por cima das decisões tomadas em assembleias públicas feitas pela ocupação da EMAC. Considerando todos esses atos de deslegitimação do movimento de ocupação, o professor e o seu grupo de alunos foram convidados a se identificar, porém, depois de negarem a tentativa de diálogo por parte dos ocupantes, desta forma trazendo conflitos e desgastes desnecessários e de tentar expôr os alunos e alunas que estão envolvidos no movimento de ocupação, foram convidados a se retirar.
Além de tudo, queremos ressaltar que, parte dos relatos do documento publicado no perfil do facebook do prof.º e replicado por meios de comunicação, o ocorrido não se deu dessa forma e que temos provas através de imagens não só das câmeras da própria instituição que estão ligadas e funcionando para garantia de nossa segurança e segurança do prédio, mas também de imagens realizadas pelos ocupantes da EMAC, mas que serão utilizadas somente se for necessária em casos de processos administrativos e/ou esclarecimentos diante a justiça. Diante de todas essas questões, gostaríamos de reafirmar que a ocupação da EMAC é pacífica e acolhedora, e tem as reuniões de assembleias como públicas com o intuito de que todos possam acompanhar e sugerir medidas em prol da ocupação. Todos os informes estão e são divulgados no nosso meio de comunicação oficial (perfil do facebook Emac Ocupa) e nos dispomos a esclarecimentos tanto pelo perfil quanto pelo email ([email protected]).
Para além disso, gostaríamos de convidar o professor, seus alunos e toda a comunidade acadêmica para proporem atividades públicas para a ocupação e também participarem das demais atividades da mesma, bem como as assembleias que são diárias e se juntar a nós na luta contra a PEC 241 (PEC 55/2016) que prejudicará a todos. Contamos com a compreensão de todos, e estamos à disposição para qualquer tipo de esclarecimentos. Cordialmente, OCUPA EMAC.