Roberta Rodrigues
Goiânia – A Estação Ferroviária de Goiânia, localizada no Setor Central, é um dos símbolos mais representativos da capital. Com 68 anos, o prédio construído no estilo art déco e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) faz parte da história da capital goiana, que completa 85 anos nesta quarta-feira (24/10).
Para o artista plástico Amaury Menezes, o trabalho de "resgate da memória" realizado na Estação será "um marco para a cidade". "Com a minha presença em Goiânia desde 1936, convivi com a intelectualidade da época, fui desenhista de vários arquitetos e digo que preservar esses patrimônios é manter viva a história da região", afirma.

Artista plástico Amaury Menezes (Foto: Esther Teles)
Um dos serviços que já foram realizados na Estação Ferroviária é o de pesquisa arqueológica, que tem como objetivo entender as mudanças ocorridas na vida do ser humano durante determinado período e reconstruir as fases históricas. Além disso, já foram realizados serviços de limpeza, demolições e remoções, recuperação de lajes, estruturas, paredes e rebocos.

(Foto: Iphan Goiás)

(Foto: Iphan Goiás)

(Foto: Letícia Coqueiro)
De acordo com a coordenadora técnica do Iphan em Goiás, Beatriz Otto, outros trabalhos já foram iniciados, como pinturas e restauração de painéis do Frei Confaloni. "Além disso, já temos o cronograma de outras atividades previstas. São as pavimentações externas, o paisagismo, restauração do relógio da torre, iluminação interna e externa, entre outras", destaca.

Restauração de painéis do Frei Confaloni (Foto: Construtora Biapó)

Restauração de painéis do Frei Confaloni (Foto: Iphan Goiás)
Sobre o uso da Estação Ferroviária após as obras, a coordenadora técnica do Iphan Goiás explica que será mantida a tradição anterior ao restauro: um posto de atendimento da Guarda Metropolitana de Goiânia e o uso do espaço pela banda municipal para armazenamento dos instrumentos e ensaios. Além disso, terá uma unidade do Atende Fácil da prefeitura e um Centro de Atendimento ao Turista (CAT). Haverá também espaço de cunho cultural e área de exposições artísticas.

Ccoordenadora técnica do Iphan Goiás, Beatriz Otto (Foto: reprodução/brazil.dutchculture)
“A intenção é mesclar atividades culturais com atividades de atendimento ao cidadão para, assim, ampliar o público que frequenta o local”, diz Beatriz Otto. “É importante que essa nova geração tenha acesso a esse local e entenda que seus avós chegaram em Goiânia pela estação férrea. Essas referências de identidade devem ser preservadas", acrescenta.
Para o historiador Wolney Unes, o uso do espaço será o grande diferencial para manter e preservar o restauro. “O grande problema do patrimônio edificado é o uso. A estação já foi restaurada antes, o problema foi a falta de uso. Tem que ter um uso intensivo. As pessoas têm que frequentar o local e se sentirem bem no espaço", defende.
A Estação Ferroviária de Goiânia, assim como outros prédios públicos construídos entre 1930 e 1950, acabaram inspirando construções futuras. Grande parte dos edifícios particulares no centro de Goiânia seguiu essa tendência art déco, que ainda hoje constitui maioria em algumas áreas dos setores Central e Campinas.

(Fotos: estacoesferroviárias.com)

Historiador Wolney Unes (Foto: A Redação – arquivo)
“O estilo [art déco] marca o nascimento da cidade”. É o que garante o historiador Wolney Unes. Para ele, o restauro da Estação Ferroviária "vai resgatar a memória de uma edificação que ligava Goiânia ao resto do mundo e que é símbolo do modernismo". "É um grande presente que o Iphan está dando para nossa capital", finaliza o historiador.