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Está faltando otimismo às pessoas

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03.10.2018 - 17:41:02

Goiânia – A crise econômica mexe com a vida de todo mundo. Quando ela perdura, insiste em não terminar, acaba afetando a todos. É como sem uma enorme sombra insistisse em pairar sobre nossas cabeças, a despeito de estarmos todo o tempo buscando a fresta do sol. A falta de boas notícias, o desemprego, o dinheiro curto, não promovem apenas ajustes nos nossos orçamentos, mas nas nossas vidas. É como se o povo brasileiro, reconhecido por seu espírito alegre, criativo e amistoso, tivesse passado por uma profunda transformação. Mas não podemos deixar que isso aconteça. Precisamos, todos os dias, buscar nas pequenas coisas, nos pequenos prazeres da vida o otimismo que existe dentro de todos nós.

O ditado de que é na crise que surgem as oportunidades certamente foi criado a partir da perspectiva que algumas pessoas têm em enxergar sempre o lado bom da vida. Se a gente analisar as coisas do ponto de vista histórico, sempre houve e sempre haverá motivos para se olhar para a vida com pessimismo ou com otimismo. No fundo, há muito mais razões para ver o lado bom e não se deixar contaminar por pessoas e pensamentos negativos. Essa forma de agir e pensar certamente diferencia pessoas e empresas na condução de suas histórias.
 
Em vez de esperar que as coisas aconteçam, eu prefiro esperançar, que tem o significado de almejar, sonhar, agir, fazer com que ao meu redor haja uma aura positiva, gente animada e disposta a olhar para o mundo de uma forma diferente. Do contrário, estaremos sempre produzindo uma onda de pessimismo que não nos levará a nada. No caso da economia, por exemplo, os especialistas sempre dizem que todo ciclo ruim, mesmo que pouco se faça para revertê-lo, em determinado momento atinge o ponto máximo e reinicia um movimento contrário, promovendo uma nova etapa de crescimento. É nisso que temos de nos apegar e acreditar.
 
O Brasil já passou por inúmeros momentos como estes e certamente já está reencontrando seu caminho. Quando em 1968 decidimos abrir a DPZ Propaganda, por exemplo, boa parte das pessoas à nossa volta desaconselharam. Afinal, vivíamos em meio ao regime militar, sob censura, pouco antes tinha ocorrido a reforma monetária com a criação de uma moeda nova e a economia estava em crise. Mergulhamos no trabalho, buscamos por meio de nossa criatividade e ousadia definir os caminhos de uma nova forma de fazer propaganda, a propaganda brasileira. Creio que nossa ousadia conquistou as pessoas, irradiou o nosso otimismo e nos permitiu crescer de forma sem precedentes no mercado.
 
É nisso que acredito. As pessoas precisam passar a confiar mais em seus potenciais, desengavetar projetos, pensar que sempre haverá espaço para as ideias. O Brasil oferece muitas oportunidades, há muita coisa a ser feita. Se em determinadas áreas a tecnologia está produzindo transformações, vamos olhar pelo lado positivo, que chances de negócios essas mudanças podem trazer?, como é possível se adaptar e surfar no novo momento? As respostas estão no quão otimista você consegue ser. O País precisa muito disso, de otimismo.
 
O poder transformador está na forma de ver as coisas. Quando se tem momentos de crise que perduram, o comportamento médio das pessoas muda, o humor desaparece, as pessoas sorriem pouco, são menos gentis. A agressividade, a disputa, a falta de bom senso, se acentuam. Por isso é preciso agir com maior tolerância, com ânimo, procurar entender o momento de cada um e tentar mostrar, de alguma forma, que com otimismo as coisas podem sempre serem vistas por outro ângulo.  
 

*Roberto Duailibi é publicitário e membro da Academia Paulista de Letras

 
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por Roberto Duailibi

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