Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Uma vida simples, de dedicação ao próximo, socorrendo os carentes. Assim foi a rotina que moldou a trajetória de Maria de Nazaré, que desde jovem começou a trabalhar para ajudar sua mãe, viúva, no sustento da casa. Órfã de pai aos 13 anos, passou a trabalhar na limpeza do templo, logo atraiu os humildes em busca de apoio moral e material, que atendia nas escadarias da igreja. Ficou grávida aos 17 anos, acompanhou de longe a caminhada do filho na missão evangelizadora, sofreu intensamente com o sacrifício dele e manteve, ao longo de sua vida, de 92 anos, o trabalho de apoio à população desassistida.
O relato é do escritor Raimundo Aguiar ao apresentar, na sessão de estudos de sábado, dia 5, da Academia Espírita de Letras de Goiás, o Capítulo XXXIV do livro “A Sublime Maria de Nazaré”, da escritora Mércia Aguiar, sobre a vida e a presença terrena da mãe de Jesus Cristo. Os estudos começaram em julho de 2024 e ilustraram as discussões nesse período, devendo ser concluídos na sessão de outubro pela autora.
“Esta obra emana o mais puro perfume de amor de Mãe, recordando a Sublime Maria de Nazaré, do sábio e valoroso José, do seu inigualável filho Jesus, o nosso Governador Espiritual – o espírito mais perfeito que um dia chegou ao plano terrestre, através da lei áurea da reencarnação, para trazer o seu Evangelho de amor, libertando todas as mentes, todas as consciências, ainda prisioneiras das trevas, pela predominância dos males e vícios em si”, afirmou
Já cansada
O penúltimo capítulo da obra, conforme o expositor, “nos mostra uma Maria de Nazaré já muito cansada. O seu corpo físico, sempre fiel, sempre leal, agora pede descanso. Já não atendia mais as suas rogativas. A idade avançada, juiz implacável que é, cobrava o seu tributo. Entretanto, a determinação de Maria de Nazaré, a sua força interior, coragem de mente e coração, falava mais alto. Tomada de emoção, não se entregava, buscando forças, admirando a beleza da mãe natureza, as flores, os animais, enfim, toda a criação do Pai, o supremo arquiteto de todo o Universo. E Ela continuava a sua tarefa de amar e servir”.
“Anoitece. Aquela mulher que exalava humildades, bondade e o mais puro amor, busca o seu leito para um merecido e necessário descanso físico. Em seu leito simples, sonhava acordada com o filho amado, que lhe foi violentamente arrancado da vida – preso, torturado e executado na cruz somente porque pregava o Amor, o perdão das ofensas, cura dos doentes do corpo e da alma, e ensinava para toda a humanidade o caminho para se chegar ao Pai”, afirmou.
Lembrava de sua infância, “da sua beleza, dos seus lindos cabelos mesclados de dourados iluminados pela luz do luar, do seu amor e coração puro, que não foi compreendido, das suas sábias palavras:
– Eu sou a Luz do Mundo. Quem me segue não andará em treva, mas terá a luz da vida!”.
“Assim, sonhando acordada, com o coração clamando de saudades, adormeceu”, escreveu.
Longe dali – relatou – o apóstolo Paulo de Tarso organizava seus compromissos em Antióquia para viajar até Éfeso, atendendo o convite do apóstolo João para levar sua prédica aos efésios. “Também muito desejava visitar Maria Santíssima, a Mãe de Jesus”.
Lembranças
Assim, partiu para Éfeso.
“O grande dia chegou. Lá estava a casinha singela no alto do promontório, com vistas para o mar, e que guardava em seu interior um diamante de pureza sem igual, em forma de uma Santa Mulher, chamada pelo povo de ‘Mãe Santíssima’, que com alegria recebeu Paulo”.
O apóstolo, envolto em grande emoção, admirou a humildade daquela Mãe “tão sofrida, que mais se assemelhava a um anjo vestido de mulher”. Muito conversaram sobre os ensinamentos de Jesus. Paulo disse do desejo de elaborar um Evangelho de Cristo, com base nas lembranças de mãe.
Passou alguns dias em Éfeso, sempre dialogando. Chegada a hora de partir, Paulo, “tristonho, altamente agradecido, despediu-se com o coração tomado de felicidade, emoção e gratidão por ter tido a grande oportunidade de conviver, mesmo que por alguns dias, com a mãe de seu Mestre e Salvador”.
Apoio aos necessitados
“Os dias correm céleres. Maria Santíssima sentia que o seu tempo na terra estava se esgotando. Aproximava a hora de reencontrar os seus amados, José e Jesus. Seu corpo dava sinais dessa realidade. Com o espírito sereno e calmo agradecia e com muita fé deixava a decisão nas mãos de Deus, o Senhor da vida”, anotou.
Ela continuou atendendo os necessitados de toda ordem. Com muita fé, colocava as mãos em suas cabeças, orava fervorosamente, rogando ao seu filho Jesus e a Deus Pai a cura para aquele irmão e irmã necessitados.
“As notícias sobre os feitos de Mãe Santíssima em Éfeso chegavam a várias partes do mundo. Os fiéis necessitados aumentavam dia a dia, rogando curas, preces, palavras de consolo, o pão para alimentar o corpo e o espírito”. “As almas cristãs devotadas formavam grande aglomeração à espera das eloquentes falas sobre Jesus e o seu reino. Assim, Maria Santíssima, incansável, continuava a trabalhar e servir em nome de seu filho maior, Jesus”, concluiu.
