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Espetáculo (Foto: Guto Muniz)

Espetáculo “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco” chega aos palcos de Anápolis

Apresentações ocorrem nos dias 24, 25 e 26 de abril

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16.04.2026 - 20:07:58

A Redação

Goiânia – Após impactar o público em sua estreia em Goiânia, em 2024, o espetáculo “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco” volta aos palcos do nosso estado em uma nova temporada. Depois de ser apresentado em Ouvidor e Goiânia, o trabalho chega ao Teatro Municipal de Anápolis nos dias 24, 25 e 26 de abril.

As apresentações reforçam o diálogo entre arte, território e memória coletiva. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados pla internet. Informações detalhadas também estão disponíveis no Instagram.. O projeto foi contemplado pelo edital de Fomento ao Teatro (11/2024) e pelo edital de Fomento à Manutenção continuada de grupos e companhias artísticas (16/2024) da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), viabilizados pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo de Goiás.

Enredo íntimo e ao mesmo tempo universal

A dramaturgia parte de um enredo íntimo e ao mesmo tempo universal: em meio a um dia de festa, um homem comum, após um embate simbólico com Deus, revisita sua trajetória e se confronta com perguntas sobre destino, responsabilidade e tragédia. Entre a zona rural e a cidade, a obra constrói uma dramaturgia que atravessa o Brasil, tensionando os efeitos da pandemia e os embates de uma sociedade marcada pela polarização.

Inspirado em referências como Darcy Ribeiro, tradições ancestrais negras e indígenas e manifestações populares como a Folia de Reis, o espetáculo entrelaça elementos documentais e simbólicos. Cruzes fincadas na terra, números que evocam perdas de uma pandemia que ainda marca o mundo contemporâneo, e a presença da natureza — como a gueroba (guariroba), palmeira do Cerrado altamente resistente ao fogo, que rebrota com as chuvas — são elementos que compõem uma narrativa visual e sensorial sobre vida, morte e permanência.

Teatro como encruzilhada de sentidos
Com direção de Hercules Morais, a obra mantém a potência estética e política já destacada em sua estreia, quando foi apresentada como uma experiência que “chacoalha o espírito” e convoca o público a refletir sobre o tempo presente. A encenação investe em uma linguagem imagética intensa, na qual corpo, som e matéria orgânica se tornam dispositivos de pensamento.

A pesquisa do coletivo Teatro Gueroba dialoga com diferentes tradições — da tragédia clássica à performance contemporânea — e constrói uma cena que desafia convenções, propondo uma experiência que ultrapassa a narrativa linear e aposta na sensorialidade como caminho de compreensão.

Sobre o espetáculo e a nova circulação, o diretor destaca o caráter vivo e transformador da obra: “‘Republikkk” nasce desse desejo de tornar visível aquilo que muitas vezes permanece invisível em nós e no país. Eu propus a esse coletivo uma imersão radical, como uma travessia coletiva pelos territórios do cerrado goiano, e durante meses toda a equipe viveu junta em casas rurais, roças e pequenos povoados, partilhando o cotidiano, ouvindo histórias e atravessando festas populares, cemitérios antigos, terreiros e saberes ancestrais. Mas o processo segue, a cada apresentação, a cada cidade, quando o espetáculo se reinventa como uma encruzilhada de memórias, onde o público é convidado a olhar para o que vivemos, para o que perdemos e, sobretudo, para o que ainda pode florescer. A obra, para mim, nasce justamente nesse lugar de encontro: quando a cena termina, mas o pensamento continua. O entre, um e o outro… E o invisível que se tece nesse espaço de complementaridade e compartilhamento.”, comenta Hercules.

Circulação amplia alcance da obra
Nesta nova temporada, o espetáculo amplia seu alcance e se aproxima de diferentes públicos, ocupando espaços acadêmicos e equipamentos culturais em três cidades. A circulação acontece após a participação do trabalho na MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, onde foi apresentado com expressiva recepção de público e crítica, consolidando sua relevância no cenário contemporâneo das artes cênicas brasileiras.

A circulação por Ouvidor, Goiânia e Anápolis reforça o compromisso do grupo com a descentralização cultural e com o diálogo direto com comunidades diversas, mantendo viva a proposta de pensar o Brasil a partir de seus múltiplos territórios.

Crítica especializada
A força estética de Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco também tem sido destacada pela crítica especializada, que aponta a visualidade da obra como um dos seus principais vetores de sentido. Em análise sobre o espetáculo, o pesquisador e crítico Bob Sousa observa que a encenação constrói “um campo de forças onde matéria, corpo e memória disputam sentidos”, transformando o palco em um território simbólico de alta densidade, no qual elementos como a árvore seca, o feno e as cruzes não apenas ilustram, mas corporificam o luto coletivo e as tensões do país. Para ele, a obra propõe uma experiência sensorial que recusa leituras simplificadoras e aposta na potência das imagens para provocar o espectador, instaurando uma visualidade que “incomoda, insiste e reverbera” diante de um Brasil em constante disputa e reinvenção.

Bob Sousa é fotógrafo, pesquisador e doutorando em Artes Cênicas, além de jurado de Teatro da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes – e de Artes Visuais do Prêmio Arcanjo de Cultura. Bob também é autor do livro Retratos do teatro (Editora Unesp).

Sinopse
Em um dia de festa, um homem comum, após brigar com Deus, revê a própria história e se pergunta como poderia ter evitado uma tragédia. Entre a roça e a cidade, a obra investiga a resposta à pandemia e a reatividade de uma política polarizada. Vida e morte, tempo e esperança atravessam uma dramaturgia sobre um Brasil multiforme e o risco de extinção do Cerrado.

Alerta de conteúdo sensível
Referências a luto e menções à pandemia. Uso de fumaça e material orgânico em cena (possíveis alérgenos). Trilha sonora com frequências graves e interação com o público.

Serviço: Coletivo Gueroba apresenta “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco”
Classificação: 14 anos
Teatro Municipal de Anápolis, Av. Brasil Sul, 200 – Centro
24/4 – às 19h
25/4 – às 16h e 19h
26/4 – às 20h

A sessão do dia 26/04 (domingo) conta com Interpretação em Libras.
Ingressos gratuitos

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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