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Esperando coerência do poder público

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08.07.2020 - 10:45:32
 
O mercado imobiliário de Goiás foi surpreendido com o decreto do Governo do Estado e da Prefeitura de Goiânia determinando a paralisação das atividades a cada 14 dias. Para obras da construção civil, essa medida não funciona e não é tecnicamente viável. Toda obra exige continuidade, pois é completamente estratégica e sequencial. Assim como outros setores também possuem suas particularidades.
 
No entanto, o maior questionamento que fazemos agora é porque apenas obras públicas podem continuar funcionando? No final do mês de junho, a obra da Avenida Leste-Oeste foi interditada por auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho em Goiás (SRTb-GO) porque os profissionais não tinham segurança para trabalhar, nem ações preventivas e espaços adequados para evitar contaminação pela Covid-19.
 
Nas obras da iniciativa privada, os investimentos na saúde do trabalhador são grandes e, neste momento de pandemia, eles cresceram. De consultório médico nas obras, transporte para os funcionários, ambientes salubres e higienizados para garantir a segurança de todos, ao cumprimento de um rigoroso protocolo de saúde que prevê ainda orientações, medições de temperatura, espaços para higiene pessoal, álcool em gel por toda obra, cabines de desinfecção e acompanhamento do cumprimento das medidas in loco.
 
Agora, com as obras paralisadas por 14 dias, os operários passarão a fazer bicos, o que aumentaria o risco de contaminação de Covid-19 para eles e para toda a população.  Porém, enquanto trabalham nas nossas obras, ficam em ambientes seguros e higienizados. Ressalto ainda que os trabalhadores não fazem uso do transporte coletivo, onde está hoje o maior foco de contaminação da Covid-19, ao lado dos hospitais. Eles utilizam carro, moto e transporte disponibilizado pelas próprias construtoras.
 
As empresas do mercado imobiliário goiano desenvolvem um trabalho sério, são exemplo para outros estados. O que queremos é manter os mais de 17 mil empregos e o andamento programado de suas obras. As incorporadoras e construtoras têm prazo para entrega dos seus empreendimentos. Temos clientes aguardando, com contratos assinados, e data certa para entrega de suas moradias. Tem financiamentos bancários para receber, que dependem de medições, ou seja, parcelas da obra a serem executadas. E as famílias que estão esperando as suas unidades, como ficarão com esse atraso? E a grande cadeia produtiva da construção, que será penalizada? O mercado imobiliário goiano e toda a cadeia da construção precisam desta retomada das obras para gerar renda, emprego e tributos para toda a população.
 
Nosso segmento não foi contemplado com redução ou prorrogação de impostos, não tivemos Refis ou nenhuma iniciativa para ajudar a iniciativa privada. Estamos nessa luta com nossas próprias forças, na tentativa de manter nosso trabalho e o sustento da família de mais de 17 mil trabalhadores que atuam hoje nos canteiros de obras apenas em Goiânia.
 
O que o poder público precisa, neste momento, é assumir sua responsabilidade pelo controle epidemiológico, é testar mais a população para separar quem está contaminado, e iniciar, nos primeiros sintomas, o tratamento, como várias cidades e estados já estão fazendo e, assim, conseguindo esvaziar as suas UTIs e mudando a curva da doença. As construtoras e incorporadoras de Goiânia estão fazendo a sua parte.
 
*Roberto Elias é empresário e presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO)
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por Roberto Elias

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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