Caroline Louise
São Paulo – A escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, foi considerada acertada por Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia e especialista em pesquisas qualitativas e quantitativas, durante entrevista ao jornal A Redação nesta segunda-feira (30/3). O anúncio oficial foi feito pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, ao lado do governador, em São Paulo, após articulação interna que consolidou o nome do goiano na disputa.
Para Dorgan, a definição por Caiado apresenta vantagens estratégicas dentro do cenário político atual. “Então, a escolha do Ronaldo Caiado, nesse momento, é uma escolha que me parece acertada”, afirmou. Segundo ele, ao contrário de Eduardo Leite, que concentra votos no centro, Caiado tem maior potencial de crescimento em segmentos específicos do eleitorado. “O Eduardo Leite concentra o voto no eleitor de centro, que varia de 10 a 15% e é decisivo no segundo turno, mas não ganha eleição por si”, explicou.

Já Caiado, segundo o analista, enfrenta dificuldades para avançar sobre o eleitorado de centro-esquerda, mas pode crescer entre eleitores da direita. “Ele dificilmente consegue tirar votos do Lula, embora, na minha opinião, ele seja o candidato mais fácil de tirar votos de quem aprova o governo Lula, mas avalia como regular”, pontuou. Por outro lado, Dorgan destaca que o goiano pode disputar espaço com nomes ligados ao bolsonarismo: “O Caiado tem um pouco mais de dificuldade, por exemplo, do que o Ratinho, de tirar votos do Lula diretamente, porém, do Flávio Bolsonaro, o Caiado está muito mais posicionado na direita, ele tem um perfil liberal, de um político que sempre esteve no corredor da direita, então ele tem uma grande chance, principalmente na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, de tirar votos de quem está optando por Flávio, mesmo não estando totalmente à vontade em escolher Flávio. Uma coisa é o bolsonarismo raiz, que gira em torno de 15%, 20%, depende do lugar; outra coisa é o eleitor que está optando. O Flávio está chegando ali a 40%, quase, na maioria das pesquisas está com votos de 40%; tem uns 20% desse eleitor ali que não está à vontade, ele está muito mais contra Lula, ou colocado ali forçadamente na polarização (…) o Caiado pode subir muito nesse eleitor, ele é uma opção muito mais acertada, e o Eduardo Leite teria muita dificuldade nesse setor”, comentou.
O especialista também alertou para o tom do discurso político. “O Caiado tem que tomar muito cuidado na radicalização do discurso de extrema-direita, porque esse corredor já é totalmente ocupado pelo Flávio”, afirmou, ao defender uma postura mais equilibrada: “Ele tem que também se colocar, em vários momentos, mais centralizado, preocupado em discutir as questões nacionais”.
Outro desafio apontado por Dorgan é o nível de conhecimento do eleitorado sobre o nome de Caiado fora de Goiás. “O grande desafio dele é se tornar conhecido. Ele ainda é bem desconhecido fora do eixo de Goiás e de eleitores mais informados”, avaliou. Para o cientista político, será necessário investimento em comunicação. “Ele vai ter que viralizar e se tornar mais conhecido num curto espaço”.
Ao final, Dorgan resumiu o cenário como promissor, mas desafiador. “Então ele tem um espaço, sim, é uma opção interessante, acertada (…) do ponto de vista de comunicação, ele está muito atrasado ainda, então ele teria que ter um apelo de rede social e não uma marqueteiragem clássica, ele tem que tomar muito cuidado com isso, não se faz mais campanha como se fazia em 2008, 2010, 2014, aquela coisa da televisão. A questão é, vai dar tempo dele ser conhecido? Esse é o grande desafio”, finalizou.
