A Redação
Goiânia – O escritor Adalberto de Queiroz lança em Goiânia nesta terça-feira (14/9) dois livros, "Os Fios da Escrita: ensaios literários" e a segunda edição de "Cadernos de Sizenando: poemas" pela editora goiana Contato Comunicação. O evento será fechado para convidados e acontecerá no Maktüb Espaço & Buffet, que fica na Rua 83, número 205, no Setor Sul, às 19 horas, sob rigorosas medidas de prevenção ao Covid-19.
A publicação com ensaios literários de Adalberto de Queiroz tem a marca da editora baiana Mondrongo, de Itabuna, por onde o escritor goiano também viu editado o livro "O Rio Incontornável" no ano de 2017. Algumas opiniões já circulam pela internet sobre o livro de ensaios de Adalberto, entre as quais destacam-se as avaliações do escritor Miguel Jorge, membro da Academia Goiana de Letras e do professor aposentado da Unesp, José Carlos Zamboni, que é crítico literário de grande experiência, além do paratexto do poeta Wladimir Saldanha que está na contracapa do livro de ensaios de Queiroz.
Do escritor e membro da AGL Miguel Jorge:
"É preciso reconhecer que Adalberto Queiroz, nosso escritor-filósofo, é articulista de méritos, teórico importante e que, agora, impulsionado pela assimilação estrutural da crítica, tornou-se de vital importância para o mundo literário de Goiás e do Brasil.
E, na continuidade do processamento teórico-prático, racional e consciente, construiu um processamento crítico de vários textos que ultrapassaram barreiras para constituir seu próprio pensamento incorporado ao corpo total da obra, muitas vezes de cunho religioso.Sua manifestação de leitor-atento-observador se faz com a associação de vários elementos de determinação histórica e filosófica; implica-se aí, em acreditar desde logo no valor da poesia em confronto com as anormalidades de um mundo caótico e nas estruturas modificadas da prosa, principalmente do romance.
Além disso, poeta, Adalberto anda em círculos com a tensão entre a realidade dos versos e a realidade de um grande mundo, cuidando de, deliberadamente, fazer o ressurgimento de excelentes nomes que de há muito sustentam o ser-se – poesia, como entidades ativas, acessíveis à nossa 'intuição intelectual'.
O foco provocativo de Adalberto, tal como concebeu sua visão crítica, fundamenta-se nas teorias modernas impregnadas de pensamentos voltados para a religião judaica cristã".
Do escritor e professor aposentado da UNESP, dr. José Carlos Zamboni:
"A crítica literária de inspiração católica — e universalista em sua aplicação — parecia coisa desaparecida na literatura brasileira, e eis que surgiu, não faz muito tempo, Os fios da escrita, uma coletânea de ensaios literários do escritor e poeta goiano Adalberto de Queiroz.
O autor insere-se na tradição brasileira do ensaio jornalístico: os textos, que compõem o livro, foram escritos para o goiano Jornal Opção, e pensados para o leitor que gosta de literatura, mas sem formação especializada, livres das amarras terminológicas e das firulas mentais que a crítica acadêmica, dita pós-moderna, introduziu entre nós.
A maneira de construir o texto ensaístico, adotada por Adalberto de Queiroz, pressupõe o livre jogo das ideias, conceito que atrai conceito, não por um associacionismo caótico, mas obediente a uma sutil costura de quem sabe o que quer em literatura e o que se deve esperar das grandes obras literárias. O resultado é uma escrita leve, que não cansa o leitor comum.
Adalberto de Queiroz sabe quais são os nossos bons críticos literários do passado — cita Carpeaux, Augusto Meyer, Álvaro Lins, Franklin de Oliveira, entre outros — e, com humildade, deles se aproxima com o ouvido do discípulo disposto a aprender e a levar adiante uma tradição interrompida pela especialização acadêmica, responsável por textos no mais das vezes engessados, sem a fluidez e flexibilidade nas quais eram mestres os nomes mencionados, que fizeram dos jornais e das revistas populares os seus veículos principais".
Do poeta e crítico Wladimir Saldanha:
"A análise de Adalberto de Queiroz recorre a aproximações inusitadas e, por vezes, deixa em aberto indagações a seu leitor. Atento à produção literária contemporânea, não descuida do cânone nem de aporte teóricos, quando preciso; mas seu texto é sobretudo convivial e dialogável, como, aliás, sua própria personalidade.
Ao chamar este livro de 'Os fios da escrita', convida-nos a um sentido artesanal do fazer literário, hoje raro merecedor de atenção crítica. E tanto sua metáfora se organiza em tecelagem, compondo de livres associações seu texto e livro, quanto faz o movimento oposto, puxando o fio condutor das obras sobre as quais se debruça. Tudo comporta este gênero fascinante chamado ensaio, a que Adalberto de Queiroz agora soma sua tão fraterna contribuição".
Sobre a bem cuidada reedição dos “Cadernos de Sizenando”, escreveu o editor e membro da AGL, Iuri Godinho:
"Muitos anos atrás — pelo menos foi o que me pareceu — li a primeira edição do Cadernos. Nele vi um poeta desesperado, angustiado, com poemas fortes, sem se preocupar com versos, rimas. Uma escrita livre, desamarrada da forma, ancorada no
sentimento.
Conhecendo de perto o Adalberto entendi que aqueles poemas dilacerantes vieram de sua experiência. Ele é Sizenando. Relendo os Cadernos para esta segunda edição percebi mais coisas que ficavam, digamos, sob a superfície do livro.
Em primeiro lugar, o conteúdo. Notei como os poemas saem da angústia para o enfrentamento da realidade. Como se o Sizenando amadurecesse e entregasse o peito para o combate com a existência. Sizenando é um sobrevivente existencialista. Um
pragmático do cotidiano.
Depois a forma. Adalberto me contou que quando publicou o Cadernos em 2014 achava que sua vida acabara. Ele ia morrer, pronto e fim. Simples assim. Então, juntou tudo que escrevera e publicou. Tinha prosa com poesia, o que merece outro livro. Foi um tempo longínquo em termos de tecnologia, embora apenas sete anos tenham se passado. Os blogs estavam na moda pelos labirintos da internet. A primeira edição contou com textos do blog de Adalberto. Todos bem escritos, mas tiravam a atenção e, mais importante, a força dos poemas.
Com a liberdade que o autor me deu, cortei a prosa, alinhei tudo à esquerda e transformei o Cadernos em um caderno. Era a chave que precisava para destravar a porta da sua poesia. Não vou analisar a obra.
Mas digo que se tivesse tirado todos os poemas e deixado só o 'É a Mãe', já valeria o livro. Por isso, a edição é revista pelo autor (que mudou pouca coisa) e bastante repensada.
Aqui, meus amigos, é poesia na veia. Poderosa, rascante, imortal".