Marcos Araken e João Unes
Goiânia – A secretária estadual da Educação Cultura e Esportes, Raquel Teixeira, em entrevista exclusiva na sede do jornal A Redação, nesta quarta-feira (18/1), detalhou como serão realizados os instrumentos de controle, por parte da Seduce, nas escolas que serão administradas por organizações sociais (OSs) a partir deste ano. O projeto de gestão compartilhada, idealizado pelo governador Marconi Perillo, estará em funcionamento neste ano letivo em 23 unidades escolares de Anápolis.
A secretária afirmou ter sido criado na Secretaria um núcleo de acompanhamento, monitoramento e avaliação das OSs. Semanalmente, explicou, membros deste grupo de trabalho vão visitar as escolas para checar se os termos do contrato estão sendo cumpridos. “Nós temos instrumentos para medir eletronicamente e pessoas farão visitas presencialmente. A cada dois meses, vamos fazer uma avaliação do que mudou, do que avançou”, afirmou Raquel Teixeira.
De acordo com ela, a Seduce conta com um mecanismo criado, a partir de consultoria custeada pelo Banco Mundial, com parâmetros que serão utilizados nas checagens periódicas das escolas. “O que deve ser medido, como deve ser medido, as fórmulas de acompanhamento. Já foi montado, inclusive com consultoria gratuita do Banco Mundial, que é nosso parceiro”, revelou.
Raquel Teixeira classificou as metas estabelecidas em contratos como “explícitas”. “A OS, quando assina um contrato de trabalho, ela assina o compromisso de assumir determinadas metas na infraestrutura, no clima escolar, na qualidade da merenda, na proficiência dos alunos, na equidade. É bem explícito o que ela tem que atingir.”
Perguntada se havia como projetar para daqui dez anos a qualidade da Educação na rede estadual, a partir da gestão compartilhada, a secretária foi enfática. “Teremos melhor aprendizado, mais eficiência nos resultados acadêmicos, no clima da escola e na própria infraestrutura da escola. Estamos antecipando um maior desempenho nos resultados acadêmicos, maior satisfação dos professores do ambiente de trabalho. E, portanto, uma escola que seja o centro irradiador de conhecimento, do estímulo às ideias, ao pensamento, à inovação, à aprendizagem”, respondeu, ao citar a possibilidade, por exemplo, de a organização social contratar um professor ‘particular’ para os alunos com dificuldade em alguma disciplina.
“O que acontece hoje com uma família de nível socioeconômico melhor? O aluno está com dificuldade em matemática, o pai arranja um professor particular para recuperar aquela dificuldade para não ter problema na aprovação e para não acumular lacunas de conhecimento”, ressaltou. “Uma OS pode contratar um professor particular por pouco tempo de curta duração para fazer esse tipo de apoio para garantir que o aluno vá aprender melhor”.
A secretária reiterou, como em outras entrevistas sobre o assunto, a melhora na performance dos diretores das unidades escolares. Segundo ela, eles gastam a maior parte do tempo resolvendo questões operacionais, como reparos físicos ou compra de materiais, que serão solucionadas pela organização social. “99% do tempo de um diretor é isso. Correndo atrás da cobertura de uma quadra de esportes, do dinheiro para tirar a infiltração de uma parede, porque se deixar vai estragar o computador. O computador que estragou e que não consegue uma licitação para consertar, para melhorar. Ao tirar essas preocupações das costas do diretor, da diretora, eles vaão poder se dedicar àquilo que sabem fazer de melhor, que é a Educação, que é o objetivo pedagógico. Então, o diretor vai ter tempo para acompanhar os professores, para ver se a aula está legal, para saber o que o professor precisa de apoio, o que o aluno está precisando”, projetou. “A orientação pedagógica é da Secretaria, a formação de professores é da Secretaria, mas o resultado é de responsabilidade de OS, junto com o diretor de escola”, sublinhou Teixeira.
"Modelo goiano será tema de estudos do Banco Mundial", afirmou
Raquel Teixeira concedeu entrevista aos jornalistas João Unes e Marcos Araken (Foto: Renato Conde)
Neste início de ano, 23 escolas de Anápolis serão geridas pela organizaçao social Gestão, Transparência e Resgate Social (GTR). Na próxima semana, de acordo com a secretária, dois novos chamamentos serão publicados para selecionar OSs para Águas Lindas e Luziânia.