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14.12.2025 - 09:00:59

Numa curiosa e fascinante reportagem da Revista Super Interessante sobre o livro das mutações: “I Ching – o livro mais antigo do mundo” (out/2016), o comentário do teólogo José Queiroz, da PUC/SP abrange uma nova perspectiva para análise tolerante da relação entre filosofia oriental e metafísica: “Desponta um novo caminho da religião que, em muitos aspectos, se afasta dos moldes tradicionais”.

A linguagem hermética e enigmática do livro remete à combinação do sistema binário, que utiliza variáveis de dois dígitos, como 0 e 1, que no I Ching se referem às linhas par e ímpar dos opostos complementares: yin e yang. Mas não apenas isso, a pesquisa investiga estudos que coincidem com a similaridade entre os 64 hexagramas (combinações entre as linhas yin e yang do livro-oráculo) às combinações dos 64 códons, que sugere uma representação genológica paralela ao sistema familiar do código genético.

Os códons são sequências de três nucleotídeos (UAA, UAG e UGA) do RNAm, usados para codificar 20 aminoácidos essenciais e os sinais de início e perda da síntese proteica, sendo que 61 códons especificam aminoácidos e 3 são códons de parada.

Todos os seres vivos compartilham a mesma estrutura fundamental e uma grande porcentagem de genes, o que confirma um mesmo ancestral em comum. Ancestral este que, hipoteticamente, teria aterrissado na Terra através da poeira cósmica de meteoros, estrelas e cometas.

A série híbrida do artista multi-fragmentado, Morbeck, que ilustra o texto, manifesta a ideia da relação homem e natureza, já há muito sabido pelo mestre Leonardo Da Vinci. Na icônica imagem do Homem Vitruviano (c.1490), observamos a duplicidade dos braços, que se abrem em pares para os lados num entroncamento como galhos de uma árvore. Da mesma forma, as pernas, que se abrem e esticam para baixo como raízes, buscando o solo.

A intervenção da arte de Morbeck, que interage com o espaço-natureza, traz a reflexão desta relação acessível, democrática e modesta com o observador. O hibridismo orgânico das figuras ameniza a proximidade e a familiaridade com seu semelhante, sugerindo, a meu ver, os conselhos que o I Ching sinaliza: a natureza como guia, a escolha pelo caminho do bem como destino, o acolhimento dos galhos, dos braços ou dos laços genéticos, a manutenção dos pés enraizados e, em constante movimento, na terra.

Místico, mágico e milenar, o livro das mutações é um antigo manual ancestral que tem como registros os movimentos extraordinários das possíveis transformações e entroncamentos das escolhas de nossa vida.

 

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por Tatiana Potrich

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