Mônica Parreira e Adriana Marinelli
Goiânia – A liminar da Justiça de Goiás anulando o decreto municipal que prevê a reabertura de alguns setores da economia em Goiânia pegou a todos "de surpresa". Líderes de entidades que representam o comércio indicaram que pretendem recorrer da decisão.
Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi acredita que muitos comerciantes devem abrir as portas nesta segunda-feira (22/6), por não estarem sabendo da liminar que foi anunciada na última noite. Essa inclusive é uma orientação da própria Fecomércio. “Nossa recomendação é que o comércio funcione normalmente hoje. O que vale é o decreto do município”, pontuou.
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Baiocchi lamentou a decisão judicial, e a chamou de "surpresa muito ruim" que prejudica os empresários goianienses, que já estão prontos para funcionar seguindo protocolos de segurança. "Estamos cumprindo rigorosamente o que prevê o decreto de abertura. É uma interferência de poderes. Estão interferindo na capacidade de gestão do Executivo", completou.
Na mesma linha, o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, disse que a liminar causa estranheza e frustração. "Hoje vai ser um dia muito pesado. Ficamos a madrugada toda trabalhando nas estratégias judiciais. Estamos tomando todas as medidas para que a situação seja revertida", afirmou.
Fileti defende a retomada do comércio de acordo com as regras previstas no decreto municipal nº 1.187, de 19 de junho de 2020. “O que a gente quer é que a flexibilização seja feita com responsabilidade.”
Um dos segmentos que a decisão liminar afeta diretamente é o de shoppings, que estão fechados desde meados de março. O decreto assinado pelo prefeito Iris Rezende autorizava a retomada a partir desta segunda-feira (22). "Investimos em medidas sanitárias e conversamos com a prefeitura. Quando recebemos o decreto do prefeito, foi muita alegria. Ontem, a liminar, nos deixou muito surpresos", disse o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Fernando Maia.
O representante da associação afirmou que lojistas estão revoltados com a decisão, já que investiram para seguir os protocolos de segurança e agora a decisão judicial traz mais incertezas. "Esperamos que o bom senso prevaleça."
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Goiânia, que ainda não se pronunciou nesta segunda-feira sobre o caso. Na noite de domingo, uma nota confirmou que Procuradoria-Geral do Município foi notificada da liminar, e que "eventuais medidas administrativas e judiciais serão estudadas e discutidas junto ao Chefe do Poder Executivo para definição das providências".