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Entendendo o Brasil

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10.01.2012 - 11:34:53

Ontem, na minha viagem familiar de férias na Paraíba (já escrevi esses dois textos aqui e aqui sobre isso no A Redação), saímos de João Pessoa e andamos mais de 400 quilômetros em direção ao Oeste. Chegamos na região do Sertão Paraibano, ao município de Sousa. Nossa intenção aqui é conhecer o Vale dos Dinossauros, uma região que guarda marcas de tempos remotos e é considerado um dos principais sítios paleontológicos do mundo. Vou falar mais sobre isso depois, agora quero refletir sobre a grandiosidade do Brasil.

A real é que só entende realmente nosso País quem pega um carro e cai na estrada. Viajar de avião é cômodo, rápido e confortável. Mas é impessoal, sem verdade. Costumo dizer que conhecer o aeroporto de um local não é conhecer o local real. Se assim fosse, imagine só o que seria de Goiânia… Quem viaja de carro percebe as diferenças ao longo do caminho e coloca em perspectiva aquilo que vê com o seu repertório pessoal.

As diferenças de vegetação com aquela que nos habituamos são claras. Por exemplo, o seco da Paraíba e muito distinto do seco de Goiás. E isso provoca alterações significativas ao olhar. O relevo aqui é mais acidentado e o seco é causado pela escassez de água. Já o nosso seco tem mais a ver com a acidez do solo e altera as plantas que ali nascem sob esse viés. Além de ser bem mais plano. Por isso que cerrado é cerrado e caatinga é caatinga.

Outra diferença que salta aos olhos são as construções humanas. E também a forma como vamos definindo aquilo que vemos. A cada cidade que passávamos, observávamos os detalhes e íamos criando definições. Tipo: “Essa cidade é como uma Itumbiara mais pobre”, “Aqui é uma Uruaçu com mais movimento” ou “Uma Alexânia sem Brasília”. Ou seja, aquilo que conhecemos a fundo, no nosso caso Goiás, é sempre confrontado com o que vemos de novo. O paradigma sempre é posto em cheque.

E não só as diferenças que causam impacto. As semelhanças também impressionam. Por exemplo, a afabilidade do povo do interior paraibano é exatamente a mesma do povo do interior goiano. Nos perdemos uma hora por que o maldito GPS não reconhecia a rota e paramos para pedir informações. O pessoal do posto de gasolina quase nos pegou no colo e levou de volta ao caminho certo. Em outro momento, paramos para esquentar a papinha do bebê e o staff de assistência para nos ajudar era maior do que a equipe da Madonna em um show da estrela gringa. A vontade de servir bem o desconhecido é ponto de encontro de nossas personalidades.

E tudo isso só podemos perceber se pegamos o carro e caímos na estrada. Viajando pelos ares, todos esses pontos passam batidos com a voz da aeromoça sexy ficando mais bonita. Com o pé sujo de poeira da estrada, esse mundo se abre aos olhos de maneira encantadora.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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