Carolina Pessoni
Goiânia – A eleição de Joe Biden como o novo presidente dos Estados Unidos foi em uma votação apertada e uma apuração cheia de reviravoltas. Por várias vezes, o republicano Donald Trump esteve à frente na contagem dos votos no colégio eleitoral, mas o sprint final e os votos em estados chaves, como Michigan, trouxeram de volta um democrata para a liderança da chamada "maior democracia do mundo".
Para o advogado especialista em imigração para os Estados Unidos, Witer DeSiqueira, embora o apoio do presidente Jair Bolsonaro sempre tenha sido abertamente a Donald Trump, a eleição de Biden pode trazer benefícios ao Brasil. "A vitória de Biden pode deixar a relação entre os dois um pouco tensa, porque Trump apoiava Bolsonaro e vice-versa. Entretanto, a ligação entre Brasil e Estados Unidos está muito maior do que antes. Temos um acordo internacional de livre comércio e mais facilidades nos portos de Estado para Estado, e não de presidente para presidente. Então, pode haver uma tensão no começo, mas o Brasil sai ganhando com Biden", diz.
O especialista ainda avalia que o comércio exterior e as relações dos Estados Unidos com outros países deverão ser "muito melhores". Witer explica que isso se deve ao fato de que Biden não é "extremista como Trump". "Ele nunca foi a favor de entrar em conflito com nações como China, Alemanha, México ou Canadá. Os democratas são a favor de negociações. Então, as relações para o comércio exterior vão melhorar. Essa é a primeira vantagem", opina.
Para a população norte-americana, a primeira mudança com presença de Joe Biden na presidência deverá ser um comércio sem a mão do governo. "Embora seja acusado de ser socialista, o partido Democrata não é a favor do governo dominar o que a população faz. Essa é a maneira como Trump tem agido até agora, que é colocar a sua mão em diversas esferas, como economia, tratados internacionais, entre outro", explica o advogado.
Uma das questões que permearam as eleições norte-americanas foi a dos imigrantes. Biden prometeu, em vários dos seus discursos, que nos primeiros 100 dias à frente do País assinaria uma Ordem Executiva (norma semelhante às Medidas Provisórias do Brasil) que viabilizaria o caminho da legalização para quase 12 milhões de imigrantes que estão nos Estados Unidos.

O advogado especialista em imigração para os Estados Unidos Witer DeSiqueira analisa que Joe Biden irá facilitar a vida do imigrante ilegal (Foto: Divulgação)
"Pessoas que estão ilegais há muito tempo terão uma oportunidade. Porém, não pensemos que é uma porteira aberta e que todo mundo que está nos Estados Unidos vai se legalizar. Será preciso preencher uma série de critérios, como estar com os impostos em dia e não ter ficha criminal. Deve ser criado um novo visto para quem já está no país, o que vai levar à residência e, posteriormente, à naturalização. Biden acena para a facilitação para estas pessoas, até porque sua vice, Kamala Harris, é filha de dois imigrantes e conhece muito bem a realidade desta comunidade em solo norte-americano", analisa Witer.
Eleições judicializadas
Antes mesmo do fim da apuração dos votos, os advogados de Donald Trump anunciaram que entraram com ações no estado da Pensilvânia, alegando ilegalidade da contagem dos votos feitos pelo correio e pedindo a suspensão da contagem de votos neste Estado e também na Geórgia e Michigan. Além disso, o presidente reivindicou a recontagem de votos em Wisconsin. Essa judicialização pode atrasar o resultado oficial das eleições nos Estados Unidos.
"Trump vai recorrer, mas muito provavelmente vai perder, porque a votação pelo correio, por exemplo, é uma prática permitida desde que os Estados Unidos são considerados uma nação. Esse processo pode levar em torno de dois meses, e enquanto isso não é definido, quem é o futuro presidente, ficamos todos aguardando", finaliza Witer.