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Ensino híbrido como legado para o pós-pandemia

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16.09.2020 - 14:02:00

De uma hora para a outra, professores tiveram que replanejar as rotinas de suas aulas, relacionando-se remotamente com os estudantes. Difícil encontrar ocasião em que o segmento da educação precisou aprender tanto e em tão pouco tempo.
 
Na base de quase todas as aprendizagens que a COVID-19 nos impôs, aparece com protagonismo o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Ao longo das duas últimas décadas, esse tema, ainda que cada vez mais presente na vida em sociedade, recebeu resistências de muitos professores e gestores, tanto pelo fato de ser difícil a apropriação de tais recursos, quanto por ser oneroso para as escolas disponibilizar parques tecnológicos permanentemente atualizados.  A pandemia, contudo, não deixou escolha: se práticas de ensino remoto não fossem implementadas como alternativa às aulas presenciais suspensas, a função social de escolas e universidades deixaria de acontecer durante tempo indeterminado.
 
A necessidade de isolamento social, contudo, repercutiu de maneiras distintas nas redes pública e privada, acabando por sublinhar ainda mais as desigualdades sociais em nosso país. Dispor de computador e internet para a realização de estudos é uma realidade para poucos estudantes brasileiros.  Na rede privada, a infraestrutura de acesso dos estudantes ao ensino remoto não foi propriamente uma barreira a vencer. Ao contrário: escolas com recursos tecnológicos deficitários puderam se beneficiar do acesso das famílias à internet e aos seus próprios computadores, retirando das instituições de ensino a responsabilidade por eventuais sobrecargas às suas redes de dados. Isso significou certa "igualdade de condições" entre as escolas privadas.
 
Descobrimos na prática do isolamento social que é possível deixar a leitura de textos e as listas de exercícios para fora do tempo da presencialidade coletiva. E mais: que as tecnologias educacionais se mostram eficientes para apoiar tarefas repetitivas dos professores. Boas escolas serão mais facilmente reconhecidas após a pandemia, não mais pela estrutura física ou pelo parque tecnológico de que dispõem, mas pela forma como integrarão as novas tecnologias, garantindo a melhor efetividade dos momentos presenciais. O ensino híbrido agora nos possibilita a reinvenção da sala de aula.

*Mônica Timm de Carvalho é CEO do Elefante Letrado

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por Mônica Timm De Carvalho

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