José Cácio Júnior
Atualizada às 20h21
Críticas sobre a forma de conduzir os partidos e reclamação sobre falta de espaço. Este foi um resumo da reunião do PSD nesta segunda-feira (12/9). Os principais integrantes da legenda em Goiás aproveitaram o espaço para expor as dificuldades que passaram nos partidos em que fazem parte. Termos como "partido tem dono", "puxação de tapete" e "jogadas sujas" simboliza a que ponto chegou a disputa dentro das siglas.
O deputado federal Heuler Cruvinel (DEM) expôs as dificuldades que tinha com o presidente estadual do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado. De acordo com Heuler, Caiado não abria espaço para outros políticos no Democratas. "O DEM é um partido grande, mas eu não tive o apoio desta estrutura que foi usada apenas pelo deputado Ronaldo Caiado para sua eleição."
A briga por espaços já é antiga. Durante a campanha eleitoral de 2010 Heuler Cruvinel entrou na Justiça Eleitoral pedindo que o tempo da propaganda eleitoral no rádio e TV fosse distribuído de forma igualitária entre os candidatos a deputado federal do DEM. Heuler alegava que Caiado utilizava a maioria do tempo do partido.
No início deste ano, quando as articulações do PSD se intensificaram, Heuler afirmou que iria para a nova legenda pois não conseguiu indicar os presidentes dos diretórios nos municípios em que foi mais votado. Depois de uma conversa com Caiado essa questão foi resolvida. "Devo satisfação apenas ao senador Demóstenes Torres (DEM), que está sabendo da minha saída", completa Heuler Cruvinel.
Coro de insatisfeitos
Pré-candidato à Prefeitura de Luziânia, o deputado estadual Cristóvão Tormin (PTB) afirmou que vai trabalhar para o PSD ser o maior partido do Entorno do Distrito Federal, lançando candidatos em todos os municípios da região. Insatisfeito com o PTB, Tormin também esperava contar com o apoio do prefeito de Luziânia, Célio Silveira (PSDB). O tucano já declarou apoio ao seu vice-prefeito, Eliseu Melo (PMDB), que deve se candidatar pelo PSDB ano que vem.
"O que sempre recebemos foi puxação de tapete e jogadas sujas. Existe um ditado que resume bem a situação que eu vivia: 'Diga com quem andas que te direi quem és'", completa Tormin, recorrendo à conhecida passagem bíblica para explicar a situação que vivia no seu partido.
Renovação
A dificuldade de Francisco Júnior no PMDB era semelhante às que foram relatadas. O deputado estadual reconheceu a importância do partido em que começou sua trajetória política, mas afirmou que chega ao PSD pregando renovação. "Reconheço o valor do PMDB. Sou muito grato às minhas origens. (…) Mas quem quer trabalhar se preocupa em servir, não em mandar."
Segundo pessoas próximas a Francisco, Iris Rezende (PMDB) e o prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela (PMDB) conversaram com o parlamentar tentando mudá-lo de opinião. No entanto, Francisco apenas ouvia que era preciso "ter paciência". "Francisco ouviu o Iris porque ele é um conselheiro nato. Mas só pediram paciência. Não falaram mais nada", conta um aliado do parlamentar.
Trampolim
O deputado federal Armando Vergílio afirmou que já esperava as críticas sobre a criação do partido e que o PSD não está servindo de trampolim para ninguém. As principais reclamações era de que o PSD era formado por políticos que estavam insatisfeitos em seus partidos de origem. "É um discurso adotado pelas siglas que estão sendo desidratadas. Ninguém vem para um novo partido político se ele está satisfeito onde está", afirmou à imprensa.
Cotado como pré-candidato à Prefeitura de Goiânia, Armando afirmou que as discussões no partido serão "francas" e que "o PSD não tem dono". Além dele, Francisco e Thiago Peixoto são cogitados como nomes da legenda para disputar a eleição na Capital em 2012.