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Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros começa nesta quarta

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24.07.2017 - 21:22:16
A Redação

Goiânia – Apesar das noites frias do inverno no cerrado goiano, a semana promete ser quente na Chapada. O Encontro de Culturas Tradicionais tem início nesta quarta-feira (26/7) e segue até o dia 29 de julho, reunindo violeiros, guitarradas, percussão, carimbó, batuque e lundum. 

 
A seleção musical passa pelo conceito do evento, que é o de reunir, além das comunidades tradicionais do cerrado e das comunidades indígenas, artistas que representem essa diversidade cultural brasileira. 
 
Os músicos convidados para as noites no palco da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, em Alto Paraíso de Goiás, são expressivos representantes da mistura que é o próprio Brasil. 
Confira a programação completa:
 
26/07 – Alessandra Leão e Caçapa – 23h
 
Alessandra Leão é percussionista, compositora e cantora. Iniciou sua carreira em 1997 com o grupo Comadre Fulozinha e atuou ao lado de músicos como Antônio Carlos Nóbrega, Siba, Silvério Pessoa, Kimi Djabaté (Guiné Bissau), Florencia Bernales (Argentina), entre outros. Em 2006, Alessandra deu início ao seu trabalho autoral com o elogiado Brinquedo de Tambor, produzido e arranjado em parceria com o violeiro, compositor e arranjador Caçapa. Em 2008 lançou o CD do projeto Folia de Santo. Em 2009, lançou seu segundo CD solo Dois Cordões, produzido por Caçapa. Nesse mesmo ano compôs a trilha sonora do espetáculo teatral Guerreiras, de Luciana Lyra, lançado em livro+CD em 2010. Caçapa é compositor, arranjador, produtor musical e violeiro. Ao longo de quinze anos de atuação na cena musical independente de Pernambuco tem se firmado entre aqueles que se dedicam à recriação e difusão da música tradicional do Nordeste. Fez parte do grupo Chão e Chinelo, na década de 90, com quem gravou o CD Loa do Boi Meia Noite. Assinou arranjos para Siba e a Fuloresta, Nação Zumbi, Renata Rosa, entre outros. Premiado na categoria Inovação do “Voa Viola – Festival Nacional de Viola”.
 
27/07 – Silvan Galvão e Mestre Solano – 20h30
 
Silvan Galvão, percussionista, cantor, compositor e pesquisador de Santarém (PA), o músico desenvolve um trabalho baseado nos ritmos regionais amazônicos, como o carimbó, marabaixo, batuque e o lundum marajoara, explorando uma linguagem universal nos arranjos, e inserindo-os assim no contexto contemporâneo. Há 4 anos Silvan Galvão vem se dedicando ao seu trabalho autoral. Lançou o 1º CD e DVD em 2013, “Segredos Amazônicos”. Em 2016, Silvan Galvão lança pelo selo Ná Music, o segundo CD, “Tambores que Cantam”. No mesmo ano ganha o título de Mestre de Carimbó pela região do oeste do Pará.
 
Mestre Solano, Desde criança, José Félix Solano Melo recebeu fortes influências caribenhas que chegavam no seu radinho de pilhas. Tornou-se músico por influência do pai e em 1953 estreou com a banda Jazz Tupi, na qual tocou por 10 anos. Em 1963 foi para Belém, entrando no Corpo de Bombeiros da cidade, tornando-se músico da corporação. Após 60 anos de andanças, 17 discos gravados, inúmeros shows e passagens por diversas gravadoras do Norte e Nordeste, Mestre Solano continua apostando na renovação, temperando as suas apresentações com novos arranjos e parcerias. Em abril de 2014 lançou seu 17o álbum, “Som da Amazônia”, patrocinado pelo Projeto Natura Musical, que é uma verdadeira viagem pela sua carreira, passando por diversos gêneros musicais da região, contando com a produção da cantora Aíla e participações especiais, como Manoel Cordeiro e Sabastião Tapajós. O seu toque de guitarra é “de raíz”. Simples, harmonioso e vibrante, cheio de improvisos que somente um Mestre como ele é capaz de arriscar.
 
Emília Monteiro – 23h
 
Emília Monteiro é cantora de família amapaense, radicada em Brasília. Começou sua carreira atuando e cantando, fazendo parte da Companhia dos Menestréis de Oswaldo Montenegro. O álbum “Cheia de Graça” nasceu de suas lembranças afetivas e familiares com os ritmos do Norte. Sua presença de palco irreverente e intensa se destaca pela forte interpretação e entrega, resultando num show quente, excitante, dançante, envolvente e brasileiríssimo, com repertório que vai desde músicas do seu primeiro CD ( Cheia de Graça), a composições de Pinduca, Felipe Cordeiro, Calypso, Dona Onete, e outros referenciais amazônico/caribenhos. Ritmos como o Marabaixo e o Batuque do Amapá ( grande diferencial da artista ) , o Carimbó Chamegado e o Lundu do Pará, relidos em arranjos contemporâneos e universais, o Zouk Love ( ritmo de fronteira entre Guiana Francesa e Amapá) na canção Veneno de Cobra, além de outras canções com influência latino-caribenha, dão o tom do CD e do show de Emília, um convite ao calor da Linha do Equador com todo o seu potencial sensual, caliente e dançante.
 
28/07 – Doroty Marques e a Turma que Faz – 22h
 
Doroty Marques é uma cantora, compositora e arte educadora. Nascida em Minas Gerais, iniciou sua carreira em programas de calouros na infância, no Rio de Janeiro. Doroty morou no Uruguai nos anos 1960 e passou um bom tempo apresentando-se em casas noturnas de São Paulo. O primeiro disco, Semente, veio em 1978 pelo selo Marcus Pereira. Outros álbuns viriam nas duas décadas seguintes, a maioria ao lado do irmão Dércio Marques. Os estúdios, no entanto, foram ficando cada vez mais distantes, dando lugar ao que mais interessava à musicista: as operetas populares, as atividades de arte-educação. Doroty Marques tem 70 anos e anda desde que nasceu. Já caminhou pela Floresta Amazônica, com índios e seringueiros, e deu um jeito de produzir operetas ali. Com plantadores de banana no litoral paulista, nos presídios, no sertão, na favela, na rua, no cerrado… São 40 anos caminhando pelo Brasil produzindo operetas com crianças e jovens. Hoje é residente da Vila de São Jorge e conduz o trabalho da Turma que Faz, voltado para crianças na faixa etária de 7 e 10 anos e adolescentes entre 11 e 19 anos de idade, que se encontram em situação de provável risco social, sendo atendidas direta e continuamente, 160 crianças nas duas localidades.
 
29/07 – Conrado Pera e Chico Cesar – 20h30
 
Conrado Pera. Vencedor do Festival Nacional da Canção (Fenac) – o maior festival da canção do Brasil – em 2015, com sua música “Corte e Costura”. Recebeu o prêmio das mãos de Toninho Horta (Clube da Esquina). Seu primeiro CD – “Enlaçador de Mundos” (2015) – foi elogiado por jornais de mais de 10 capitais brasileiras além de programas de TV e rádio de quase todo o país. Conrado Pera é um cantor e musicista paulista que vive em Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros.  Para aperfeiçoar-se como artista, Conrado saiu de São Paulo para buscar novas experiências musicais voltadas especialmente à cultura popular. Nesta caminhada conviveu com grandes mestres do coco e do maracatu, responsáveis por parte de sua formação como artista.
 
Cátia de França – 21h30
 
Nascida em João Pessoa (PB), Cátia de França é cantora, compositora e multi-instrumentista. Em mais de 40 anos de carreira, Cátia gravou seis discos e se tornou uma lenda viva da música regional brasileira. Suas canções já foram gravadas por grandes nomes da MPB, como Elba Ramalho, Amelinha e Xangai, além de ter participado de festivais de música popular na década de 60, época em que viajou à Europa com um grupo folclórico. Versátil e estudiosa, desde menina aprendeu a dominar instrumentos como o piano, a sanfona e o violão. Mais tarde, se interessou pelos acordes de flauta e pela percussão. Chegou a ser professora de música e, em meados dos anos 70, se aventurou nas composições próprias em parceria com o poeta Diógenes Brayner. A poesia e a admiração por literatura seriam marcas de sua música a partir daí.

O primeiro LP solo, o clássico cult “20 palavras ao redor do sol”, lançado em 1979, foi inspirado em poemas de João Cabral de Melo Neto. O álbum contou com Zé Ramalho na direção musical, arranjos e violas; Dominguinhos e Sivuca nas sanfonas, Amelinha e Elba Ramalho nos vocais de apoio, Lulu Santos na guitarra e Bezerra da Silva, tocando berimbau. O álbum é cru e traz uma emoção rasgada, com imagens mágicas do sertão.
 
Foi parceira de palco de Jackson do Pandeiro durante a primeira versão do “Projeto Pixinguinha”, em 1980. No mesmo ano, lançou o segundo trabalho, “Estilhaços”, que evoluiu a sonoridade e trouxe a eterna Clementina de Jesus como participação especial.
 
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por Kamylla Rodrigues

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