A Redação
Goiânia – Ao assumir a presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás para o biênio 2026/2028, na manhã desta quinta-feira, dia 30, no Plenário do Tribunal de Justiça do Estado, a desembargadora Elizabeth Maria da Silva afirmou que a instituição vai garantir eleições livres, justas e legítimas. Para atingir esse objetivo, sua atuação estará alicerçada em seis fundamentos indispensáveis a uma instituição centenária: a valorização dos servidores e colaboradores da Justiça Eleitoral; a inovação tecnológica; a otimização das rotinas administrativas e jurisdicionais; a promoção da sustentabilidade e responsabilidade social; o aperfeiçoamento da comunicação institucional; e a celeridade processual.
“Comprometo-me, perante este Tribunal e ao povo goiano, cuidar do prestígio, da credibilidade e do respeito público que a Justiça Eleitoral legitimamente conquistou. Os desafios, para isso, são concretos: garantir segurança ao voto, enfrentar a desinformação e assegurar paz no processo eleitoral. Vamos respondê-los com o que a Magistratura me ensinou: estudo, serenidade, técnica e aplicação firme da Constituição”, enfatizou.
Discurso
O discurso da nova Presidente do TRE-Goiás:
“Hoje não assumo apenas um cargo.
Minha missão, a partir desta data, é clara. Assumo a responsabilidade de proteger aquilo que sustenta uma nação: a confiança do povo na democracia.
Assumo a Presidência desta respeitada Corte Eleitoral trazendo comigo a solidez de uma trajetória longa e vigorosa, que hoje se renova em compromisso e entusiasmo em um novo ciclo que se inicia.
Se eu pudesse resumir o que sinto agora em uma imagem, ela seria a de uma maratonista que se prepara para mais uma prova grandiosa, para a qual me preparei ao longo dos mais de 40 anos de exercício da Magistratura.
Cada processo sentenciado, cada audiência presidida e cada eleição que fiscalizei, neste percurso, me capacitaram para esse novo encargo.
Torno-me, hoje, a primeira mulher de carreira da Magistratura a presidir esta Corte Eleitoral.
Recebo essa distinção não como um degrau de superioridade, mas como a tônica de uma vida inteira dedicada a romper barreiras.
Venho de uma casa humilde, onde aprendi que a vontade de vencer é o combustível da alma. Batalhei pelo curso que escolhi, estudei com afinco para ingressar na magistratura, criei meus filhos com a força de quem não se rende e nunca parei de buscar o aperfeiçoamento profissional.
Estar aqui, portanto, é a continuidade natural de quem nunca viu o esforço como um fardo, mas como o caminho para a realização.
Na largada para este novo e honroso percurso, coloco-me com renovado vigor, trazendo comigo a bagagem de quem percorreu cada passo da judicatura para oferecer o melhor a esta missão que me é agora confiada.
Ao olhar para trás consigo ver a menina Elizabeth, que nasceu em uma casa simples em Trindade, onde nunca faltou o pão, o amor e o exemplo.
Sou a primeira, de cinco filhos do servidor público João Dário e da dona de casa Maria de Lourdes.
Meus amados pais ensinaram, a mim e aos meus irmãos, o valor do estudo e do conhecimento.
Em nossa casa, garantir o acesso dos filhos a uma educação de qualidade era prioridade absoluta. Um valor inegociável, ainda que severas limitações financeiras pudessem, em algum momento, ameaçá-lo!
Foi somente em idade avançada que meu pai pôde concluir os estudos. Lembro-me de ele chegar do trabalho às vezes já cansado, jantar e ir para a aula no turno da noite. Foi assim que ele cursou o antigo Segundo Grau. Depois, prestou o vestibular para Direito. Assim, veio do meu pai meu maior exemplo e minha maior inspiração.
Minha trajetória, desde então, é construída sobre valores aprendidos no lar, fortalecidos na fé e amadurecidos no exercício da judicatura, para onde o Direito me levou e onde sou muito realizada.
Desde que ingressei na magistratura, em 1983, percorri um caminho que logo me aproximou da Justiça Eleitoral.
Iniciei minha jornada em tempos desafiadores, vivenciando o peso de uma ditadura e as incertezas de uma transição histórica.
Posso dizer que fui forjada na luta; presidi nas comarcas do interior a primeira eleição após a abertura política de 1989 – o primeiro pleito sob a égide da Constituição Cidadã de 1988.
Enfrentar os desafios do pós-ditadura como juíza exigiu coragem e a serenidade que só o trabalho no solo das comarcas nos ensina.
Com esse lastro de experiência, exerci, por diversas vezes, a função eleitoral em várias localidades, inclusive na capital.
Nas eleições de 2006, ano em que a Justiça Eleitoral impôs profundas mudanças na forma de se fazer campanha, atuei como Juíza Auxiliar nesta Corte.
Em 2008, fui então eleita Desembargadora Eleitoral deste Tribunal, verdadeiro pilar da estabilidade institucional.
Ao assumir a presidência do TRE de Goiás, o faço com o compromisso de zelar pelas garantias que conferem liberdade a cada cidadão goiano no sagrado momento do voto.
Nossa missão primordial é garantir que esse ato de cidadania possa ser exercido com segurança e justiça.
Como guardiã da vontade popular consagrada nas urnas, cabe à Justiça Eleitoral atuar conforme a imensa responsabilidade que lhe é atribuída pela Constituição.
A função judicante eleitoral deve ser pautada pela discrição, imparcialidade, transparência e compromisso republicano, conforme as diretrizes de conduta recentemente reafirmadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Tais diretrizes não representam mera formalidade institucional. Trata-se de um verdadeiro chamado ético!
Ao exercer o direito de votar, mulheres e homens depositam suas esperanças em um futuro melhor e mais justo para todos. Recai sobre nossos ombros, excelentíssimos pares, o sagrado dever de blindar essa esperança e salvaguardar o futuro sonhado pelos brasileiros, manifestado no voto.
Minha atuação, como Presidente deste Órgão Eleitoral, estará alicerçada em 6 fundamentos indispensáveis a uma instituição centenária. São eles: 1. A valorização dos servidores e colaboradores da Justiça Eleitoral; 2. A inovação tecnológica; 3. A otimização das rotinas administrativas e jurisdicionais; 4. A promoção da sustentabilidade e responsabilidade social; 5. O aperfeiçoamento da comunicação institucional; e 6. A celeridade processual.
Comprometo-me, perante este Tribunal e ao povo goiano, cuidar do prestígio, da credibilidade e do respeito público que a Justiça Eleitoral legitimamente conquistou.
Os desafios, para isso, são concretos: garantir segurança ao voto, enfrentar a desinformação e assegurar paz no processo eleitoral. Vamos respondê-los com o que a Magistratura me ensinou: estudo, serenidade, técnica e aplicação firme da Constituição.
Caminhando para o fim da minha fala, preciso fazer alguns agradecimentos.
Com sincera reverência, agradeço aos excelentíssimos colegas Desembargadores e Desembargadoras Eleitorais pela confiança que depositaram em mim para conduzir o processo eleitoral em nosso estado.
Sigamos juntos!
Ao presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, Desembargador Leandro Crispim, meu agradecimento pela gentileza de ceder este Plenário para sediar esta solenidade.
Ao excelentíssimo Desembargador José Paganucci Júnior, que ora assume a Vice-Presidência e Corregedoria deste Tribunal, meu estimado colega, tenho convicção de que vossa excelência será um exemplo de retidão e contribuição para o aprimoramento e fortalecimento da nossa Justiça Eleitoral.
Agradeço, com igual entusiasmo, os eminentes e queridos Desembargadores Gerson Santana Cintra e Lília Mônica de Castro Borges Escher, que passam a ocupar a 1ª e a 2ª suplência.
Aos demais colegas de magistratura, aos servidores e servidoras da Justiça Eleitoral, aos advogados, aos membros do Ministério Público e autoridades que aqui se fazem presentes: toda a minha gratidão por compartilharem comigo este momento singular.
Aos amigos de uma vida toda, agradeço pelo incentivo e torcida.
Aos meus amados filhos, Letícia e Gustavo, que desde cedo aprenderam a dividir o tempo e o afeto da mãe com a exigente liturgia da toga: recebam meu amor eterno e a gratidão por serem a compreensão que viabilizou minha caminhada até aqui.
Aos meus netos Miguel José, João Gabriel, Daniel, Samuel e à nossa pequena princesa Gabriela: vocês renovam a minha esperança todos os dias e tiram de mim o meu melhor sorriso! Sempre que a responsabilidade do cargo parecer pesada, olharei para o futuro que vocês representam.
É por vocês e por cada cidadão neste Estado que trabalharemos para que a democracia seja uma herança perene e para que a Justiça Eleitoral cumpra sua missão de garantir eleições livres, justas e legítimas.
Senhoras e senhores, sinto imenso orgulho por ser a primeira mulher magistrada de carreira a assumir esta Presidência nos 96 anos de história deste Tribunal Eleitoral.
Que esse marco e esse lugar que hoje passo a ocupar esteja aberto à assunção de outras magistradas que elevam, diariamente, a Justiça em nosso estado.
Me acompanharão as palavras de Abraham Lincoln: “Minha preocupação não é se Deus está ao nosso lado; minha maior preocupação é estar ao lado de Deus, porque Deus está sempre certo”.
Seguiremos firmes. Com responsabilidade. Com coragem. E com a convicção de que proteger a Democracia é proteger o futuro de todos nós.
Que Deus ilumine a nossa caminhada”.
