Nádia Junqueira
O Secretário Municipal de Saúde, Elias Rassi, compareceu na manhã desta quarta-feira (24/8) na Câmara Municipal para dar esclarecimentos sobre a greve dos médicos da rede pública de saúde, que começou hoje. Mais de 1200 profissionais aderiram ao movimento, atingindo 80% da população.
Para Rassi a paralisação tem motivação política e está sendo coordenada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremego), uma autarquia federal que não poderia organizar assembleias. Ele argumentou que em abril houve negociação de cargos de chefias e diretorias que não agradou os médicos e, por isso, estariam insatisfeitos. Além disso, o secretário acredita que a greve seja uma forma de retaliação a uma nova forma de atendimento clínico: o agendamento. Pesquisas da secretaria comprovam que os médicos têm trabalhado 40 minutos diáriios a mais com o novo método, mas dentro de sua carga horária.
O secretário lembrou, ainda, que os hospitais estaduais passam por reformulações em suas gestões, e a greve coincide com esse momento. Organizações sociais se responsabilizarão administrativamente por hospitais como Hospital Geral de Goiânia, Hospital de Urgências de Goiás e Hospital Materno Infantil. “Quem socorre as emergências hoje são esses hospitais. Diariamente recebo pedido de vereadores para encaminhar pacientes e são eles que nos atendem. Com a terceirização, essas pessoas terão que ser atendidas em nossos Cais”, afirmou o secretário expressando sua falta de confiança no novo modelo.
Rassi criticou também essa nova forma de gestão não ter sido discutida com sindicatos e conselhos e alertou que as empresas responsáveis pelos hospitais querem retirar as gratificações dos médicos para renegociar salários. O secretário municipal diz que também estranhou a greve pelo fato do plano de carreira dos servidores municipais ter sido elogiado na revista do Conselho Regional de Medicina do ano passado. Ele afirma que qualquer médico concursado, efetivo, não recebe menos que R$3.394 por 20 horas trabalhadas. “Plano de carreira é uma grande vitória da categoria”, defendeu.
Reivindicações
Uma das principais reivindicações dos médicos grevistas trata-se a adoção do piso salarial determinado pela Federação Nacional dos Médicos no valor de R$9.188 por 20 horas trabalhadas semanalmente. Elias Rassi afirmou que o piso deve ser discutido e votado no Congresso Nacional de forma a estabelecer formas de viabilizar financeiramente o pagamento desse salário. Isso porque, hoje, esse reajuste implicaria no aumento de 10% da verba para saúde. Lei nacional estabelece mínimo de 15% do orçamento municipal para área, mas em Goiânia aplica-se 23%.
O aumento do salário representaria R$150 milhões a mais, o que significa 33% da verba municipal para saúde. Por outro lado, o secretário de comunicação do Sindicato dos Médicos (Simego), Robson Azevedo, que também estava na Câmara nesta manhã, disse que piso proposto é apenas um referencial e que estão abertos a negociação.
Defesa
Robson Azevedo negou que a greve tenha fundo político e disse que o discurso do secretário tenta minimizar as forças do movimento. “Queremos melhores condições de trabalho, é essa a razão de nossa paralisação”, afirmou. Na Câmara, Robson disse que os diretores das unidades têm sido ameaçados pela secretaria para não aderirem à greve. Ele orientou que os funcionários façam queixas na delegacia. Elias Rassi negou a acusação e pediu que os funcionários encerrem a greve, considerada “inoportuna”.