Ludymila Siqueira
Goiânia – O cientista político Felipe Nunes avalia que as eleições de 2026 tendem a continuar polarizadas entre o eleitorado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a família Bolsonaro, tendo o senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. A declaração foi dada em explanação na sede da Federação das Indústrias de Goiás (FIEG), nesta quarta-feira (24/6), em Goiânia.
Segundo ele, diante da insegurança jurídica atribuída ao Supremo Tribunal Federal (STF) e do escândalo envolvendo o Banco Master, o eleitorado independente tem mostrado crescimento nas pesquisas e buscado um nome alternativo a Lula e Bolsonaro.
“Diante das pesquisas recentes, os estudos apresentam que a direita não bolsonarista tem mostrado insatisfação com Flávio Bolsonaro e buscado uma alternativa que converse com seus valores e posicionamentos, sem polarização. O número de eleitores indecisos cresceu após os áudios envolvendo o Banco Master”, afirmou o cientista político, que também é diretor do instituto de pesquisas eleitorais e de comportamento Genial/Quaest.
Os áudios tratam de conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a Polícia Federal.
“O que temos percebido é que os escândalos têm aumentado a preocupação em relação à corrupção, fortalecendo o sentimento antissistema entre os candidatos. Além disso, surgiu um ator de muita desconfiança no cenário eleitoral, que é o STF”, pontuou. “O eleitor também tem se preocupado muito com a segurança pública, principalmente das grandes cidades, e com as perspectivas de futuro. Hoje, o eleitorado independente olha para as pré-candidaturas e ainda não encontra candidatos capazes de apresentar perspectivas propositivas de futuro, e é complexo dizer em que momento esses nomes vão ativar nesses eleitores algo que os mobilize em torno das propostas”, disse.
Os nomes associados às alternativas para esse perfil de eleitor são Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). De acordo com Nunes, ainda é cedo para cravar uma previsão, dado o histórico das eleições no Brasil, que ele descreve como uma competição que só termina quando termina.
“Se a tendência do eleitorado independente continuar a crescer, pode haver uma surpresa nesta eleição, principalmente se a direita não bolsonarista decidir não apoiar Flávio Bolsonaro. Os três demais nomes, embora precisem aumentar a popularidade, podem ganhar notoriedade”, comentou, ao destacar a importância do eleitorado de Minas Gerais — um dos três maiores colégios eleitorais do país — que tem o ex-governador Romeu Zema como pré-candidato, além da aprovação de 84% do governo de Ronaldo Caiado em Goiás, o que o torna o governador mais bem avaliado do Brasil.

Para o cientista político, Caiado, Zema e Renan Santos devem direcionar suas campanhas para discursos antissistema. “De um lado, temos um grupo que deseja derrotar Lula, e, do outro, um que quer derrubar o bolsonarismo. Esse é o perfil do eleitor brasileiro. Isso explica por que é difícil Flávio Bolsonaro sair da disputa. Nesse sentido, a eleição deste ano será decidida pelo eleitorado independente”, concluiu Felipe Nunes.
Brasil em Reflexão
O evento realizado pela Fieg é voltado a empresários, executivos, dirigentes sindicais, representantes do setor produtivo, autoridades públicas e lideranças interessadas em compreender os movimentos que moldam o cenário nacional e seus impactos para os negócios. A iniciativa tem apoio do Sebrae Goiás.
“O nosso objetivo é promover reflexões sobre nosso país, sobre nosso Estado. Neste sentido, temos abordado temas relevantes e que impactam diretamente a sociedade como um todo. Além disso, planejamos também realizar no dia 5 de outubro uma análise do primeiro turno das eleições”, destacou o presidente da Fieg, André Rocha.

