Logo

Eleições e fake news

28.08.2020 - 15:13:30
WhatsAppFacebookLinkedInX

A internet será a plataforma de propaganda mais utilizada na comunicação do candidato com os eleitores nas eleições deste ano, mas com diferenças substanciais em relação ao pleito de 2018, a começar pela postura da Justiça Eleitoral antes mesmo da deflagração do processo eleitoral propriamente dito. Já há medidas concretas para evitar que as notícias falsas disseminadas de forma propositada – por “verdadeiras milícias digitais”, termo usado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Roberto Barroso – degradem a democracia.
 
É elogiável a iniciativa do ministro Barroso junto às redes sociais, especialmente ao Facebook (que concentra 70% das comunicações de políticos com seu público), de chamá-las para discutir responsabilidades sobre os conteúdos veiculados. O resultado, louvável, é que as redes sociais, nestas eleições, terão importante papel no controle do conteúdo, podendo, a depender do caso, suspender páginas e perfis que espalhem mensagens políticas de desinformação, as fake news. Em eleições anteriores, especialmente em 2018, as redes sociais se fundamentavam no argumento de que apenas forneciam a plataforma, mas não tinham como se responsabilizar pelo que veiculavam. Isso mudou.
 
Vale informar que o candidato que pretenda continuar usando seu Facebook para anunciar sua propaganda eleitoral – e em tempos de pandemia, a internet será a principal ferramenta para esse diálogo – precisará passar pelo processo de autorização para obtenção do rótulo de “propaganda eleitoral”. Sem esse rótulo, o candidato poderá ter sua conta suspensa e poderá ter dificuldade para retomá-la, um processo que tende a não ser tão rápido, inclusive porque implica a análise de vários documentos pelo Facebook. 
 
No início de julho, durante abertura de um congresso de Direito Eleitoral em Minas Gerais, o presidente do TSE afirmou que o Judiciário não é a sede mais adequada para o enfrentamento de fake news e não deve atuar como censor privado no debate público. Entendo que o cidadão que se torna candidato deve estar ciente de que sua privacidade não terá absoluta proteção de inviolabilidade. Ele poderá ter sua vida pública escancarada, devendo rebater excessos, como calúnia, injúria e difamação na seara criminal. 
 
O debate prevalecerá! 
 
*Afrânio Cotrim Júnior é advogado especialista em Direito Eleitoral
 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Afrânio Cotrim

*

Postagens Relacionadas
Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]