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Educação em tempos de pandemia

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15.05.2020 - 08:27:19

Goiânia – Não está fácil para ninguém! Este tem sido o sentimento vivido por todos nós no país, ou melhor, no mundo, nesse momento em que passamos pela maior crise global de todos os tempos. Trabalhando com estudos de tendências e exercícios de futurismo há alguns anos, em nenhum momento percebemos que esse cenário poderia surgir e em tão curto espaço de tempo. Por mais que seja um problema de saúde em um primeiro momento, é também de emprego e renda, de relações internacionais, de educação, entre outros, por isso, exige que tenhamos cada vez mais uma visão sistêmica para analisar a crise e tomarmos decisões que impactarão o nosso futuro e o das gerações que nos sucederão.

 
Uma de minhas reflexões constantes nestes últimos dias é sobre a educação dentro dessa crise. Acredito que muitos de vocês, também pais, devem estar pensando sobre isso. Antes de nos aprofundarmos nesta questão, é preciso parar por um instante e pensar sobre a nossa divisão e gestão do tempo, bem mais precioso de todo e qualquer ser humano. Estamos nos dando conta que não dá mais para dividir o profissional do pessoal. Não é possível ser um no ambiente de trabalho e outro após o expediente em casa com a família,  discussão esta que tem sido muito debatida nos fóruns sobre o futuro do trabalho.
 
Neste momento, nós, pais, estamos com um enorme desafio de conciliar a vida pessoal e o trabalho no mesmo ambiente físico, a nossa casa, que se tornou da noite para o dia escritório, sala de aula das crianças, restaurante, etc.
 
Repentinamente, escolas públicas e particulares, professores e os nossos filhos tiveram que se adaptar a um novo modelo de educação, usando as tecnologias para a transmissão de conteúdo, transformando a forma de interação e relação professor-aluno. Claro que muitas escolas privadas estavam melhor preparadas para as atividades on-line, porque já vinham investindo no meio digital, não somente dentro da sala de aula. Outras precisaram fazer a aquisição de plataformas, algo que sempre estavam postergando, seja por uma questão de manutenção de fluxo de caixa e lucratividade ou por um certo ceticismo com a adoção.
 
Pós-crise, sem dúvida alguma, a relação escola, professor e ensino deve mudar velozmente. Certamente, os alunos passarão a questionar mais os métodos de transmissão de conhecimento ainda baseado em quadro negro, apostilas e cópias no caderno, algo que não é tão novo para quem discute sobre o futuro da educação, o que de certo modo, fará com que os professores revejam o seu papel e a forma como interagem diariamente nas milhares de salas de aula espalhadas pelo país.
 
Outro aspecto que tem me levado a refletir nesse período é a relação entre pais e filhos. Ser adepto do homeschooling (ensino em casa) não é tão simples e nem para todos. No Brasil, há restrições na lei, apesar de colecionarmos inúmeros casos na justiça onde as cortes entenderam e deram ganho de causa para os pais. Ao menos, devemos dar essa opção para quem prefere optar por esse modelo. Mas a intenção aqui não é se aprofundar nesse debate.
 
O que tenho percebido ao conversar com as pessoas sobre a situação atual é o quanto estamos nos dando conta sobre um conceito há muito propagado pelo professor e filósofo Mario Sérgio Cortella: “o papel da escola é o da aprendizagem, a educação é papel dos pais”. Tenho colegas sofrendo altos níveis de stress com o momento, porque passaram a ter de acompanhar o dia a dia de seus filhos, entendendo as dificuldades de aprendizagem, os desafios na relação e interação professor-aluno.
 
Por sorte, desde sempre, eu e minha esposa somos muito presentes na vida escolar dos filhos. Somos do tipo que não só cobra da escola, como também das nossas crianças. Sem dúvida, parte deste cansaço físico e mental, sensação comumente descrita no momento, passa pelo distanciamento que tinham desta integração família e escola. Por isso, acredito que o momento pós-Covid-19 trará uma nova forma de se relacionar, praticando com frequência o exercício da empatia sobre o papel dos professores e reconstruindo a relação família e escola.
 
Mas, se por acaso você leitor, pai e mãe, está vivendo estes dilemas com a aprendizagem de seu filho, quero lhes convidar a pensar por um momento sobre o seu grau de participação na vida escolar dele. Quando digo sobre participação no processo de aprendizagem, não é só ter a preocupação com a criança ter feito as tarefas de casa, se estudou para as provas, as notas do bimestre e a presença nas festas escolares, mas sim de acompanhar diariamente o desenvolvimento, dar suporte às dificuldades apresentadas, manter um diálogo frequente com os professores em prol da melhoria, não só da performance escolar, mas também do relacionamento estabelecido com os colegas de sala, professores e demais funcionários. Vamos juntos refletir sobre os aprendizados trazidos pelas experiências desse período e como podem contribuir para um futuro melhor para nossas crianças.
 
Luís Fernando Guggenberger é executivo de Inovação e Sustentabilidade da Vedacit, responsável pela coordenação das iniciativas de Inovação Aberta e pelo Instituto Vedacit. Sua experiência profissional é marcada pela passagem em fundações empresariais como Fundação Telefônica e Instituto Vivo, além de organizações sociais na cidade de São Paulo. É membro dos Comitês de Sustentabilidade e de Inovação do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e em Conselhos de Institutos. Nos últimos anos vem atuando nos campos da Inovação e Empreendedorismo Social, de Tendências e dos Negócios de Impacto Social.
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por Luis Fernando Guggenberger

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