Marcos Araken
Goiânia – O delegado Eduardo Prado (PV) afirma ter sido procurado por três pré-candidatos à prefeitura de Goiânia. Em entrevista na sede do jornal A Redação, o delegado declarou ter sido sondado por emissários do PSD, PSB e do PMDB para ser vice na chapa dos pré-candidatos Francisco Júnior, Vanderlan Cardoso e Iris Rezende. Este último, na tarde desta quinta-feira (4/8), no momento em que Iris discutia a possibilidade de aceitar o convite de Marconi Perillo para uma chapa com o PSDB.
O delegado se desincompatibilizou em junho do cargo de delegado titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) inicialmente com projeto de sair candidato a vereador na capital. Conseguir uma vaga na Câmara Municipal continua fazendo parte do seu projeto político, segundo ele, até que seja garantido que não será um “vice de enfeite”. “Quero ser atuante, tenho planos para várias demandas da cidade. Nunca seria um vice ‘ameba’. Se tiver de ser, prefiro continuar com o projeto de sair vereador”, justificou.
Formado em Direito pela UFG, tornou-se delegado em 2002, aos 23 anos de idade. Foi delegado titular em Alvorada do Norte por seis anos. Destacou-se pelo combate às drogas e à prostituição infantil no Nordeste goiano. Retornou a Goiânia em 2009, ocasião em que foi titular no 22º DP, na Região Noroeste de Goiânia, em substituição ao Delegado Waldir, que havia se desincompatibilizado para ser candidato a deputado federal.
Por causa da performance no combate às drogas na Região Noroeste, foi chamado para ser delegado adjunto da Delegacia Estadual de Repressão aos Narcóticos (Denarc), na gestão do delegado Odair José. “Fizemos as maiores apreensões de drogas da história de Goiás”, orgulha-se. “Chegamos a ser notícia no Jornal Nacional, quando começamos a descapitalizar os bandidos, apreendendo o patrimônio deles. Mais de 500 automóveis foram mandados a leilão ou incorporados à frota da polícia”, lembrou. Eduardo também foi um dos responsáveis pela prisão de Tiago Henrique, acusado de uma série de assassinatos na Grande Goiânia.
Em 2015, assumiu a Delegacia do Consumidor. Comandou as operações Hipócrates (combate a falsos dentistas), Carne Podre (alimentos vencidos, com o fechamento de hipermercados em Goiânia e Aparecida) e Tarja Preta (farmácias clandestinas e medicamentos vencidos e adulterados), Apagão (combate a ‘gatos’ de energia da Celg em residências, no comércio e em condomínios fechados), Bomba Baixa (qualidade e imprecisão na quantidade dos combustíveis). Consta no currículo do delegado o combate ao cartel dos postos de combustível na Região Metropolitana. “Encaminhamos o inquérito para o Poder Judiciário, indiciando mais de 90 proprietários de postos”.
Eduardo disse ao AR ter convicção que pode ser útil em uma possível atuação nos poderes Legislativo ou Executivo. “Lido com gente todos os dias. Conheço as angústias, as demandas, os problemas”, afirmou na entrevista.
Confira os principais trechos:
A Redação – “Quais são os principais problemas de Goiânia?”
Eduardo Prado – “Goiânia foi abandonada. Falta uma gestão séria, técnica. É só ir nos Cais e nos hospitais. Fui levar um amigo no Cais e não tinha médico. Alguma coisa está acontecendo. Ou é má gestão ou tem alguma coisa errada. Não há gestão eficaz da mobilidade urbana. Temos de rever os contratos da prefeitura, temos de rever salários de autarquias. Não dá mais para assistir jornal e se deparar com tantos casos de corrupção. Com relação à segurança, não se adequaram à nova lei 13.022/2014, que amplia os poderes das guardas municipais, que pode ser uma grande parceira das polícias militar e civil na capital.”
AR – Além de aparelhar a Guarda Civil, o que um gestor público municipal pode fazer pela segurança?
EP – Com atos simples e com baixo custo, a prefeitura tem como fazer um trabalho de prevenção primária. Temos dezenas de praças ociosas na capital que poderiam servir para ocupar nossos jovens de maneira sistemática, com recreadores. O intuito da Sociedade Cidadão 2000 era ótimo, se não tivesse se perdido. Poderia ser um grande catalizador de formação profissional, importantíssimo em uma sequência de anos de crise econômica e desemprego. Os jovens, além de desempregados, estão sem esperança, diante de tantos casos de corrupção que todos os dias ocupam o noticiário.
AR – Essa questão da corrupção deve pautar as eleições este ano…
EP – Sim. A sociedade pós-Lava Jato aguarda um novo jeito de fazer gestão, de fazer política. Me filiei ao Partido Verde, decidi pleitear uma posição política, porque as ruas pedem a renovação. Nossa sociedade está carente de novas lideranças, de pessoas de credibilidade. Essas pessoas clamam por uma renovação na política. É a primeira eleição após a Lava Jato. A sociedade clama por um processo de mudança na política brasileira.
"Se for para ser um vice 'ameba', prefiro seguir com projeto de ser vereador" (Foto: Kamylla Rodrigues)
AR – Como sua experiência como delegado pode ser útil em um eventual mandato?
EP – Lido com gente todos os dias. Conheço as angústias, as demandas, os problemas. Sou delegado de classe especial. Não preciso de dinheiro de política, porque sou concursado. Quero servir à sociedade e já tenho uma longa ficha de serviços prestados que me deram muita experiência no trato da coisa pública como delegado titular em Alvorada do Norte, como adjunto na Denarc e na Decon.
Quero emprestar meus conhecimentos, principalmente na área de segurança pública, preventiva e ostensiva, para tentar participar deste momento importante. Trabalhei no combate à corrupção, a traficantes, a grandes conglomerados econômicos, sempre demonstrei coragem, ética e atitude. Atributos que considero essenciais para uma pessoa pública.
AR – Você tem ou teve políticos na família?
EP – Meu pai, Valdir do Prado, foi vereador nas décadas de 80 e 90 durante 10 anos, e secretário de Ação Urbana na gestão do então prefeito Índio Artiaga. Chegou a ser candidato a prefeito em 1985, contra o Darci Accorsi e Daniel Antônio. Meu avô foi o primeiro prefeito de Silvânia.