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Eduardo Leite em Goiânia: “Não fiz campanha casada com Bolsonaro em 2018”

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07.08.2021 - 16:37:19

Augusto Diniz

Goiânia – Questionado na manhã deste sábado (7/8) em Goiânia sobre o voto em Jair Bolsonaro (sem partido) para presidente da República nas eleições de 2018, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), disse  que declarou sua escolha crítica no segundo turno por não querer o retorno do Partido dos Trabalhores (PT) ao Palácio do Planalto. "A eleição do segundo turno é uma eleição pebliscitária. Para evitar a volta do PT com o programa econômico ruim que tinha, dei meu voto ao Bolsonaro, com críticas, pontuando muito bem as diferenças."

Sem citar nomes ao falar à imprensa no Colégio Ateneu Dom Bosco, no Setor Oeste, Leite fez questão de ressaltar que não se tornou um cabo eleitoral do presidente da República. "Não fiz campanha casada com Bolsonaro, não defendi o voto em Bolsonaro em momento nenhum. Não fiz material casado. Não fiz absolutamente nada em defesa da candidatura dele", pontua o governador do Rio Grande do Sul. O tucano  de Pelotas (RS) disse que apenas declarou o voto como cidadão e explicou os motivos da escolha no segundo turno contra o PT. 

Assim como fez o governador de São Paulo, João Doria, no dia 10 de julho deste ano, Eduardo Leite esteve hoje em Goiânia para fazer campanha pelas prévias presidenciais do PSDB, que serão decididas em novembro. Naquela ocasição na capital goiana, Doria foi questionado pelo jornal A Redação se teria se arrependido de lançar o movimento BolsoDoria na campanha de 2018, quando foi eleito governador por São Paulo. Doria respondeu que sim, assim como milhões de brasileiros, que agora combatem a tentativa de destruição da democracia representada por Bolsonaro.


Na disputa pela indicação a pré-candidato a presidente em 2022 pelo PSDB,
o govenador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, defendeu oferecer
amor para vencer o ódio da polarização entre Bolsonaro
e Lula no ano que vem (Augusto Diniz/A Redação)

Volta do PT
"Se por um lado tinha a certeza de que a volta do PT seria ruim, do lado de Bolsonaro tinha, talvez, a esperança, ainda que pequena, de que pudesse ser, na cadeira de presidente, diferente do que foi numa cadeira de deputado [federal]. Numa cadeira parlamentar, poderia ter um comportamento mais verborrágico, mas na presidência pudesse a cadeira impor um pouco mais de sobriedade ao presidente", avaliou Leite quase três anos depois.

E assumiu: "Errei. Errei como erraram milhões de brasileiros junto comigo nessa mesma expectativa. Agora precisamos trabalhar para corrigir esse erro e evitar que estejamos diante de um segundo turno onde, novamente, tenhamos de um lado o retrocesso civilizatório e as ameaças de Bolsonaro e o retrocesso econômico e os problemas causados pelo PT". De acordo com Leite, são esses os projetos eleitorais que precisam ser evitados pelos brasileiros em 2022 "para trazer o Brasil de volta para o bom senso, para o equilíbrio, para o respeito e para uma política econômica e de governo que efetivamente produza confiança no futuro do Brasil".

Secretária goiana
Em outro momento, já no discurso, depois de ouvir do ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, que os gaúchos ajudaram bastante no desenvolvimento econômico do Estado, Leite afirmou ter feito o movimento contrário ao "importar" daqui a secretária estadual de Educação do Rio Grande do Sul, a ex-deputada Raquel Teixeira (PSDB), que acompanhou o tucano gaúcho na visita a Goiânia.

Há um mês, Doria foi criticado pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa, Jardel Sebba, por ter em sua gestão no Estado de São Paulo dois adversários do PSDB goiano: Henrique Meirelles (PSD), secretário de Fazenda e Planejamento, e o presidente estadual do PP, Alexandre Baldy, titular da pasta de Transportes Metropolitanos.

Além de ter como adversário interno o chefe do Executivo paulista, o governador gaúcho disputa a preferência dos peessedebistas em todo o Brasil com o senador Tasso Jereissati, do Ceará, e o ex-prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio.


Ao se posicionar como um político de centro, Eduardo Leite disse
que o caminho para o Brasil não é o "retrocesso democrático" de
Bolsonaro nem o "retrocesso econômico" do PT (Augusto Diniz/A Redação)

"Jeito despojado, simples"
Ao falar para os tucanos de Goiás no evento, Eduardo Leite, descrito como de "jeito despojado, simples", entre outras coisas, por vestir calça e camiseta jeans azuis acompanhados de um sapatênis da mesma cor, disse que não tinha a expectativa de ser lembrado como nome para concorrer às eleições presidenciais de 2022. Contrário à reeleição, o governador do Rio Grande do Sul foi vereador e prefeito em Pelotas antes de chegar ao Palácio Piratini, no centro histórico de Porto Alegre.

"Estar no centro não significa ausência de posição." Em vídeo de campanha das prévias, exibido antes de sua fala ao público, Eduardo Leite aparece como um político que busca como referêncais internacionais nomes como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, a primeira-ministra da Finlância, Sanna Martin, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. "Se você acha que esse papo de esquerda e direita nãovai melhorar a sua vida, muito prazer, eu sou Eduardo Leite", apareceu o governador nas imagens.

Nas críticas a Bolsonaro e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador do Rio Grande do Sul afirmou no vídeo que "não adianta masi ficar mudando do A para o B e do B para o A", numa tentativa de romper a dificuldade que um candidato mais moderado tem enfrentado de encontrar viabilidade eleitoral contra os dois nomes mais conhecidos na corrida eleitoral de 2022. "O Brasil precisa de empatia, de sentir a dor do outro", declarou no discurso Leite.

De acordo com o gaúcho, os petistas não conseguem criar nada de novo "nem no seu partido". "O que é que vão conseguir oferecer de novo para o País?", questionou à plateia formada por tucanos, alguns que voltaram a aparecer publicamente hoje, como os ex-presidentes estaduais do PSDB Giuseppe Vecci e Afreni Gonçalves. Também estava presente o prefeito de Minaçu e ex-deputado federal quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo (2012), Carlos Alberto Lereia. A plateia, inclusive, pareceu em vários momentos mais animada com a presença de Eduardo Leite do que há um mês quando esteve em Goiânia o também tucano João Doria.

Romper o ódio
"Nessa eleição [2022], a gente tem que enfrentar o ódio deles com amor. Não iremos vencer com mais ódio na tentativa de romper a polarização." Leite afirmou que não pretende falar "do Brasil que já foi [Lula] ou que já é [Bolsonaro]. "Queremos falar do Brasil que pode ser", declarou o governador tucano. Para o gaúcho, a agenda primeira do próximo presidente brasileiro tem de ser a preservação do meio ambiente. Momentos antes, Leite disse que a vacina do pós-pandemia será a geração de emprego.

O torcedor do Brasil de Pelótas, que ontem perdeu por 2 a 0 para o Guarani no interior paulista e ocupa a vice-lanterna da Série B do Campeonato Brasilerio, disse que é preciso atenção e transferência de renda para o brasileiro impactado pela crise econômica gerada pela pandemia da covid-19 e pelo processo de mudança no mercado de trabalho, que tornou o engenheiro em desempregado, depois em motorista por aplicativo, que em seguida perderá um emprego precarizado para o carro autônomo, sem condutor.


Na hora de discursar para os tucanos em Goiânia, 
Eduardo Leite pediu licença para tirar a máscara e a
guardou no bolso direito da calça (Augusto Diniz/A Redação)

Uso de máscaras
Além de Eduardo Leite, discursaram no evento das prévias tucanas em Goiânia o presidente estadual do PSDB e ex-governador José Eliton e o também ex-governador Marconi Perillo. Na entrevista, o gaúcho respondeu às perguntas dos jornalistas enquanto usava uma máscara cirúrgica.

Na hora de falar à plateia, o gaúcho pediu licença para discursas sem o item de proteção contra o coronavírus. O governador do Rio Grande do Sul foi o único dos três a retirar a máscara e guardar no bolso direito da calça ao se dirigir aos tucanos de Goiás. Marconi e José Eliton, que usavam máscaras do modelo N95, permaneceram com a proteção durante suas falas.

Cinco dias depois de vir a Goiânia em julho para participar das prévias nacionais tucanas, João Doria anunciou nas redes sociais que estava com covid-19.

Leia mais:
“Coloquei minha calça justa, essa que Bolsonaro gosta”, diz Doria em Goiânia

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por Augusto Diniz

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