Goiânia – A situação econômica do país também pautou a entrevista concedida pelo governador Marconi Perillo ao jornal A Redação e a outros jornais digitais, nesta terça-feira (16/8). Ao mencionar os ajustes realizados em Goiás para que o Estado não sofresse de forma direta os efeitos da crise no país, o governador enfatizou que o governo federal precisará “colocar um freio nos gastos” para que o país volte a crescer.
“Com o desfecho do impeachment e o presidente Temer sendo efetivado, ele terá de tomar medidas duras na área econômica, em relação à Previdência, à legislação Trabalhista, e legislação Política. Ou o governo sinaliza para conter o gasto público federal e o déficit público federal ou não terá condição de diminuir juros, manter a inflação na meta, de garantir novos investimentos interno e externos”, afirmou Marconi.
“Ou a gente sai deste ciclo vicioso, de déficit de R$ 170 bilhões por ano, ou não teremos condições de retomar o desenvolvimento e crescimento do PIB. Infelizmente, os remédios terão de ser amargos, se quisermos estar em um novo ciclo de crescimento em três ou quatro anos”, acrescentou.
Ao comentar sobre a revisão do Pacto Federativo, Marconi citou que é necessário redefinir a repartição das receitas públicas do País. “O presidente Temer é um dos grandes constitucionalistas do Brasil. Ele sabe que, enquanto os Estados não tiverem autonomia financeira para planejarem as ações que estão mais próximas das necessidades dos cidadãos, os Estados e Municípios vão continuar pedindo dinheiro para realizar investimentos. Mas outra medida que tem de ser adotada é um regramento em relação aos gastos”.
(Foto: Renato Conde/A Redação)
“O Congresso já aprovou dezenas de projetos que implicam em gastos. Os Estados e Municípios são obrigados a gastar, mas não temos dinheiro. Deveria aprovar os gastos junto aos recursos federais para honrá-los. Premissa básica do pacto federativo é redefinir as funções dos Municípios, Estados, União e também redefinir a repartição das receitas públicas do País”, acrescentou.
Conforme lembrou Marconi, a União concentra mais de 70% de todo o dinheiro arrecadado do País, sobrando 28% para os Estados e Municípios. “Só que os problemas maiores batem às portas dos governos estaduais e das prefeituras. É preciso que se estabeleça um pacto federativo, mas garantindo autonomia financeira de que os Estados possam atender as necessidades básicas de suas populações. Ao mesmo tempo, busca que os gastos sejam limitados ao crescimento do PIB”.