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É preciso aprender a ser só

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01.12.2011 - 15:00:30

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Solidão. Provavelmente apenas a morte provoque pânico maior do que a
solidão. Não aprendemos a ser sós.
Ninguém nos ensinou na escola. Nossos pais nos educaram para sermos populares,
felizes e amados. Nunca a sermos sós.

Por isso
causa tanto estranhamento quando alguém decide viver sozinho. Não estou falando
de alguém viver só em uma apartamento na cidade, mas isolado do mundo tal qual
o conhecemos.

Como fez
Christopher McCandless, um jovem 
norte-americano recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados
Unidos em busca da liberdade. Sua breve vida foi retratada no filme Na Natureza
Selvagem (Into the Wild -2007), dirigido pelo sempre brilhante Sean Penn.
McCandeless morre só em um remoto
Alasca, com frio, fome e sede. Não sem antes nos ensinar sobre desprendimento,
liberdade, sonhos e uma boa dose de idealismo. Sua última foto  aparece antes dos créditos baixarem. Ele tem
a fisionomia calma e serena, de quem está em paz consigo mesmo.

Outro filme
que nos remete à solidão é 127 horas (2010), de Danny Boyle. No longa, o ator
James Franco (sensacional) vive o alpinista Aron Ralston, que teve o braço
esmagado por uma pedra enquanto fazia mais uma escalada nas montanhas de Utah,
Estados Unidos.  Durante cinco dias ou 127
horas, preso dentro de uma fenda, isolado do mundo, ele luta contra a dor, a
fome, sede, arrependimentos e solidão. Mas saiu vivo para contar a sua
história.

Ambos os
filmes nos ensinam que a solidão extrema pode ter consequências irreversíveis,
em que o preço pode ser a própria vida. E o quão difícil é vivenciar a solidão
absoluta.Temos necessidade das pessoas, de ajuda, compaixão e companhia. Mas
também precisamos aprender a ser sós.

Suportar a
própria companhia, ou melhor, ter prazer na solidão não é tarefa mole. Você
pode discordar e dizer: eu amo ficar sozinho. Será mesmo? Somente você e seus
pensamentos? Sem distrações: televisão, livros, internet ou música?

Experimente.
Não será fácil se desconectar do mundo para se conectar a si próprio. Encarar a
sua própria verdade sem nenhum ruído externo. Enxergar a si mesmo sem máscaras.
Escutar as próprias dúvidas, encarar os próprios medos e fantasmas. Simples não
será, mas estar solitário pode ser uma experiência positiva e trazer alívio
emocional.

Precisamos
aprender a ser sós.

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por Bia Tahan

*Jornalista

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