José Abrão
Goiânia – Ex-secretário de Saúde de Goiânia, o médico Durval Pedroso, que agora se prepara para disputar uma vaga na Câmara Municipal, revela que o período de escassez de vacinas contra a covid-19 foi o momento mais desafiador de sua passagem pela pasta da gestão estadual. Ele ficou no posto entre os anos de 2021 e 2023. Em entrevista à reportagem do jornal A Redação, ao fazer um balanço do trabalho feito como auxiliar, Durval avalia que, junto da sua equipe na pasta, conseguiu alcançar bons resultados, apesar das dificuldades.
“Nós vivemos a maior crise sanitária mundial dos últimos anos. Então, o combate ao coronavírus foi desafiador, seja nas estratégias de atenção e cuidado com os enfermos, seja depois, com uma estratégia de criação de uma estrutura de vacinação que pudesse abranger a todos. No momento em que a vacina era escassa, isso era um grande dificultador”, lembra. “A escassez da vacina obrigava que os poderes públicos tomassem a decisão de quem deveria receber a vacina prioritariamente, isso foi muito embasado no ponto de vista técnico, nas estatísticas daquelas pessoas que tinham realmente maior risco. Foi extremamente desafiador”, revela.
Segundo Pedroso, quando ele assumiu a Secretaria de Saúde em Goiânia, no ano de 2021, a prefeitura tinha cerca de 150 leitos de terapia intensiva. Em pouco tempo, conforme pontua, conseguiram ampliar para 350, com um hospital de campanha próprio do município. Ao relembrar o período em que o mundo se voltava para o combate ao coronavírus, Durval divide a pandemia em três momentos, cada um com seus problemas específicos. “Primeiro, a necessidade de abertura de leitos, estruturar a rede para poder atender a população, juntamente com a testagem. Depois, o momento da vacina, uma vacina que nós não conhecíamos, que precisava quebrar paradigmas de vacinação. E existia um movimento contra a vacina, e isso era muito ruim, isso dificultava a vacinação”, lembra.
Já o terceiro momento foi de reabertura, e como trabalhar isso tanto com a sociedade quanto com os empresários. “Nós somos muito felizes em termos nos aproximado do setor produtivo. Nós tivemos um diálogo frequente com as federações, os sindicatos, as associações. E se a gente lembrar aí, o primeiro show que aconteceu para um número maior de pessoas, um modelo, foi aqui em Goiânia, com o Gusttavo Lima”, conta. Na ocasião, foi realizado um show com entradas e saídas separadas para grupos limitados de pessoas.
Programas
Fora da pandemia, Durval destaca dois programas realizados pela prefeitura durante sua gestão voltados para a atenção primária. O primeiro deles foi o 'Cuidar em Casa', que otimizou e facilitou o atendimento e fornecimento de fraldas e de dieta especial para os pacientes acamados atendidos pela SMS em suas casas.
O outro foi o programa 'Saúde Mais Perto de Você', realizados aos sábados e que resultou em mais de 20 mil atendimentos. “Foi um programa que realmente aproximou a saúde das pessoas. Fazíamos um ritmo de mini-mutirão com atendimento oftalmológico, com realização de ultrassom, obstétricas e higiene oral. Nós atendíamos, por sábado, até duas mil pessoas, dependendo da região”, celebra.
Dengue
Enquanto o Brasil já registra quase 3 milhões de caos de dengue e quase 1,2 mil mortes confirmadas só em 2024, Goiânia confirmou, até agora, 5 óbitos pela doença neste ano. Durval Pedroso acredita que a capital não foi tão drasticamente impactada devido a medidas preventivas tomadas a partir de 2022. “Naquele ano tivemos um aumento extremamente expressivo em casos de dengue, na saída do coronavírus, e fora da sazonalidade prevista para este tipo de arbovirose. E por que? Por conta da pandemia, os agentes pararam de visitar as casas e, provavelmente, o mosquito foi se proliferando”, lembra.
Pedroso relembra que na época a prefeitura adotou um sistema de armadilhas para controlar a população do mosquito. “Nós fizemos a proposta do uso de uma tecnologia nova que estava entrando no Brasil, que era o uso das armadilhas. Essas armadilhas utilizam um veneno e também existe um fungo dentro da armadilha que contamina o mosquito para que ele possa, depois, contaminar outros mosquitos. Ou seja, é uma ação ecologicamente eficaz porque o fumacê não mata só o mosquito, ele mata a abelha, ele polui o lençol freático, ele tem vários outros impactos ecológicos ao longo do tempo”, explica ao justificar a decisão de adotar novas medidas naquele momento.
Foram espalhadas 2.100 armadilhas na capital naquela época. “Eu acredito que o reflexo desse planejamento, dessa estratégia, nós estamos colhendo agora. Quando você usa a ciência, usa a técnica, faz planejamento e se prepara, a chance do impacto de uma doença é bastante minimizado”, finaliza.
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