Os drones, tecnicamente chamados de aeronaves remotamente pilotadas (RPAS), deixaram de ser exclusivos do meio militar para se tornar uma das tecnologias mais versáteis do século XXI. Presentes da agricultura aos centros urbanos, esses sistemas transformam atividades com mais precisão, eficiência e menor risco humano.
No Brasil, o crescimento do setor é expressivo e sustentado por avanços regulatórios. Dados da ANAC indicam que o país saltou de cerca de 16,5 mil drones registrados em 2017 para mais de 133 mil em 2026 – um crescimento superior a 700% em menos de uma década. Além disso, o setor mantém ritmo de expansão acima de 20% ao ano, impulsionado por áreas como agronegócio, energia e segurança. Nesse cenário, o uso de drones é regulamentado por ANAC, DECEA e ANATEL, que estabelecem regras para operação, acesso ao espaço aéreo e uso de radiofrequência.
O DECEA, responsável pelo controle do espaço aéreo, também evidencia essa evolução. Apenas em 2024, o Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARPAS) registrou mais de 409 mil solicitações de voo de drones, com cerca de 69% de aprovações e alto nível de automação nas análises. Em 2025, o volume avançou para 489.530 solicitações ao longo de todo o ano, consolidando o crescimento das operações e a intensificação do uso de drones no espaço aéreo brasileiro.
Na agricultura de precisão, drones equipados com sensores avançados monitoram lavouras, identificam pragas e otimizam o uso de insumos. Na infraestrutura, realizam inspeções em linhas de transmissão e obras com maior segurança. Na segurança pública, auxiliam no monitoramento de áreas urbanas e grandes eventos. Já na logística, começam a ganhar espaço em entregas, enquanto, no meio ambiente, atuam no combate ao desmatamento e às queimadas.
Esse avanço está ligado às tecnologias embarcadas. Sensores térmicos, multiespectrais e LiDAR garantem coleta precisa de dados, enquanto sistemas GNSS e RTK asseguram posicionamento confiável. A inteligência artificial permite análise automatizada e tomada de decisão em tempo real, e a conectividade via 4G, 5G e satélites amplia o alcance operacional.
Nos conflitos modernos, os drones assumiram papel estratégico. Na Guerra da Ucrânia, são utilizados tanto para reconhecimento quanto para ataques de precisão, inclusive como munições vagantes (“kamikaze”). Também atuam em guerra eletrônica, interferindo em sistemas adversários e permitindo operações descentralizadas com alto impacto.
Apesar dos avanços, desafios persistem, como questões de privacidade, uso indevido e limitações técnicas, incluindo autonomia de bateria e vulnerabilidade a interferências.
O futuro aponta para integração com cidades inteligentes, operações autônomas e sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo. Com o avanço do 5G e da Internet das Coisas, os drones tendem a atuar de forma cada vez mais conectada.
Assim, os drones representam uma tecnologia transformadora e, ao mesmo tempo, um desafio regulatório e ético. O equilíbrio entre inovação, segurança e responsabilidade jurídica será decisivo para definir sua utilização nas próximas décadas.
Luiz Antônio Figueiredo é especialista em Aviação e Manutenção Aeronáutica.

os dones são o futuro 🚁
Bom seria se tais avanços tecnológicos fossem utilizados apenas à bem da humanidade, haja visto o imenso campo de possibilidades existentes, contudo, a mente humana no atual nível de moralidade em que se encontra, sempre buscará explorá-la nas mais diversas áreas nas quais poderá obter vantagens sobre seus adversários, assim como nas guerras.