Kamylla Rodrigues
Goiânia – O corpo fica rente ao chão. A alta velocidade e a disputa com os carros na rua é risco iminente de acidente. Mas é justamente a periculosidade e a adrenalina do esporte, ainda pouco conhecido em Goiânia, que têm atraído cada vez mais praticantes. O Drift Trike, que lembra a brincadeira de carrinho rolimã, chegou à capital há cerca de quatro anos e um grupo de amigos goianos aproveita os finais de semana para, literalmente, descer ladeira abaixo. Os amantes do esporte se preparam, inclusive, para uma competição nacional.
(Foto: Renato Conde/A Redação)
Juliano Coelho da Silva, que faz parte da equipe WU Trike Clan, de Goiânia, explica que existem duas modalidades do esporte: a speed (de velocidade) e a drift (de manobras). Ele e outros amigos da equipe praticam a modalidade de velocidade, apostando corrida nas ruas e chegando a uma velocidade superior a 100 km/h. "É perigoso, claro, por conta da disputa por espaço com carros, motos e caminhões, mas por não existir em Goiânia um local reservado para a prática do esporte, nós utilizamos as ruas", disse Juliano.
Alguns dos integrantes da equipe já sofreram acidentes, mas nenhum grave, graças à utilização de equipamento de segurança. "Usamos capacete, luvas, joelheira, cotoveleira, colete e roupas de material mais resistente", ressaltou Juliano. O gerente de vendas Augusto Andrei Grizotto, por exemplo, que também integra a WU Trike Clan, não pratica o esporte há cerca de seis meses por conta de um rompimento no ligamento do joelho. "Eu estava em alta velocidade e meu freio não suportou. Acabei chocando em na barreira de proteção da pista", contou.
(Foto: Renato Conde/A Redação)
Contando os dias para voltar a descer a ladeira com os companheiros de equipe, Augusto por enquanto é o mecânico da turma. Ele explica a composição do pequeno triciclo feito artesanalmente pela maioria dos praticantes. "Na frente é uma roda de bicicleta aro 20 de BMX e atrás são duas rodas traseiras de Kart, revestidas de PVC, que permite o deslize na pista. O banco pode ser feito de vários materiais e quanto mais próximo ao chão, maior a velocidade", afirmou Augusto.
Uma trike artesanal pronta custa entre R$ 400 a R$ 600, mas podem ser encontradas por até R$ 2,5 mil, dependendo do aperfeiçoamento do veículo. Hoje também já existem algumas empresas produzindo profissionalmente os triciclos, inclusive motorizados. "No Brasil ainda são poucas as empresas investindo nisso, justamente por ser um esporte ainda pouco divulgado. em Goiânia mesmo, que a gente saiba, não há nenhuma", disse Juliano.
O esporte
Criado na Nova Zelândia, os trikes começaram a aparecer em meados de 2008, mas não se sabe ao certo quando eles surgiram. Apesar de já contar com algumas competições próprias, o forte dos trikes está nos encontros combinados pelas redes sociais.
"As competições daqui de Goiânia ainda são informais e sem qualquer ajuda governamental ou patrocínio. A gente espera que com uma divulgação maior do esporte, tenhamos grandes competições", ressalta Juliano. A equipe WU deve competir no próximo dia 28, na etapa nacional do Drift Truck Speed, em São Paulo.