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Dr. Adilon Cardoso: “Uma coisa é saber operar, outra é dominar a máquina”

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18.02.2022 - 11:54:58

Augusto Diniz

Goiânia – O médico cirurgião Adilon Cardoso passou os últimos anos dedicado à especialização na técnica da cirurgia robótica. O esforço teve os primeiros resultados com a transferência de pacientes para cirurgias bariátricas em São Paulo e Brasília, com uso da tecnologia. Em 2022, mais avanços: o profissional não precisa sair de Goiânia para operar um paciente com obesidade mórbida, porque agora a capital dispõe da estrutura necessária. 

O equipamento utilizado na cirurgia robótica, modelo Intuitive Xi, foi adquirido pelo Hospital Albert Einstein, unidade localizada no Órion Complex. Não é uma máquina barata. Tem custo médio do US$ 2,5 milhões [equivalente a R$ 12,95 milhões na cotação do dólar da manhã desta sexta-feira (18/2), a R$ 5,17]. "Hoje nós dispomos pela melhor tecnologia robótica que existe no mundo", disse o médico durante visita à sede jornal A Redação na quinta-feira (17). Ele foi recebido pelo diretor-presidente do AR, João Unes, e pelo jornalista Augusto Diniz.

Há um mês, no dia 17 de janeiro, Adilon Cardoso realizou a primeira cirurgia robótica em Goiânia. O pioneiro da técnica no Estado explicou em entrevista ao AR que o médico cirurgião ganha na precisão e na força aplicada aos movimentos durante o procedimento cirúrgico, principalmente em casos mais graves de obesidade.

"É muito pesado para um cirurgião operar um grande obeso. Muito pesado. Você termina o procedimento exaurido. Porque é muita força", descreveu. A diferença entre o procedimento por vídeo e a adoção da robótica na hora de fazer uma bariátrica inclui, também, o cansaço do profissional, que precisa ficar em pé para realizar o procedimento. "Eu preciso de precisão. Estou fazendo muita força. Com isso, começam os tremores, a percepção da sua distância, tudo muda", enfatizou.

Quando a cirurgia inclui a robótica, o cirurgião passa a ficar sentado e controlar o robô. "A partir do momento em que você colocou o robô no paciente, você se senta. Quem faz a força é o robô, e ele não cansa. Com isso, a precisão do que eu vou fazer é exata. Essa é a grande diferença."


"A partir do momento em que você colocou o robô no paciente, você se senta.
Quem faz a força é o robô, e ele não cansa" (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)

Capacitação
O profissional destacou que é preciso controlar a tecnologia. "Uma coisa é saber operar, outra coisa é dominar a máquina", declarou Adilon Cardoso. No caso do goiano, que realizou a primeira cirurgia robótica na capital há um mês, o treinamento começou em 2015 com o médico Carlos Eduardo Domene, de São Paulo. Ele é considerado um dos melhores cirurgiões do mundo.

"Fiz contato e comecei meu treinamento com o doutor Domene. Passei o ano de 2016 todo operando. Depois, fui para os Estados Unidos fazer o treinamento, a certificação e várias cirurgias conjuntas", lembrou. Só depois de percorrer todo o caminho para dominar a cirurgia robótica, Adilon Cardoso começou a operar sem a orientação ou observação de outro profissional da área. "É muito diferente. Quando se está começando, você se sente como um residente outra vez", descreveu o médico.

Até chegar a Goiânia em janeiro, com o primeiro equipamento de cirurgia robótica disponível, foram dez anos de prática da técnica no País. "Quem fez a primeira cirurgia na robótica no Brasil foi a urologia." O profissional explicou que a vantagem para a laparoscopia é a opção maior de movimentos que podem ser feitos durante o procedimento cirúrgico. "Os movimentos são totalmente bloqueados. A elasticidade que a robótica permite é gigantesca. É imbatível."


"O que é inacessível para o vídeo, para o robô é um movimento muito tranquilo.
Isso ajuda na precisão" (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)

Precisão
Ao comparar com outros procedimentos cirúrgicos, Adilon Cardoso lembrou da limitação da laparoscopia em determinadas situações. "Na laparoscopia, se eu tenho algum ponto que preciso alcançar com alguma obstrução, que precise de um movimento que não seja reto, não tenho como chegar ao local."

A grande diferença está na opção que o robô dá do movimento de punho, com a formação igual ao que a mão faz em formato de pinça com os dedos polegar, indicador e médio. "Eu tenho este movimento de punho, que é a simulação da minha mão dentro da cavidade abdominal. Utilizo a ótica para ver o local e faço o movimento de pinça com a mão. O que é inacessível para o vídeo, para o robô é um movimento muito tranquilo. Isso ajuda na precisão", observou Adilon Cardoso.

Leia mais:
Dr. Adilon Cardoso cita quatro passos para sucesso da cirurgia bariátrica
Cirurgia robótica, “por enquanto”, ainda depende do médico

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por Augusto Diniz

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