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(Foto: reprodução Instagram)

Dolly Parton, ícone da música country, morre aos 80 anos

Artista é autora de clássicos como Jolene, Coat of Many Colors e I Will Always Love You

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25.08.2026 - 16:03:59

São Paulo – Dolly Parton, o ícone da música country cujo vocal de vibrante alcance, composições comoventes e figurinos brilhantes definiram sua ascensão de uma cabana de madeira nas montanhas do Tennessee ao topo do estrelato e do reconhecimento crítico, morreu aos 80 anos. A informação foi confirmada por sua família com um vídeo nas redes sociais.

Conhecida por sua silhueta de curvas marcantes, perucas loiras volumosas e figurinos ajustados ao corpo — que serviam de palco para seu humor autodepreciativo —, ela foi uma das personalidades mais amadas da música e do entretenimento: a rara celebridade cujo apelo transcendeu gerações, fronteiras e preferências políticas.

Dolly escreveu centenas de canções, incluindo clássicos como Jolene, Coat of Many Colors e I Will Always Love You, acumulando mais de 100 milhões de cópias vendidas mundialmente e ultrapassando 1 bilhão de reproduções em plataformas digitais.

Acostumada a dedilhar banjos incrustados de pedrarias, violões e dulcimers com suas unhas longas durante as apresentações, Parton foi também uma filantropa generosa e uma empresária de sucesso, cujos projetos incluíam um parque temático nas colinas das Smoky Mountains, próximo ao seu local de nascimento.

Sua carreira foi eternamente moldada por sua criação como uma de 12 filhos de uma família do Tennessee que ela própria descrevia como “extremamente pobre”. Ela fundou a Imagination Library, uma organização sem fins lucrativos voltada para a educação, para enviar livros gratuitos a crianças do Tennessee porque seu pai, que havia abandonado a escola para trabalhar na roça, enfrentava grandes dificuldades para ler.

O início da carreira de Dolly Parton
As primeiras apresentações musicais de Parton foram na igreja onde seu avô era pastor. Aos 10 anos, já aprendia violão e cantava em programas de rádio e TV locais. Aos 13, apresentou-se no lendário palco do Grand Ole Opry, em Nashville, onde Johnny Cash a introduziu como “uma garotinha vinda do leste do Tennessee”.

Com uma mala cheia de composições, ela seguiu os passos de seu tio Bill Owens, também compositor, e mudou-se para Nashville assim que concluiu o ensino médio, em 1964. Fred Foster, produtor de nomes como Roy Orbison e Willie Nelson, enxergou o potencial da jovem e passou a oferecer suas canções a outros artistas, além de gravar e lançar faixas interpretadas pela própria Dolly. Em meados da década de 1970, Parton já era soberana em Nashville.

A parceria fundamental com Porter Wagoner
A parceria com Porter Wagoner, astro de topete proeminente e figurinos cintilantes cobertos de pedras rhinestone, foi divisor de águas em sua carreira. Ela aprimorou seu talento cênico ao participar do programa de TV exibido em rede por Wagoner, enquanto ele intercedia para que ela conseguisse um contrato com a gravadora RCA. O primeiro dueto da dupla, The Last Thing On My Mind, foi lançado em 1967, mesmo ano em que Dolly fundou sua própria editora musical.

Embora os duetos fizessem grande sucesso nas rádios, os singles solo de Parton não atingiam o topo das paradas no início. Com Wagoner como coprodutor, ela começou a lapidar seu estilo vocal caipira em direção a uma sonoridade mais polida e voltada ao pop. Conquistou seu primeiro número um solo com Joshua e alcançou o Top 5 com a balada Coat of Many Colors, que narrava como sua mãe costurava retalhos de pano para fazer um casaco que a pequena Dolly vestia “com tanto orgulho”, mesmo quando os colegas zombavam de sua pobreza. A canção, recheada de referências bíblicas e uma ode ao amor materno, mais tarde virou livro infantil e telefilme.

‘Jolene’ foi um divisor de águas para Dolly Parton
Em 1973, veio o grande divisor de águas de sua trajetória: Jolene, um clássico absoluto do country com seu ritmo contínuo e marcante, no qual Dolly repete o nome da personagem em um súplice apelo para que a mulher não leve embora seu homem.

A faixa dominou as paradas country, migrou para as rádios pop e ganhou lançamento internacional, abrindo novos públicos para a cantora. Jolene tornou-se uma de suas composições mais regravadas por outros nomes, incluindo versões de Miley Cyrus (sua afilhada), Olivia Newton-John e The White Stripes.

Dolly deixou o programa de Wagoner em 1974, após desentendimentos nos bastidores, embora ambos tenham continuado a gravar juntos e ele tenha permanecido como seu produtor por anos. A relação, no entanto, terminou nos tribunais em 1979, quando Wagoner a processou em milhões de dólares por taxas de agenciamento e direitos autorais.

Estrela do crossover pop
Na sequência de Jolene, veio outro gigante avassalador em 1974: I Will Always Love You, canção de despedida dedicada a Wagoner que ajudou Dolly a vencer o prêmio de Vocalista Feminina do Ano da Country Music Association (CMA) de forma consecutiva em 1975 e 1976.

Ela notoriamente recusou o pedido de Elvis Presley para gravar a faixa, pois não aceitou ceder metade dos direitos editoriais ao cantor. Décadas depois, a versão interpretada por Whitney Houston para a trilha sonora do filme O Guarda-Costas (1992) tornou-se um fenômeno estrondoso e quebrou recordes mundiais de vendas. Houston recebeu o Grammy pela performance em 1994 das mãos da própria Parton.

Here You Come Again, sucesso pop e uma das poucas canções de seu repertório que não foram escritas por ela, consolidou Dolly como uma artista multidisciplinar e rendeu-lhe seu primeiro Grammy em 1979. “Muita gente achou que eu tinha ficado completamente louca”, disse ela à Associated Press em 1979 ao comentar a transição de estilo. “Mas eu não tinha medo da mudança. Esperava o sucesso, mas estava preparada para o fracasso. Não me importava se achassem que eu estava errada. No meu coração, sabia que estava fazendo a coisa certa.”

Outros sucessos crossover de Parton incluem a faixa-título da comédia Como Eliminar Seu Chefe (9 to 5, 1980), estrelada por ela ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin; e o lendário dueto com seu grande amigo Kenny Rogers, Islands in the Stream, escrito pelos irmãos Barry, Maurice e Robin Gibb, dos Bee Gees. Em 1987, juntou forças com Linda Ronstadt e Emmylou Harris no aclamado álbum Trio, que vendeu milhões de cópias.

Dolly Parton, ícone carismática, glamourosa e dona de sua carreira, sabia rir de si
Para milhões de fãs, ela era simplesmente “Dolly”: uma síntese perfeita de carisma sulista, bom humor e glamour. Mas também se tornou um ícone e modelo feminista por manter as rédeas da própria carreira, assinar as próprias músicas, deter os direitos de suas obras e gerir seus negócios em uma indústria dominada por homens.

Parton sempre esteve pronta para rir de si mesma; ao apresentar o tradicional Saturday Night Live em 1989, avisou aos roteiristas que suas únicas restrições eram não falar palavrões nem fazer piadas com Jesus. Brincava constantemente sobre os próprios seios ou a imagem de “loira burra”, mas sempre com um piscar de olhos que deixava claro quem estava no controle do espetáculo.

Em seu livro de memórias Minha Vida Até Aqui, Jane Fonda recordou o estilo debochado de Dolly: “Geralmente muito atrevido, com uma risada que ficava entre o gingo de uma garota, um grito explosivo e uma cascata de sinos”.

Após o vestido de Dolly rasgar na parte da frente ao receber o prêmio de Artista do Ano no CMA em 1978, ela disparou: “Meu pai disse que isso é o que dá querer colocar 20 quilos de barro num saco que só cabe dois”.

Ao longo de toda a carreira, ostentou seu estilo extravagante — costumava usar macacões e vestidos ajustados e cobertos de strass feitos sob medida, mesmo quando atraía olhares desaprovadores da indústria. O visual sempre foi parte de sua estratégia no show business. “Eu sabia que minhas músicas eram boas, mesmo que eu fosse feia como o cão”, disse ela à AP em 2014. “Então pensei: ‘Bom, eu provavelmente escolheria me vestir assim mesmo se fosse uma garçonete.’ Quero dizer, este é o meu estilo. Gosto de muita maquiagem, muito cabelo e roupas chamativas. Gosto de me aparecer. É simplesmente quem eu sou.”

Casou-se com Carl Dean, um empreiteiro do ramo de pavimentação, em meados dos anos 1960; os dois permaneceram juntos até a morte dele em 2025, aos 82 anos. Embora raramente aparecesse em público, Dean foi uma grande inspiração em sua carreira. Ela contou à rádio NPR que escreveu Jolene inspirada em uma bancária flertadora que parecia demonstrar um interesse além da conta em seu marido.

De ‘Como Eliminar Seu Chefe’ a Hollywood e à Broadway
Em sua estreia no cinema, Parton atuou ao lado de Fonda e Tomlin interpretando funcionárias que se rebelam contra um chefe tirânico em Como Eliminar Seu Chefe. O crítico Roger Ebert a definiu como uma “atriz nascida para as telas”, e a faixa-título rendeu-lhe dois prêmios Grammy, além da 78ª posição na lista das 100 melhores canções de filmes do American Film Institute.

Papéis de destaque em A Melhor Casa Suspeita do Texas e Flores de Aço vieram logo em seguida. “Nunca me considerei uma estrela de cinema”, declarou ela ao jornalista Bob Thomas, da AP, em 1979. “Sabia que seria famosa, mas como cantora, compositora, autora de livros ou poesia. Queria ser uma artista famosa e usar roupas chamativas, mas cantar em filmes não era uma das minhas ambições. Minha família vivia nas montanhas e nós não íamos ao cinema.”

Sua relação de amor com a TV e o cinema durou décadas, incluindo participações ao lado da afilhada Miley Cyrus na série Hannah Montana, além de adaptações de suas músicas para especiais de Natal, filmes e produções de streaming.

Escreveu diversos livros, transitando de sua autobiografia a um romance bestseller assinado em parceria com James Patterson, Run, Rose, Run.

A adaptação teatral 9 to 5: The Musical estreou em 2009, e o espetáculo DOLLY: A True Original Musical tinha estreia prevista para dezembro de 2026.

A unanimidade chamada Dolly
Para além de sua contribuição musical, o legado mais duradouro de Parton talvez seja sua generosidade e seu poder de unificação. Quando um incêndio florestal devastador atingiu as Smoky Mountains em 2016, ela organizou um teleton repleto de estrelas e criou uma fundação que enviava cheques mensais às famílias que tiveram suas casas danificadas ou destruídas.

Criou o parque temático Dollywood no leste do Tennessee — um dos principais motores econômicos da região dos Apalaches, atração de visitantes do país inteiro — e instituiu a Fundação Dollywood.

Ela escreveu livros, foi induzida ao Country Music Hall of Fame e homenageada com o conjunto da obra pela Academia do Grammy. Em 2025, foi escolhida para receber o Prêmio Humanitário Jean Hersholt pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Com 55 indicações ao Grammy e 10 vitórias, Parton é a terceira mulher com mais indicações na história da premiação, atrás apenas de Beyoncé e Taylor Swift.

Parton conseguiu unir polos sociais e políticos opostos, conquistando gerações de fãs em áreas urbanas, rurais e em tudo o que há no meio do caminho. Em anos eleitorais conturbados, era comum ver camisetas com a estampa Dolly para Presidente. No entanto, ela mantinha uma postura rígida de não manifestar posições políticas, frequentemente desviando de perguntas sobre presidentes, candidatos ou polêmicas. “Eu não faço política”, declarou ela ao apresentador Jad Abumrad em seu aclamado podcast Dolly Parton’s America. “Tenho fãs demais em ambos os lados do muro. Claro que tenho minha opinião sobre tudo, mas aprendi anos atrás a manter a boca fechada sobre certas coisas.”

Quando a Fundação do Rock & Roll Hall of Fame incluiu seu nome na cédula de votação em 2022, embora ela tenha declarado publicamente que sentia não ter feito por merecer a honraria no gênero, os votantes responderam em coro. Parton compareceu à cerimônia de indução, fez um show marcante e, em seguida, lançou um álbum inteiramente dedicado ao rock.

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por Agência Estado

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