São Paulo – O dólar voltou a cair ante o real pelo quinto dia seguido para o patamar de R$ 3,27. Após passar a manhã toda em baixa, a moeda americana renovou mínimas à tarde com um incessante fluxo de entrada de recursos estrangeiros pela via financeira no mercado local, segundo profissionais de câmbio.
Eles constataram também vendas antecipadas diante da previsão de continuidade desse movimento de internalização de capitais até o fim da próxima semana, última de 2016, e também no começo de 2017. Afirmam que são recursos que entram para pagamentos de compras corporativas por investidores estrangeiros e também relativos a empréstimos externos por empresas nacionais, como a Petrobras.
O gerente de uma gestora de recursos listou, além do fluxo financeiro favorável nesta sexta-feira, (23/12), uma série de outros fatores que, em conjunto, vêm contribuindo para atrair investimentos ao País e para uma acomodação do risco Brasil no nível de 282,93 ponto nesta sexta-feira. "Do lado externo, a queda do dólar ante moedas emergentes, o fortalecimento do euro ante o dólar e um ensaio de alta pontual do petróleo à tarde." Internamente, ele citou o arrefecimento da crise política em meio ao recesso do Congresso e do Judiciário e o anúncio de minirreformas e medidas para estimular a economia, que são bem vistas por investidores e também por parte da população. Confirmou ainda o fluxo financeiro diário positivo. "Esse ambiente como um todo serve de atrativo ao investidor nacional e estrangeiro", comentou.
No fechamento, o dólar à vista estava em baixa de 0,93%, aos R$ 3,2703 – menor valor desde 09/11/2016 (R$ 3,2232). Nas cinco sessões de baixa, incluindo a de sexta, acumula perda de 3,64% na semana. A mínima intraday ficou em R$ 3,2593 – menor valor desde 10 de novembro último, quando cedeu até R$ 3,2117 durante a sessão. A máxima foi de R$ 3,2921. O giro total registrado nesta sexta somava cerca de US$ 1,817 bilhão. No mercado futuro, o dólar que vence em 2 de janeiro de 2017 encerrou aos R$ 3,2770, com baixa de 0,52%. O giro movimentado somou cerca de US$ 9,802 bilhões.
Ibovespa registra alta de 1,19%
O setor financeiro acumula notícias potencialmente positivas nos últimos dias e isso impulsionou os principais papéis desse tipo na Bolsa, ajudando o índice geral a fechar com alta considerável nesta sexta-feira, 23, em um dia sem grandes drivers. Petrobras também avançou bem, mas os volumes em geral foram baixos e operadores dizem que a tendência ainda é de realização de lucros na Bovespa. O Ibovespa terminou o pregão com alta de 1,19%, aos 57.937,10 pontos. O volume financeiro ficou em R$ 4,71 bilhões, o que não é tão ruim assim para uma véspera de Natal. Entre as blue chips, Petrobras (ON +1,35% e PN +1,64%) avançou bem e bancos (Itaú PN +2,59% e Bradesco PN +2,09%) também registraram ganhos robustos.
Já a Vale (ON -0,75% e PN +2,25%) teve um desempenho misto, mesmo com uma recuperação nos preços do minério de ferro. "A Vale caiu muito ontem e se recupera um pouco hoje. Já Petrobras ainda é influenciada pelo acordo anunciado pela Total", diz um operador. Na semana, a queda do Ibovespa foi de 0,77%.
Outros mercados operaram com otimismo
O clima de otimismo com o setor financeiro dominou os mercados globais. A confirmação de que o Monte dei Paschi receberá ajuda do governo italiano trouxe alívio, enquanto Deutsche Bank e Credit Suisse fecharam acordos para resolver processos nos EUA. Por aqui, as ações do setor ainda reagem a medidas anunciadas recentemente pelo governo, como a liberação do saldo em contas inativas do FGTS – que pode ajudar a derrubar a inadimplência – e mudanças no ressarcimento para gastos com cartão de crédito.
Nesta sexta, a nota de crédito do Banco Central mostrou que a inadimplência média no crédito livre caiu para 5,8% em novembro, de 5,9% em outubro. Já o estoque total de crédito subiu 0,3%, enquanto a média diária de concessões avançou 4,8%. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, ressaltou que o mercado de crédito apresentou expansão em novembro, após seis meses de queda. A instituição divulgou suas primeiras projeções para 2017 e estima que o estoque total de crédito deve crescer 2,0%, após a queda de 3% prevista para este ano.
No noticiário corporativo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou no período da tarde que a Petrobras liquidou nesta sexta dívidas no valor total de R$ 16,7 bilhões. Segundo o banco, o pagamento é relativo a três contratos de financiamentos do BNDES à Transportadora Associada de Gás (TAG) e à própria Petrobrás. O BNDES lembra que no dia 28 de novembro, a Petrobras já havia realizado uma liquidação parcial antecipada de US$ 1,25 bilhão, relativa a contrato de financiamento firmado com a TAG.
(Agência Estado)