São Paulo – A falta de sinalização de tendência de elevação mais forte da taxa básica de juros, considerando a ata da última reunião de política monetária do Banco Central, somada às incertezas sobre a formação da equipe econômica do governo, impulsionou o avanço do dólar ante o real pela quinta sessão seguida.
A alta do dólar em relação a outras dividas no exterior, após declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, também contribuiu para a valorização do dólar no Brasil. A moeda fechou no patamar mais alto desde abril de 2005, emplacando cinco sessões consecutivas de ganhos.
O dólar fechou em alta de 1,47% no balcão, aos R$ 2,550 – o maior patamar de fechamento desde 28 de abril de 2005. O volume de negócios totalizou US$ 731 milhões, sendo US$ 707 milhões em D+2. A moeda acumula alta de 5,68% em cinco sessões. No mercado futuro, o dólar para dezembro avançava 1,92%, aos R$ 2,5745, por volta das 16h55.
O avanço do dólar foi favorecido pela ata da última reunião de política monetária do Banco Central, que passou a ideia de gradualismo no processo de alta de juros no País. No documento, o câmbio considerado no cenário de referência passou de R$ 2,25 para R$ 2,50.
A alta da moeda americana no exterior também ajudou a impulsionar os ganhos no Brasil. O dólar zerou as perdas ante o euro e o iene, após o presidente do BCE reafirmar o compromisso da instituição em fornecer estímulo para as economias da zona do euro. Draghi disse que há disposição unânime no conselho executivo do BCE de, se preciso, adotar mais ações não ortodoxas de política monetária.
Ainda pela manhã, o mercado de câmbio doméstico monitorou a decisão do Banco Central brasileiro de alterar os horários da realização dos leilões de swaps cambiais.
Um operador de tesouraria de um banco nacional disse que essa alteração pode ter ajudado a pressionar o dólar para cima no fim da manhã. "O BC mudou o horário da oferta da ração diária de 4.000 contrato para 11h30 às 11h40. Isso tirou a liquidez das duas primeiras tomadas de PTAX (às 10h e às 11h), centralizando a demanda nas duas últimas tomadas da Ptax (às 12h e às 13h)", comentou. (Agência Estado)