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Doenças em tramas dão credibilidade às novelas brasileiras

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28.11.2011 - 15:08:54
Há 21 anos, quando Gilberto da Costa Freitas, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), iniciava as primeiras fertilizações artificiais, o assunto era tratado no consultório, praticamente, como um segredo de estado. Para evitar constrangimentos dos pacientes, ele marcava consultas com horários distantes. Afinal, ninguém queria ter que falar com estranhos. Muito menos, ser visto como estéril. Enquanto isso, na TV, a autora Gloria Perez tentava popularizar o tema em Barriga de Aluguel (1990), com o caso da personagem Ana (Cássia Kis Magro), que após vários tratamentos sem conseguir engravidar, recorreu à barriga-de-aluguel Clara (Cláudia Abreu). Timidamente, a infertilidade ganhava espaço na dramaturgia e, assim, repercutia na esfera pública. Médicos, psicólogos e até padres entraram na discussão.
Hoje, o debate sobre reprodução humana não causa o mesmo burburinho, mas prova que as novelas aprenderam a explorar temas ligados à saúde. Não por acaso, só na Globo, três personagens são estéreis – Suzana (Daniela Escobar) e Lúcio (Thiago Lacerda) da novela das 6 A Vida da Gente, e Paulo (Dan Stulbach), de Fina Estampa. “Discutir temas sérios agregam credibilidade às novelas e geram audiência”, justifica o estudioso Julio Weiner, diretor da TV PUC. A explicação ecoa nas tramas que estão no ar atualmente, já que entre SBT, Record e Globo, são nove os personagens com algum drama clínico.
 
Entre as doenças, estão loucura crônica, de Thiago Paixão (Mário Cardoso) em Amor e Revolução (SBT); a bulimia de Carla (Mel Fronckowiak) de Rebelde (Record); três casos de HIV em Vidas em Jogo (Record); os três já citados personagens inférteis da Globo e ainda a recém-saída do coma Ana (Fernanda Vasconcellos), de A Vida da Gente. Atrás deles, o que se vê é um desfile de jalecos.
Espelho da sociedade
A problemática recorrente pode ser entendida como uma consequência social. “As pessoas estão mais abertas para discutir esses assuntos, então as novelas investem”, diz Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, que aborda assuntos voltados à sexualidade. E isso começa a partir dos novelistas e autores, que levaram referências pessoais para os personagens. Na Record, Margareth Boury, autora de Rebelde, recuperou a experiência que tem da convivência com mãe, que é bulímica, para criar a personagem Carla (Mel Fronckowiak), que sofre do transtorno alimentar. Lícia Manzo, que assina A Vida da Gente, escolheu debater o coma a partir das lembranças de dois amigos que passaram pela situação.
 
A discussão se estende aos intérpretes. A atriz Beth Goulart, que vive Regina, soropositivo em Vidas em Jogo, lembrou de conversas que teve com amigos portadores do vírus HIV. Thiago Lacerda, o Lúcio de A Vida da Gente, recordou de um casal estéril na família.
 
O problema da abundância de doentes, segundo o clínico geral Antonio José Sproesser, que apresenta o E aí, Doutor?, na Record, é o excesso de informação jogada ao público. “O brasileiro já gosta de chegar no médico com um diagnóstico. Então, quando é chamada a atenção para um assunto de forma desnecessária, isso pode torna-se perigoso”, diz. Adriano Segal, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, concorda. “O efeito colateral de se falar de bulimia, por exemplo, é dar um mau exemplo. A pessoa pensa: ‘preciso perder dois quilos. A personagem vomita, vou fazer'”. Autor do livro Almanaque da Telenovela Brasileira, Nilson Xavier pondera: “Esses assuntos rendem porque fazem parte da vida das pessoas. São poucas as novelas que não tratam deles hoje.”
Na sexta-feira, o Ministério da Justiça reclassificou A Vida da Gente de livre para 10 anos, por entender que a novela exibe “linguagem depreciativa, agressiva ou sexual”, além de “conteúdos angustiantes”. No lançamento da novela das 6, a autora já tinha se manifestado a respeito: “Não é Plantão Médico (E.R), escrevo sobre laços afetivos”, disse. O público até se emociona. Mas o ministério, ao menos, discorda. As informações são do Jornal da Tarde. (Agência Estado)
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por Redacao Jornal

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