José Cácio Júnior
Questões pontuais do cenário político e um “mal-entendido”. São estas as explicações do governador Marconi Perillo (PSDB) sobre as críticas feitas pelo deputado federal Rubens Otoni (PT), que coloca o governador como o responsável pelo acordo para saldar as dívidas da Celg não ter dado certo em 2010.
No horário eleitoral gratuito destinado ao PT, conhecido como pílulas, Otoni afirmou que Marconi atrapalhou as negociações feitas pelo ex-governador Alcides Rodrigues (PP) por “vaidade política”. O parlamentar se referente ao documento enviado pelo tucano à Caixa Econômica Federal afirmando que contestaria a negociação na Justiça caso o dinheiro fosse liberado.
Nesta segunda-feira (31/10), Marconi disse, durante assinatura de convênio com a Caixa para obras de saneamento e urbanização, que o assunto não foi “adequadamente explicado” no ano passado. Por acreditar que os recursos seriam “desviados”, Marconi explicou que o documento pedia prorogação da liberação do dinheiro.
“Esse assunto do ano passado não ficou adequadamente explicado. Quando enviei ofício ao governo federal em relação ao contrato que estava sendo trabalhado, fiz pedindo uma prorrogação, já que eu iria assumir (o governo) e temia que os recursos fossem desviados. Isso ficou bem claro no documento que enviei”, afirma Marconi.
À época, a equipe de Marconi, então governador eleito, enviou o documento citando supostas irregularidades no acordo negociado.
Lula
Adversários políticos, Marconi desejou plena recuperação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que descobriu no sábado (29/10) ter um câncer na laringe. Em busca de recursos para o Estado, o governador tenta se aproximar de Lula e da presidente Dilma Rousseff (PT).
“Assim que fiquei sabendo (do câncer) o coloquei em minhas orações e encaminhei um torpedo ao médico responsável pela recuperação da saúde dele. Quero aqui, com muita sinceridade, pedir a Deus que o proteja e o ajude a se curar para que logo ele prossiga, sem restrições, sua trajetória de lutas e muitas conquistas. Que Deus o abençoe no pleno restabelecimento de sua saúde”, disse Marconi.
Lula e Marconi trocaram acusações indiretas em julho deste ano. Em visita a Goiânia, o ex-presidente questionou a aliados sobre o governador, sem citar seu nome, e reafirmou que o tucano foi um dos responsáveis por travar as negociações da Celg.
Alguns dias antes, Marconi havia acusado “ingerência política” por parte do governo federal para resolver as questões financeiras da empresa goiana, já que as questões técnicas estavam sendo discutidas de forma exaustiva.
Pesquisa
O resultado da pesquisa Serpes/O Popular, que avalia a opinião dos goianienses em relação aos governos municipal, estadual e federal, divulgada na segunda-feira (31/10), parece ter agradado Marconi. O tucano recebeu 39,1% de aprovação (índice de ótimo e bom).
Marconi comparou os números da pesquisa com o resultado do segundo turno da eleição de 2010 em Goiânia, quando Iris Rezende (PMDB) recebeu aproximadamente 60% dos votos válidos. Para o governador, a rejeição ao seu governo, em um primeiro ano de dificuldades financeiras, tem diminuído na capital.
“É natural que sobrem resquícios. Fico feliz pois fui derrotado em Goiânia na eleição e percebemos que há uma boa vontade por parte do goianiense em relação ao nosso governo. Nós tivemos quase 60% de votos contrários (em 2010). Nesta pesquisa nós temos 30% de (avaliação) irregular e quase 40% de ótimo e bom”, completa o governador.
O prefeito Paulo Garcia (PT) recebeu 41,1% de citações positivas e a presidente Dilma foi aprovada por 48,1% dos entrevistados. A pesquisa, que ouviu 501 entrevistados, foi realizada entre os dias 24 e 26 de outubro. A margem de erro é de 4,38 pontos percentuais.