A Redação
Goiânia – O curta-documentário Fiota e o Coco Daiá estreia neste sábado (30), durante o 9º Encontro Raízes, na Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros. Dirigido por Alciléia Torres e Natália Vitral, o filme acompanha a rotina da mestra quilombola Fiota Kalunga, da comunidade Vão de Almas, no Território Kalunga, em Cavalcante (GO), desde a coleta no mato até a produção artesanal do óleo de coco daiá.
A produção mergulha nos saberes ancestrais preservados no maior quilombo em extensão do Brasil, revelando histórias, tradições, modos de vida e conhecimentos transmitidos entre gerações de mulheres quilombolas. Agricultora familiar, extrativista, artesã e professora da dança Sussa, Fiota é uma das principais referências culturais da comunidade.
O documentário mostra o processo manual de extração do óleo de coco daiá — conhecido em outras regiões como babaçu ou indaía — e destaca a relação da comunidade com o Cerrado, a oralidade e a vida coletiva no território Kalunga. O filme também evidencia o protagonismo feminino e os processos de comunicação comunitária desenvolvidos na região.
A segunda exibição do curta está marcada para o dia 9 de junho, na Praça da Primavera, em Cavalcante.
Realizado pelo Coletivo Oyá em parceria com a Rede Kalunga Comunicações, o filme foi construído a partir de uma relação de convivência e troca com a comunidade Vão de Almas. A diretora Alciléia Torres, comunicadora quilombola nascida e criada na comunidade, afirma que o documentário representa a possibilidade de contar histórias do território a partir do olhar de quem vive essa realidade.
“Poder registrar essa nossa memória coletiva para que as futuras gerações também possam vivenciar esses saberes e fazeres através do filme é muito emocionante”, afirmou.
Já a diretora Natália Vitral destacou que a produção nasceu de uma relação construída ao longo de mais de uma década com Fiota Kalunga e outros mestres populares da Chapada dos Veadeiros. Segundo ela, o audiovisual funciona como ferramenta de preservação e valorização cultural.
Além das gravações, o projeto promoveu uma oficina de audiovisual na comunidade, envolvendo crianças, adolescentes e moradores em atividades de fotografia, som e entrevistas. Jovens do Vão de Almas participaram diretamente da produção do filme, atuando em diferentes funções técnicas durante as filmagens.
O documentário foi contemplado pelo Edital de Audiovisual nº 03/2024 da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), operacionalizada pelo Ministério da Cultura e Governo Federal.
