“Não Existe Almoço Grátis” reflete sobre os profundos danos que durante a gestão da pandemia de covid-19 foram acompanhados por outro vírus terrível: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar essa situação levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de cozinhas solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.
Em Brasília, três mulheres negras, Bizza, Jurailde e Socorro, lideram uma dessas cozinhas solidárias, localizada na maior favela do país, Sol Nascente, a apenas 30 km do centro da capital. No contexto da posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, elas estão encarregadas de cozinhar para as centenas de militantes do movimento que chegarão a Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro.
As três protagonistas possuem arcos narrativos singulares, apresentados de modo não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir sua casa e abrir seu próprio negócio no lote que conquistou através da luta no MTST. Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à sua ancestralidade indígena e seu passado de trabalho infantil. Socorro, por sua vez, descobre o orgulho de si ao formar sua própria família depois de ter sido abandonada pelo pai na infância.
“Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas”, refletem os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
“Não Existe Almoço Grátis” acompanha esta saga de preparação logística e culinária massiva no contexto da posse presidencial. Ao mesmo tempo, o filme traz entrevistas profundas com Bizza, Jurailde e Socorro, cujas vidas têm sido cheias de dificuldades, mas de muita resistência.