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José Cácio Júnior
Atualizada às 17h59
Por 9 votos a 1, o diretório metropolitano do PMDB foi destituído nesta quarta-feira (5/10). O único voto contrário foi de Flávio Peixoto, pai do secretário de Educação Thiago Peixoto. A nova comissão provisória deve ser indicada até quinta-feira (6/10), e será composta por cinco membros. Dois deles serão indicados pelos vereadores do partido em Goiânia, dois pela bancada da Assembleia Legislativa e outro pela deputada deferal Iris Araújo.
A nova comissão provisória terá 90 dias para convocar eleição do novo diretório. Emival Oliveira, o presidente destituído, afirmou que vai recorrer na Justiça da decisão alegando que a atitudade era “jogo de cena” e motivada por ações políticas.
Em uma reunião tensa, Emival se exaltou ao apresentar sua defesa. Quem estava de fora da sala conseguia ouvir as falas do ex-presidente. Tidos como os articuladores de todo o processo, Emival chamou o líder do prefeito Paulo Garcia (PT) na Câmara Municipal, vereador Agenor Mariano (PMDB) de “pulha” e o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) de “canastrão”.
Oficialmente, a destituição foi proposta pelo fato de integrantes do diretório metropolitano não terem tomado nenhuma decisão contra os vereadores Túlio Maravilha (PMDB) e Santana Gomes (PMDB) e o ex-deputado federal Luiz Bittencourt (sem partido, vai se filiar ao PTB), que declararam apoio a Marconi Perillo (PSDB) na eleição de 2010. O fato de Thiago Peixoto ter aceitado o convite de Marconi para ser secretário estadual de Educação também pesou. A alegação era que de Emival tinha sido omisso por não propor punição aos quatro.
O temor de que parte do PMDB não apoiasse a reeleição de Paulo Garcia é tido, nos bastidores, como o principal fator que motivou o pedido de destituição. O grupo de Emival defendia candidatura própria do PMDB e lançou a pré-candidatura de Ênio Salviano, presidente do Conselho de Ética do Partido, à prefeitura de Goiânia.
“É o entreguismo total do partido”, disparou Emival em entrevista coletiva, afirmando que a ação foi “arquitetada” por Iris.
Críticas
Presidente do PMDB em Goiás, Adib Elias afirma que Iris não tomou a iniciativa para trocar o comando do partido em Goiânia. Ele conta que a bancada do PMDB na Câmara expôs a Iris o receio de a sigla não lançar uma chapa consistente de vereadores em 2012. “Foram os vereadores que enxergaram dificuldade na formatação da chapa”, completa Adib, explicando que a decisão não expulsa ninguém do partido.
A situação de Emival no PMDB de Goiânia praticamente ficou insustentável. O bate-boca que atencedeu a destituição do diretório foi decisiva, já que Emival criticou Iris de forma bastante dura pela imprensa. Nos corredores do partido, peemedebistas mais antigos questionavam a autoridade com que Emival, que não tem mandato eletivo (de vereador ou deputado), criticava Iris, ex-governador do estado por dois mandatos e três vezes prefeito de Goiânia.
Sem citar nomes, Adib deixou implícito que Emival preparou sua saída do partido. A falta de punição do diretório metropolitano contra os dissidentes na eleição passada nem foi tão decisiva para o processo. “Mas muito mais porque alguém falou bastante e verdadeiramente colocou pessoas do partido desnudadas em relação à imprensa”, afirmou Adib.