Mônica Parreira
Goiânia – Diretor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (UFG), Reginaldo Nassar viveu momentos de tensão, na última segunda-feira (14/11), ao tentar evitar a ocupação de um prédio da universidade. Em entrevista ao jornal A Redação, o professor lamentou as cenas de violência e também comentou sobre o retorno das aulas.
Reginaldo explicou que a UFG possui 10 prédios destinados ao estudo de Ciências Biológicas. Deles, apenas um – o da diretoria – estava ocupado por manifestantes. O protesto é contra a PEC 55, que limita os gastos públicos, e já dura mais de três semanas. Na segunda-feira (14), segundo o diretor, manifestantes mascarados tentaram ocupar um prédio onde ocorriam aulas. Ao ser informado, Reginaldo foi até o local para tentar impedir a ação.
“Estamos em uma fase de mobilizações, toda a comunidade está envolvia. Só que existem ações que impedem as pessoas de exercerem seus direitos constitucionais, de ir e vir, por exemplo. Isso vem causando um desconforto muito grande”, disse. “Naquele dia, me deparei com um conjunto de pessoas que queria fechar o prédio. Tentei impedir. Ali estava tendo aula, provas, inclusive alunos e professores do curso de Farmácia faziam o uso da estrutura”.
O diretor informou que sofreu agressões físicas e verbais quando chegou ao local. “Estavam bastante agressivos, até me imobilizaram por um momento. Um deles, suponho que seja o líder, orientava os outros a não me ferirem”, relatou Reginaldo. Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra o momento em que o professor é agredido.
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Reginaldo disse ao AR que os manifestantes conseguiram ocupar o prédio. Depois de deixar o local, o diretor foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. “Meu braço foi lesionado, inclusive o laudo mostra”, completou.
Providências
Um Boletim de Ocorrência será registrado na Polícia Civil ainda nesta quarta-feira (16). Segundo Reginaldo, todos os documentos serão encaminhados à reitoria da UFG para devidas providências. “Foi uma cena muito triste para nossa instituição”, lamentou.
O diretor ainda confirmou à reportagem que todos os prédios do Instituto de Ciências Biológicas já estão desocupados. “Os invasores não estão mais presentes. As aulas ocorrem normalmente”, concluiu.
O Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg) se manifestou, por meio de nota, repudiando o ocorrido. No comunicado, disse apoiar "o movimento estudantil no contexto de protestos e resistência contra ameaças à educação, mas rejeita veementemente atitudes de agressão contra professores e dirigentes da Universidade Federal de Goiás".
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