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Myrella Brasil (Foto: reprodução)

Dia Internacional de luta pela Saúde da Mulher

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28.05.2026 - 08:20:15

“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores.”
Cora Coralina.

As mulheres são ensinadas desde cedo a serem fortes, aguentar tudo, se sobrecarregar, em razão do casamento, da família, dos filhos, da carreira, entre outras demandas, à custa de um adoecimento físico e mental, mas será que precisaria ser realmente assim?

O Dia Internacional de luta pela Saúde da Mulher é celebrado anualmente em 28 de maio. A data foi instituída em 1984, durante o IV Encontro Internacional sobre Saúde da Mulher, na Holanda, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre as principais condições que afetavam a saúde das mulheres.

O objetivo inicial do movimento foi debater e combater as altas taxas de mortalidade materna no mundo. A oficialização e a chamada anual para ações políticas ocorreram posteriormente, em 1987, durante o encontro seguinte, na Costa Rica.

No Brasil, a data também é conhecida como o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, reforçando a importância da assistência obstétrica de qualidade, combatendo também a violência obstétrica. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 90% das mortes maternas são consideradas evitáveis. O Brasil registrou, entre 1996 e 2018, mais de 39 mil óbitos maternos.

A saúde integral e o enfrentamento à violência de todos os tipos são questões inseparáveis. O estigma, a sobrecarga e o medo constante geram impactos severos na saúde mental das mulheres.

Diante disso, torna-se indispensável uma rede estruturada, acessível e efetiva de profissionais mais humanos e empáticos, que as olhem em seus olhos, as ouçam, as acolham e as orientem, transformando de forma genuína essa realidade tão cruel que permeia a vida dessas mulheres.

A violência contra a mulher é uma grave questão de saúde pública. Mulheres que sofrem agressões (física, sexual ou psicológica) têm duas vezes mais chances de desenvolver depressão e ansiedade. O trauma não elaborado pode gerar depressão e ideação suicida, criando um ciclo que exige intervenção imediata.

O Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, representando um aumento de 7,5% em comparação ao mesmo período de 2025. Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam uma média brutal: uma mulher assassinada a cada 5 horas e 25 minutos.

O medo e as agressões constantes impactam profundamente o bem-estar psicológico dessas mulheres, causando oscilações severas de humor, elevada incidência de depressão e desesperança; ansiedade generalizada, fobias decorrentes da falta de segurança e crises de pânico; desenvolvimento de transtorno de estresse pós-traumático, levando a mulher a se isolar socialmente.

Ainda pode-se perceber a baixa da autoestima, sentimentos de desvalorização e culpa, frequentemente reforçados por abusadores, além de somatizações como fibromialgia e dores crônicas incapacitantes; diminuição da produtividade, perda da autonomia e dependência de terceiros, contribuindo para que fiquem em relacionamentos abusivos e se distanciem da rede de apoio.

Para além das agressões diretas, a própria dinâmica do trabalho impõe uma sobrecarga que é outro fator de risco relevante para a saúde da mulher, ocorrendo quando as demandas ultrapassam os limites físicos e mentais da profissional.

O esgotamento contínuo é o principal gatilho para o adoecimento psíquico, resultando em ansiedade, depressão e na Síndrome de Burnout.

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece que as empresas devem obrigatoriamente identificar, prevenir e gerenciar fatores psicossociais, incluindo sobrecarga, metas abusivas, jornadas exaustivas e assédio.

As pesquisas recentes mostram que as mulheres têm diárias mais exaustivas que os homens, pois as demandas do trabalho somam-se às domésticas e familiares. Esse acúmulo contribui para a exaustão e, consequentemente, para o adoecimento.

Com as altas demandas e pouco ou nenhum apoio, o cuidado consigo mesmas fica em segundo plano, sacrificado em favor das responsabilidades.

Assim, as mulheres precisam ser vistas para além de números e estatísticas, como indivíduos protagonistas de suas próprias histórias, não como reféns de estruturas que as desumanizam.

Para tanto, é fundamental que os profissionais da saúde, especialmente da saúde mental, reforcem seus cuidados com as mulheres, ofereçam escuta de qualidade, empatia e acolhimento, para que possam tratá-las adequadamente e/ou encaminhá-las para os serviços e tratamentos corretos e necessários, prevenindo suas mortes prematuras e evitáveis, por negligências ou agravos psiquiátricos não tratados.

O mundo precisa delas vivas e saudáveis. Mais que sobrevida, que tenham saúde e bem-estar, com autonomia, dignidade, respeito e liberdade.

“Toda vez que uma mulher se defende, sem nem perceber que isso é possível, sem qualquer pretensão, ela defende todas as mulheres.”
Maya Angelou

*Myrella Brasil é psicóloga (CRP09/18826)

Canais de ajuda 24h, Disque:

180 – Central de Atendimento à Mulher: Serviço nacional gratuito e sigiloso para orientações, denúncias e direcionamento para serviços.

100 – Direitos Humanos e proteção de grupos vulneráveis.

1ª DEAM – Goiânia (Setor Central): Atendimento especializado a mulheres. Endereço: Rua 24, nº 203, Setor Central.

Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM): Oferece acolhimento, orientação jurídica e acompanhamento psicossocial gratuito para mulheres em situação de violência.

Rede de Atenção Psicossocial (RAPS): O atendimento para os transtornos gerados pela violência pode ser buscado nas UBS (Unidades Básicas de Saúde), nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) ou no Portal da Saúde de Goiânia.

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por Myrella Brasil

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