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Dia da Consciência Negra: conheça 10 livros para refletir sobre a data

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20.11.2021 - 08:52:22

José Abrão
 
Goiânia – O Dia da Consciência Negra, celebrado neste dia 20 de novembro, é uma data recente no calendário oficial brasileiro e não é feriado em muitas cidades, incluindo Goiânia. A data, instituída em 2003, é alusiva ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695, e é um convite à reflexão sobre questões étnicas na sociedade brasileira. Com isto em mente, separamos alguns títulos que ajudam a pensar e que também emocionam sobre esta temática.
 
Torto Arado – Itamar Vieira Júnior

Torto arado eBook : Vieira Junior, Itamar: Amazon.com.br: Livros
 
O romance vencedor do Prêmio Jabuti de 2020 rapidamente entrou para o cânone da literatura nacional. A obra acompanha duas irmãs e suas vidas em Água Negra, uma fazenda esquecida no sertão nordestino. A história, embora ficcional, acompanha a saga dos ex-escravos na zona rural, muitos se submetendo a um outro tipo de escravidão, trabalhando em troca de comida e moradia nos grandes latifúndios, até as lutas posteriores pelo reconhecimento da posse da terra e da herança dessa população como quilombola. Outros temas como a religiosidade afro-brasileira e a invisibilidade social também pautam o romance.

 
O Avesso da Pele – Jeferson Tenório

Livro: O avesso da pele - Jeferson Tenorio | Estante Virtual
 
Finalista do Prêmio Jabuti de melhor romance deste ano, a trama é narrada por um filho que tenta reconstituir a vida dos pais, ambos afetados profundamente ao longo de todo o tempo por um fato imutável: a negritude. O próprio livro resume: “É necessário preservar o avesso, você me disse. Preservar aquilo que ninguém vê. Porque não demora muito e a cor da pele atravessa nosso corpo e determina nosso modo de estar no mundo. E por mais que sua vida seja medida pela cor, por mais que sua vida seja medida pela cor, por mais que suas atitudes e modos de viver estejam sob esse domínio, você, de alguma forma, tem de preservar algo que não se encaixa nisso”.

Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus

Mês da Consciência Negra: 11 indicações de livros - Blog da TAG
 
Outro clássico da literatura nacional, o livro é um diário da autora, que reconta suas próprias experiências em São Paulo. Nascida pobre no interior de Minas Gerais e com apenas dois anos de estudo, Carolina Maria de Jesus se mudou cedo para a capital paulista, onde se instalou na favela do Canindé e lutou todo dia para sobreviver como catadora de papel. Direto e contundente, o livro foi publicado originalmente em 1960, mas narra uma história real e visceral que podia muito bem estar se passando no Brasil de 2021.

 
Confinada – Leandro Assis e Triscila Oliveira


 
Publicado originalmente em tiras no Instagram, Confinada conta o embate entre Fran, uma influenciadora rica do Rio de Janeiro, e Ju, única das suas três empregadas domésticas que topa permanecer na cobertura durante o isolamento social imposto pela pandemia da covid-19. Ficando para sobreviver, a dura convivência revela uma patroa mais cruel do que o esperado. Só que Ju, consciente dos seus direitos, não deixa isso barato.

 
Racismo Estrutural – Silvio Almeida


 
A partir de dados e de autores fundamentais, Silvio Almeida, um dos mais importantes pensadores negros brasileiros da atualidade, discute e apresenta como o racismo está infiltrado nas estruturas da sociedade e como isso prejudica não apenas a população negra mas todos os brasileiros. Embora de teor científico, Almeida é bem-sucedido em entregar um texto acessível e aprofundado para quem nunca leu nada sobre o assunto.

 
Um Defeito de Cor – Ana Maria Gonçalves


 
Este romance histórico acompanha a vida de uma escrava trazida da África para o Brasil. Idosa, quase cega e perto de morrer, ela busca o filho neste novo continente conforme narra sua história. A obra, embora pouco conhecida, é considerada por muitos um novo clássico brasileiro e chama atenção pelo aprofundamento da autora. Além disso, a obra já se torna imperdível por ser uma excelente adição a um gênero literário um tanto quanto negligenciado no Brasil, que é o do romance histórico.

 
Liberdade por um Fio: História dos Quilombos no Brasil – João José Reis e Flávio dos Santos Gomes


 
Este livro, também de teor histórico-científico, resgata a história dos quilombos brasileiros. Afinal, embora Palmares seja o mais conhecido, o Brasil possuiu e ainda possui centenas de quilombos: comunidades tradicionais formadas a partir de escravos forros, ex-escravos e escravos fugidos. Muitos deixaram de existir enquanto outros tantos viraram cidades. Esta história pouco contada é recontada e ampliada aqui.

 
Pequeno manual antirracista – Djamila Ribeiro

Vencedor do Prêmio Jabuti 2020 na categoria Ciências Humanas, o livro chama atenção por ser rápido, prático e didático. Com apenas 136 páginas, escrito pela colunista da Folha de São Paulo e mestre em Filosofia pela Unifesp  Djamila Ribeiro, o manual explica de forma rápida e direta para os leigos o que é racismo e, principalmente, como se opor ao racismo.

 
Olhos d’Água –  Conceição Evaristo

Olhos d'água por [Conceição Evaristo]
 
Neste livro, Conceição Evaristo volta sua atenção para contos sobre a mulher negra em suas diversas formas: mães, meninas, filhas, mendigas, enfrentando os diversos desafios de ser mulher. As tramas que se cruzam abordam a diversidade da negritude brasileira em narrativas envolventes e emocionantes.

 
O Genocídio do Negro Brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado – Abdias Nascimento

O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado por [Abdias Nascimento]
 
O autor desmantela neste livro as bases do conceito de democracia racial no Brasil, levantadas por Casa-Grande e Senzala, de Gilberto Freyre. Nascimento argumenta que tal cenário não é apenas utópico, como também que os fatos históricos refletem uma realidade muito diferente: a de que a população negra brasileira, apesar de sua maioria numérica, é a minoria social mais oprimida e que passou e ainda passa, de fato, por um processo de extermínio.

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por Adriana Marinelli

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